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As cidades que queremos: resistentes, sustentáveis e habitáveis

As cidades que queremos: resistentes, sustentáveis e habitáveis
As cidades que queremos: resistentes, sustentáveis e habitáveis, © © IceNineJon, vía Flickr.
© © IceNineJon, vía Flickr.

David Maddox é um cientista norte americano que dirige o Departamento de Ciências para a Conservação de Áreas Naturais de Nova York e dedica-se ao desenvolvimento de conhecimentos relacionados à concepção e gestão dos sistemas sócio-ecológicos em paisagens urbanas. A partir de sua perspectiva, a “resiliência” é o conceito da última década, uma vez que a sustentabilidade já o foi em anos anteriores. De qualquer forma, estima-se que a qualidade das cidades a que aspiram as sociedades continua a evoluir e inspirar novas metas.

Em resposta às perguntas: Qual é a cidade que queremos no futuro? Qual é a cidade em que queremos viver? Certamente a resposta é que a grande maioria quer cidades sustentáveis, visto que o objetivo é que elas equilibrem consumo e insumos deixando uma marca positiva no futuro. Da mesma forma, estas cidades também devem ser resistentes, pois elas perdurariam após os próximos fenômenos naturais, que ocorrem em diferentes cidades ao redor do mundo a cada ano.

No entanto, à medida que está visão é construída, também se percebe que as cidades deveriam ser habitáveis. Na verdade, temos que assimilar este conceito como um recurso indispensável e que sustenta as cidades que sonhamos: resistentes + sustentáveis + habitáveis.

A seguir poderemos conhecer os seis desafios que Maddox postula para conquistarmos cidades resistentes + sustentáveis + habitáveis.

© © Maguis & David, vía Flickr.
© © Maguis & David, vía Flickr.

Por exemplo, pode-se imaginar que as cidades sustentáveis poderiam manter os recursos, a energia e o equilíbrio ecológico, mas são frágeis a choques e a grandes perturbações. Isto é, elas não são resistentes e, portanto, não são verdadeiramente sustentáveis, o que poderia ser explicados por motivos alheios a definição habitual deste termo.

Também se pode imaginar cidades resistentes, mas que, para Maddox, não são sustentáveis do ponto de vista do consumo de energia, da segurança alimentar, da economia, entre outros.

É possível imaginar cidades habitáveis que não são nem flexíveis nem sustentáveis. E é fácil imaginar cidades resistentes e sustentáveis que não são habitáveis, e, portanto, não realmente sustentáveis.

© © Shlomi Fish, vía Flickr.
© © Shlomi Fish, vía Flickr.

Seu bairro ou cidade se enquadra nas dimensões de resistência, sustentabilidade, e habitabilidade?

De acordo com Maddox, devem ser projetadas e construídas nas áreas urbanas com base em uma visão de futuro com cidades resistentes + sustentáveis + habitáveis. No entanto, nenhum desses termos é suficiente para as tão sonhadas cidades de amanhã, apesar de estarem corretos. Porém algumas vezes estes três elementos se encontram em pistas separadas, com agencias governamentais apartes perseguindo um ou outro, e as ONGs e organizações comunitárias dedicadas a um único. Claro que muitas cidades do mundo na verdade não tem os recursos necessários para avançar em qualquer um destes três conceitos.

Como seguir em frente? Maddox elaborou seis desafios em torno da sustentabilidade + resistência + habitabilidade, que propõem como seria possível trabalhar neste sentido.

Nº1: Considerar os conceitos de resistência, sustentabilidade e habitabilidade mais além do aspecto metafórico, isto é, pensar sobre a implementação.

© © dicktay2000, vía Flickr.
© © dicktay2000, vía Flickr.

Resistência a que? Resiliencia para quem?De acordo com Maddox, a grande maioria pode estar de acordo que a ‘resiliencia’ seja um bom elemento, mas uma definição operacional é mais relevante quando se trata de escolhas difíceis. É necessário ser mais especifico sobre as decisões envolvidas em casos de maior capacidade de recuperação, primeiro perguntando o que motiva as cidades a quererem ser resistentes. As tempestades? As ondas de calor? As secas? Algumas das coisas que poderiam ser feitas para gerar cidades mais resistentes são ações imprescindíveis. Outras implicam sacrifícios ou exigem enormes compensações. Nas sociedades atuais tem-se que ser explicito sobre estas compensações e suas conseqüências.

Ao falar sobre a capacidade de recuperação, o que queremos mostrar é que se evita enfrentar e discutir a possibilidade de que há vantagens e desvantagens reais envolvidas e que tais decisões podem produzir vencedores e perdedores.

Para Madoxx, este desafio muito rico, em parte porque cada uma destas palavras tem inúmeras definições, as quais variam dependendo do contexto, profissão e de comunidade.

Nº 2: Reconhecer e lidar com as diferenças entre a resiliencia, a restauração e a resistência.

© Nova Iorque depois do furacão Sandy. © André-Pierre, vía Flickr.
© Nova Iorque depois do furacão Sandy. © André-Pierre, vía Flickr.

As definições clássicas para a resiliencia ecológica e a resiliencia pessoal variam tanto a abordagem quanto a idéia central, mas quando aplicada a um sistema, frente a tensões, se curvam, mas não se rompem, porque os sistemas são suficientemente elásticos para deformarem-se, absorverem a pressão e logo voltarem ao estado original. Em algum nível, no entanto, os nós de stress do sistema se referem a um novo estado, ou um novo equilíbrio que certas pessoas não compartilham. Segundo Maddox, os sistemas resilientes são aqueles que suportam uma grande quantidade de estresse antes de mudarem a um novo estado.

Os nova-iorquinos mostraram muita resistência pessoal e psicológica após o furação Sandy, uma vez que se levantaram e começaram, em alguns casos, a reconstrução de suas vidas no mesmo lugar. Isto demonstra que as pessoas são resistentes a contratempos.

No entanto, os ciclos de danos e a reconstrução não são a resiliencia ecológica ou do sistema. A restauração é um evento comunitário e pode exigir recursos significativos. A sociedade pode optar por reconstruir, mas não como parte da resiliencia ecológica ou do sistema (embora certamente segure resiliencia social). Os sistemas resilientes são aqueles que pela natureza de seu design e funcionalidade, absorvem os choques e em algum momento voltam ao seu estado original inalterado. Esta é a razão pela qual a infra-estrutura verde é muitas vezes considerada como chave para a resiliencia urbana: a infra-estrutura verde, tanto a construída como a natural, absorvem água, acalmam as ondas, moderam o vento e o calor, e se recuperam. No caso das cidades que não contam com o dinheiro para construir sua infra-estrutura, esta escolha é crucial.

Nº 3: As comunidades e os movimentos sociais que incluem e se dedicam as pessoas dos locais em que se desenvolvem podem contribuir?

© GreenPop na Cidade do Cabo, África do Sul. © 350.org, vía Flickr.
© GreenPop na Cidade do Cabo, África do Sul. © 350.org, vía Flickr.

Nas palavras de Maddox, o compromisso é fundamental em todos os níveis. Todos sabem que as arvores nas ruas tem um conjunto conhecido de benefícios biofísico, desde a recepção de águas pluviais para o resfriamento do ar até a biodiversidade do habitat. Mas para o meio cientifico, talvez a maior contribuição dos projetos de plantio massivo de arvores, comoMillion Trees em Nova York e outras cidades dos EUA, Europa e no resto do mundo, é a construção da comunidade através de atividades de gestão. Seus benefícios são bem conhecidos e parte deste tipo de programas. Por exemplo, os relatórios de GreenPop, um plano de plantio realizado em Cidade do Cabo, mostra em seu site que já plantou 18.000 arvores com a ajuda de 3.000 voluntários. Isto quer dizer que 100 mil pessoas foram beneficiadas por esse programa que só tem alguns dois anos de prática.

Os mesmos benefícios são evidentes em outros programas de infra-estrutura verde e azul que promovem a resiliencia, a habitabilidade, a sustentabilidade e a participação: as pessoas são dedicadas aos projetos que os beneficiem de várias maneiras.

Por exemplo, o arquiteto e ativista PK Das leva este esforço a Bombai mediante a construção de canais abertos, ou nallahs.Open Bombay é o nome deste projeto que constrói canais que funcionam, em grande parte, como esgotos para bairros marginalizados. Os projetistas e gestores destes novos canais são as pessoas que ali habitam, o que representa um grande beneficio em uma cidade de 24 milhões com menos de um metro quadrado de espaço aberto por habitante.

Nº 4: Criar mosaicos de comunidade e elementos de design que em conjunto somem “resistência + sustentabilidade + habitabilidade”?

© © Melissa Wall, vía Flickr.
© © Melissa Wall, vía Flickr.

Se há um tipo de elemento projetual que incorpora estes três valores, é uma horta comunitária, segundo Maddox. Estas contribuem para a resiliencia de uma cidade e para a captação de água de chuvas que, poderia alagar e sobrecarregar os sistemas de esgoto. Além disso, são produzidos alimentos que tenderiam a ser importados de outros lugares. Normalmente estes são lugares atraentes, onde as pessoas se reúnem e fortalecem o senso de comunidade, identidade e coesão.

É claro que nem todos os tipos de infra-estrutura são úteis para as funções de um projeto sobre os três níveis. Mas as áreas-bairros, zonas ou bacias hidrográficas, etc. devem ter vários projetos que somem todas estas funções. Paul Downton, falou dos fractais: para que cada escala geográfica tenha um mínimo de funcionamento (por exemplo, em um bairro) deve ter todos os elementos desejáveis da natureza e o que a infra-estrutura representa. O mesmo é aplicável neste contexto, segundo Maddox. Cada bairro deve ter seu planejamento com capacidade total de recuperação + sustentabilidade + elementos de habitabilidade: hortas comunitárias, parques, arvorem nas ruas, transporte misto, quebra-mares (se for uma cidade costeira), passarelas, etc.

Este ponto refere-se ao desafio nº1: Para quem é a capacidade de recuperação? Se cada bairro ou zona tem seu planejamento, contando com um conjunto de recuperação + sustentabilidade + valores habitáveis, então talvez seja menos provável encontrar que os projetos que criam mais resistências para um grupo de pessoas signifiquem menos capacidade de recuperação para outro.

Nº 5: O que se tem a dizer sobre outros tipos de cidades?

© © bouyant, vía Flickr.
© © bouyant, vía Flickr.

Existem várias cidades ao redor do mundo que podem criar ou comprar estruturas ou recursos e contratar especialistas dos quais necessitem para resolver seus problemas de resistência, sustentabilidade e habitabilidade. Mas dependendo de como se conta, há mais de 3.000 cidades no mundo com mais de 150.000 habitantes.

Como podem as pessoas destas cidades encontrar a informação e inspiração de que necessitam para realizar o planejamento urbano e as soluções verdes para a resistência, a sustentabilidade e a habitabilidades? Segundo Maddox, as cidades tendem a ter mais problemas- e soluções – em comum com as demais, inclusive através das fronteiras com suas próprias áreas rurais. As reuniões internacionais e as consultorias estão além do alcance da maioria das comunidades. Então como vão compartilhar o conhecimento e as melhores práticas? Como aprenderão o que funciona bem em outras cidades?

Contra isso, Maddox argumenta que as soluções para os problemas urbanos devem ser adaptadas e aplicadas segundo o contexto local. Porque as questões urbanas muitas vezes têm suas raízes nos conflitos mundiais e estes são amplamente compartilhados, é essencial a troca de informações e ideias através de uma plataforma acessível e pratica. Esta plataforma tem que ser equivalente de pessoa para pessoa para que possam aprender e compartilhar e assim o conhecimento possa se propagar e difundir. Enquanto isso, as soluções locais podem ser compartilhadas globalmente e, em seguida, realocadas para novos lugares.

Nº 6: Pode-se criar uma definição unificada de resistência + sustentabibildade + habitabilidade?

© © Dougtone, vía Flickr.
© © Dougtone, vía Flickr.

Em essência, Maddox argumenta que a chave está na implementação de uma capacidade de resiliencia, sustentabilidade e habitabilidade, retirada da pura metáfora, a conexão entre os termos. Em muitos lugares já estão sendo realizados programas que envolvam a um dos conceitos e seus triunfos tendem a serem divulgados e se multiplicarem. Uma vez que há um numero crescente de exemplos, o real progresso pode acelerar enquanto as pessoas, as redes de comunicação e os governos continuarem apoiando as ações e os projetos locais.

Muitas características naturais proporcionam amortecimento e proteção, ou seja, capacidade de recuperação são também aspectos que melhoram a qualidade de vida, como os parque, árvores nas ruas, hortas, tetos-verdes, etc. Estas características naturais certamente reduzem os custos econômicos da mudança e seus benefícios vão muito alem da própria idéia de tipo de cidade que se visa criar, na qual a grande maioria vai querer viver.

Por Constanza Martínez Gaete - Plataforma Urbana - Via The Nature of Cities

Sobre este autor
Joanna Helm
Autor
Cita: Joanna Helm. "As cidades que queremos: resistentes, sustentáveis e habitáveis" 28 Jun 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/123765/as-cidades-que-queremos-resistentes-sustentaveis-e-habitaveis> ISSN 0719-8906