Não gosto da arquitetura nova Porque a arquitetura nova não faz casas velhas Não gosto das casas novas Porque casas novas não têm fantasmas E, quando digo fantasmas, não quero dizer essas Assombrações vulgares Que andam por aí… É não-sei-quê de mais sutil Nessas velhas, velhas casas, Como, em nós, a presença invisível da alma… Tu nem sabes A pena que me dão as crianças de hoje! Vivem desencantadas como uns órfãos: As suas casas não têm porões nem sótãos, São umas pobres casas sem mistério. Como pode nelas vir morar o sonho? O sonho é sempre um hóspede clandestino e é preciso (Como bem sabíamos) Ocultá-lo das outras pessoas da casa, É preciso ocultá-lo dos confessores, Dos professores, Até dos Profetas (Os Profetas estão sempre profetizando outras coisas…) E as casas novas não têm ao menos aqueles longos, Intermináveis corredores Que a Lua vinha às vezes assombrar!
Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las e que essas perdições, agora, são o que é meu. Sei que perdi o amarelo e o negro e penso nessas impossíveis cores como não pensam os que veem.
Meu pai morreu e está sempre ao meu lado. Quando quero escandir versos de Swinburne, o faço, me dizem, com sua voz. Só o que morreu é nosso, só é nosso o que perdemos.
Ílion foi, porém Ílion perdura no hexâmetro que a plange. Israel foi quando era uma antiga nostalgia. Todo poema, com o tempo, é uma elegia.
Nossas são as mulheres que nos deixaram, já não sujeitos à véspera, que é soçobra, e aos alarmes e terrores da esperança.