O trabalho de Marília Marz tem as cidades como fonte de inspiração e pesquisa. Ela começou a conversa no Betoneira contando sobre sua experiência no programa Ciência Sem Fronteiras, através do qual foi para os EUA estudar arquitetura e acabou se apaixonando pela disciplina de quadrinhos. A artista mergulhou de cabeça no universo gráfico, na Universidade de Oregon, onde também se formou o quadrinista Joe Sacco. Marília Marz ressaltou que a escolha da universidade acabava sendo um pouco aleatória no programa; nem todo mundo conseguia ir para a instituição de sua escolha. Ela acabou caindo em uma faculdade que não estava entre as suas opções, mas que é uma das poucas faculdades que têm o curso de quadrinho como formação secundária.
Masieri Memorial, Frank Lloyd Wright, 1952. Imagem de domínio público
A história da arquitetura está repleta de marcantes hipóteses nunca concretizadas, tenha sido pela inexequibilidade, radicalidade conceitual e/ou outros critérios específicos. Ainda que fruto das mais prestigiadas mentes do campo, tais ideias não transpuseram as inevitáveis imposições da realidade material, e tampouco puderam sofrer adaptações que as viabilizasse, mesmo que parcialmente. No entanto, a importância desses projetos ultrapassa o tangível. Para além de enriquecer o acervo intelectual da profissão, as propostas outrora naufragadas foram e ainda são insumo para reflexões e fonte de criação para diversas abordagens artísticas.
https://www.archdaily.com.br/br/997712/como-uma-historia-em-quadrinhos-trouxe-a-vida-uma-obra-nao-construida-de-frank-lloyd-wrightJoão G. Santos
Trecho de HQ. Produção autoral por Bárbara Garcia Souza Bravo
TEIA re(a)presenta a cidade de São Paulo por meio de uma narrativa em quadrinhos. Os personagens foram criados para serem os protagonistas do enredo a partir de uma seleção empírica, na qual foram elencados doze bairros relevantes para a história da cidade em que seus moradores serviram de base para compor os tipos possíveis da trama do roteiro desejado. A narrativa em HQ foi o suporte ideal para desenvolver uma linguagem que permite pensar espacialmente o contexto urbano e observar as relações humanas no universo criado e desenhado, salientando sua dimensão de meio comunicativo. Além de vivenciar e conhecer os bairros, o intuito do trabalho foi explorar a noção de pertencimento do lugar. A experiência in loco dos bairros e a conversa espontânea com alguns moradores – que serviram de referência para os protagonistas criados – proporcionaram ao enredo a possibilidade de refletir sobre a diferença do ser (de um lugar) e do estar (em um lugar) na mais populosa e diversa metrópole brasileira.
Indivisível é o título da história em quadrinhos elaborada por Marília Marz como Trabalho de Conclusão na Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O trabalho tem como objetivo identificar e analisar as possibilidades narrativas intrínsecas a elementos arquitetônicos e urbanísticos do bairro da Liberdade, em São Paulo, em dois períodos históricos distintos.
Durante os anos de faculdade, Tristán propôs amenizar a extensa carga horária do curso de arquitetura criando sátiras de alunos, professores e da rotina da graduação, chegando, de algum modo, à criação do protagonista dos quadrinhos mostrados a seguir: um estudante mediano no curso de arquitetura.
Motivado para desfazer a visão fechada em relação aos dogmas acadêmicos e as complexidades de ser um estudante de arquitetura, seu pensamento crítico se manifestou com humor no campo das histórias em quadrinho.
Desenvolvida como parte do programa de Pesquisa Experimental da Escola da Cidade e orientada por Alexandre Benoit, o trabalho parte de pressupostos teóricos como os do filósofo alemão Walter Benjamin e de Charles Baudelaire, escritor francês, além de referências importantes como o filme "Terra em transe" de Glauber Rocha, buscando ferramentas de compreensão do espaço através do desenho. Em “Aventuras de Claudinho: Do lirismo ao caos”, o estudante Guilherme Paschoal cria uma narrativa onde o fictício pesquisador Claudinho vive uma aventura na Ilha de São Berlis. A história em quadrinhos pode ser lida neste link.
Tristán Comics resolveu comunicar através da linguagem dos quadrinhos algumas situações recorrentes nas viagens de férias de estudantes ou arquitetos. Veja se você já passou por alguma dessas situações, a seguir.
Em nossa coluna Comic Break, trazida até nossos leitores através de uma parceria com a Architexts, abordamos desta vez o tema da gestão e liderança de projetos e como, eventualmente, os funcionários de um escritório podem ficar sobrecarregados quando as tarefas não são bem distribuídas - isto é, precisamente quando a gestão dos projetos se mostra deficiente.
A sala de aula e o escritório são os dois principais ambientes onde se aprende sobre arquitetura; e em cada um deles se espera que o estudante tenha preenchido no outro algumas lacunas do conhecimento. Talvez as escolas não devessem enfatizar os "detalhes técnicos" e, em vez disso, focar em como projetar; ou talvez o contato com o conhecimento técnico seja, de fato, uma grande preparação para o primeiro emprego após a conclusão dos estudos. Independentemente de sua posição no debate, sempre haverá discordâncias entre a sala de aula e o escritório.
Em nossa coluna Comic Break, trazida até nossos leitores através de uma parceria com a Architexts, abordamos desta vez a questão dos orçamentos absurdos dedicados a algumas obras de arquitetura o redor do mundo. Sempre através do humor, o quadrinho usa como exemplo o World Trade Center Oculus em Nova Iorque, projetado pelo arquiteto Santiago Calatrava.