
A relação da arquitetura com os mais diversos suportes de representação, reprodução e publicização não é uma novidade. Desenhos, plantas e fotografias veiculados em livros, revistas e jornais, historicamente, fizeram parte e acompanharam, de algum modo, a trajetória da profissão. Na última década, com a popularização das redes sociais, sobretudo aquelas que têm na imagem o seu principal foco de comunicação, essas plataformas passaram a ser usufruídas de muitas maneiras pelos arquitetos e incorporadas de diversas formas em suas práticas profissionais. Mas, se por um lado elas podem ser capazes de produzir e popularizar uma série de conteúdos e alcançar diversos públicos, por outro lado, na era do engajamento, a arquitetura pode se tornar refém de sua própria representação?
A arquiteta e historiadora Beatriz Colomina, em Privacy and Publicity: Modern Architecture as Mass Media, defende a existência de um conexão fundamental entre a arquitetura moderna e os meios de comunicação em massa, argumentando que a modernidade arquitetônica estaria essencialmente ligada a essa associação, sobretudo a partir do uso de novas tecnologias que surgiram no período. Livros, jornais, revistas, filmes, exposições e propagandas foram responsáveis por criar e divulgar uma infinidade de imagens, notadamente fotográficas, de edificações de tipologias variadas construídas à época, constituindo-se como elementos fundamentais para a sua popularização e disseminação. Estava lançada, de certa forma, um novo tipo de comunicação para a profissão, e a partir daí, a arquitetura caminhou junto à publicidade e outros meios que surgiram e que possibilitaram sua circulação.


