Os materiais de construção mais primitivos do mundo estão sendo usados para criar os edifícios mais avançados. À luz das crises ambientais, os arquitetos estão concentrando seus esforços em projetar ambientes melhores para as pessoas e o planeta. Os resultados podem muitas vezes parecer “greenwashing”, deixando de abordar a raiz do dano ecológico. A arquitetura ambientalmente responsável deve ter como objetivo não reverter os efeitos da crise ecológica, mas instigar uma revolução nos edifícios e na forma como os habitamos. Ensaios do livro The Art of Earth Architecture: Past, Present, Future preveem uma mudança que será um salto filosófico, moral, tecnológico e político para um futuro de resiliência ambiental.
Frauen Werk Stadt. Image by Dieter Henkel under license CC BY-NC-SA 4.0.
Oito equipes lideradas exclusivamente por mulheres foram convocadas para participar de um concurso de projetos urbanos que remodelaria a capital austríaca em 1993. Organizado pela urbanista e engenheira de formação Eva Kail, o edital restringia a participação dos homens na competição, um posicionamento justificado com base em dados que indicavam que nos últimos anos todos os projetos urbanos, seja por meio de competições ou não, haviam sido liderados por pessoas do sexo masculino.
https://www.archdaily.com.br/br/990510/urbanismo-sob-perspectiva-de-genero-eva-kail-e-o-concurso-de-projetos-para-vienaBárbara Ghisleni e Camilla Ghisleni
As Grandes Guerras do início do século XX trouxeram uma parcela de transformações sociais, dentre elas a introdução das mulheres no mercado de trabalho. Décadas mais tarde, as dinâmicas de trabalho são outras, mas o mercado continua reforçando a divisão de trabalho por gênero e explorando a tripla jornada. Há, no entanto, brechas para possíveis transformações.
A conexão entre o interior e exterior é uma das qualidades mais desejadas nos projetos de arquitetura. Tal característica surge em diversos memoriais e as maneiras como ela é alcançada são as mais distintas. Pode ser realizada em lugares inusitados como os banheiros ou as cozinhas, mas certamente é em espaços de estar e encontro que elas ganham maior magnitude.
Thimel y su proyecto para Rio de Janeiro. Image Cortesía de Ricardo Rocha
Esquecido pela historiografia canônica, Hartmut Thimel trabalhou com Georges Candilis, Yona Friedman e mais tarde com Oscar Niemeyer. Seu trabalho é uma ponte entre o Brasil dos anos 70, e a abordagem da vanguarda internacional, passando pelo Team X, metabolismo, urbanismo espacial, prospectiva, entre outros.
Muitos estão movendo para a energia solar atualmente. Nos Estados Unidos, a geração líquida de energia solar aumentou mais de 113.000 milhões de horas na última década. A integração solar com projetos residenciais economiza dinheiro dos proprietários em contas de energia e aumenta o valor da propriedade ao longo do tempo. À medida que a tecnologia de integração solar avança, as vantagens vão além de financeiras e ambientais; painéis solares também assumem um papel estético na arquitetura moderna.
A integração solar está se tornando uma expectativa entre os novos compradores de residências. Arquitetos devem se adaptar de acordo para aumentar a disponibilidade de integração fotovoltaica nos desenvolvimentos residenciais. No entanto, com planejamento e execução cuidadosos, os painéis solares podem ser melhor incorporados durante as fases de projeto e construção. Este artigo descreve como os construtores de casas podem atender às demandas do consumidor por integração solar, criando uma via fácil de seguir para acomodar as tendências de design em mudança.
O design ativo e a redução de velocidade vêm transformando os municípios que adotam essa estratégia de planejamento urbano em espaços mais seguros e qualificados para as pessoas caminharem, pedalarem, praticarem esportes ao ar livre e se divertirem.
Ao projetar uma infraestrutura que incentiva os moradores de todas as idades a terem uma rotina mais saudável, mudando a forma como se deslocam e aproveitam os ambientes públicos, as cidades ativas impactam positivamente na saúde física e mental da população, aumentam a atratividade desses lugares e sua vitalidade econômica e diminuem a poluição ambiental e sonora.
https://www.archdaily.com.br/br/990541/zonas-de-baixa-velocidade-tornam-a-cidade-mais-ativa-e-seguraSomos Cidade
Nos últimos meses, a internet tem sido inundada por vídeos da nova maravilha futurista do Oriente Médio: Neom, ou The Line, uma cidade planejada pelo governo da Arábia Saudita para fazer inveja aos vizinhos de Dubai e Abu Dhabi. Como escreve Henry Grabar, a cidade é uma coleção de clichês como “smart city”, “carbono zero” e “cidade de 15 minutos”. Em um mundo onde imagens viralizam mais rápido do que se pode construir cidades, esses conceitos são uma poderosa ferramenta de marketing. Mas, até o momento, não foi oferecida nenhuma explicação de como eles serão aplicados na prática.
A cena é quase idêntica, não importa em que bairro de Nova York você esteja. Sacos de lixo e outros objetos grandes se amontoam em calçadas estreitas, esperando sua vez de serem levados pelos trabalhadores e caminhões de lixo. Grandes roedores buscam abrigo em suas casas temporárias de plástico, alimentando-se de restos descartados, sendo comum serem avistados pelos moradores da cidade de Nova York. A cidade que nunca dorme tem um problema maior do que as luzes piscando e as ruas barulhentas: é todo esse lixo que fica nas calçadas.
De smartphones a foguetes espaciais e carros autônomos, o poder da tecnologia nesta era digital moderna é enorme (e praticamente ilimitado). Isso impactou todos os aspectos de nossas vidas e continuará a abrir possibilidades que hoje não podemos nem vislumbrar. Quando aplicada de maneira social e ambientalmente responsável, a tecnologia tem o poder de melhorar a produtividade, a comunicação e a sustentabilidade, permitindo que as comunidades globais funcionem com eficiência, atendendo às necessidades cotidianas das pessoas e melhorando sua qualidade de vida. Simplificando, a boa tecnologia serve para a humanidade. E, assim como as indústrias de saúde ou manufatura aproveitaram isso, o mundo da arquitetura, design e construção não pode ficar para trás.
Mutirão feminino para a construção da casa das mães do Derick. Via vimeo. Domínio Público
A arquitetura e os espaços que nos permeiam, assim como a arte, a moda, a alimentação, e tantos outros aspectos que amparam a construção física e social de uma sociedade, desempenham um papel essencial na manutenção dos valores morais e culturais ali estabelecidos. Dentre os espaços construídos, talvez tenha sido a moradia quem exerceu o principal papel na produção e reprodução de relações de poder dentro e fora do âmbito privado.
Sob uma perspectiva de gênero e sexualidade, é no ambiente doméstico que percebemos de forma mais explícita o uso da arquitetura como vetor moral, auxiliando na construção de papéis específicos para as figuras feminina e masculina, e para a compreensão da família nuclear como base da sociedade ocidental.
Os parquinhos infantis, conhecidos também como playgrounds, são espaços com equipamentos dedicados ao lazer das crianças, onde elas podem desenvolver diferentes habilidades motoras e sociais. Esses espaços, porém, são novos em nossas culturas e cidades e surgem a partir do reconhecimento da infância enquanto etapa fundamental do desenvolvimento humano.
Inundação do rio Indo, no Paquistão. As inundações intensas no Paquistão foram apenas um de muitos eventos climáticos extremos que afetaram comunidades ao redor do mundo em 2022. Foto: Asianet-Pakistan/Shutterstock
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas deste ano, a COP27, acontece em um cenário de diferentes crises globais.
Os efeitos múltiplos desencadeados pela Covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia fizeram os preços da energia alcançarem recordes de alta. Ao mesmo tempo, desastres climáticos sem precedentes causam abalos devastadores e generalizados. Níveis históricos de chuvas, calor, secas, incêndios e tempestades vêm atingindo praticamente todas as partes do mundo.
https://www.archdaily.com.br/br/991318/6-prioridades-globais-para-a-cop27Nathan Cogswell, David Waskow, Rebecca Carter, Jamal Srouji, Nate Warszawski, Preety Bhandari, Nisha Krishnan e Maria Lemos Gonzalez
Equipamentos comunitários são espaços destinados à interação social, onde pessoas buscam lazer e informação. Sejam centros culturais ou comunitários, esse tipo de equipamento tem como principal objetivo reunir as pessoas, criando oportunidades de interação em um ambiente coletivo de cuidado e vizinhança.
Mais de 13 milhões de brasileiros são pessoas com deficiência física, os dados apontados pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 6% da população possui algum tipo de comprometimento de mobilidade e da coordenação geral devido a alterações completas ou parciais de um ou mais segmentos do corpo humano. Projetar ambientes mais inclusivos é uma forma de eliminar barreiras arquitetônicas para incluir toda essa parcela populacional em atividades sociais e culturais. No mês em que se celebra o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física, buscamos combater preconceitos e trazer alternativas de desenho universal como uma ferramenta de mudança para os profissionais de Arquitetura e Urbanismo.
https://www.archdaily.com.br/br/990346/dia-da-pessoa-com-deficiencia-fisica-por-espacos-mais-inclusivos-e-acessiveisArchDaily Team
NASA Sustainability Base / William McDonough + Partners and AECOM. Courtesy of William McDonough + Partners
O termo “cradle to cradle” foi cunhado pelo arquiteto estadunidense William McDonough e pelo engenheiro químico alemão Michael Braungart em seu livro-manifesto Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things, lançado em 2002. Trata-se de uma teoria que não é meramente arquitetônica, mas se aplica em qualquer produto, promovendo uma abordagem biológica à fabricação na qual os componentes são considerados nutrientes em um “metabolismo saudável”.
Uma janela normalmente é definida como uma abertura exterior que proporciona iluminação e ventilação para o interior de um edifício. Essa conexão com o contexto, junto de uma luz mais apropriada, a torna fundamental na casa, sendo possível aprimorar o seu desenho para que diferentes usos aconteçam ao seu redor. Por isso, compilamos aqui algumas dicas de como aproveitar o peitoril para brindar novas funções no espaço.
Existem deficiências significativas na forma como as cidades em todo o mundo operam e atendem as pessoas que vivem nelas. Burocracias e outros processos limitantes que direcionam publicamente nossas cidades ao futuro são muitas vezes o que fazem com que as mudanças aconteçam em um ritmo tão lento que, quando uma questão é abordada, mais cinco surgem em seu lugar. Com o tempo, a sociedade passou a aceitar que quando os sistemas que temos em vigor não fazem muito para atender às nossas necessidades, isso nos força a recorrer a alternativas de mudança. Algumas questões urbanas encontraram as melhores soluções após o início dos movimentos sociais e a formação de grupos de base.