
Programas e séries televisivas sobre reformas são sedutoras. Sentimentos uma ansiedade em ver aquele lar remodelado de uma forma inimaginável, proporcionando uma reconexão da família com o novo espaço. As lágrimas no final, o apresentador-arquiteto-empreiteiro satisfeito com o resultado, os pisos intactos de madeira, eletrodomésticos brilhantes, banheiras novas prontas para serem estreadas. Não é à toa que esses programas estão ganhando cada mais público e, consequentemente, inspirando muitas transformações nas casas alheias.
Mas, se por um lado, eles fomentam a vontade de mudança nos espectadores, mostrando as infinitas possibilidades ao transformar e melhorar um espaço, por outro, eles podem reproduzir conceitos equivocados sobre a arquitetura, principalmente em relação ao processo de concepção e execução.
A forma como o projeto e a obra se desenvolvem nos programas de reforma faz parecer que se trata de um processo linear, ágil e objetivo. Entretanto, a realidade não é bem assim. Quem está inserido no meio sabe que cada projeto retratado em 40 minutos na vida real leva em média 6 meses para ser finalizado. Ou seja, antes da primeira marretada na parede, muita coisa já aconteceu. Foram inúmeras reuniões entre arquiteto e cliente para a definição do projeto, pesquisas sobre legislação, critérios legais de aprovação de projeto, busca por mão-de-obra qualificada, análise dos materiais disponíveis, etc. E cada uma dessas etapas pode resultar na criação de outras condicionantes que afetam a concepção do projeto, gerando muitas vezes revisões e modificações de desenho.




