Arquitetura do leste europeu: edifícios residenciais icônicos

Arquitetura do leste europeu: edifícios residenciais icônicos

Este artigo faz parte da série colaborativa “Arquitetura do Leste Europeu: 50 Edifícios que Definiram uma Era”, desenvolvida em parceria entre o The Calvert Journal e o ArchDaily. Celebrando alguns dos principais ícones da arquitetura do leste europeu, publicaremos periodicamente uma lista com cinco projetos construídos no então Bloco de Leste.

Narkomfin / Moisei Ginzburg e Ignaty Milinis

Narkomfin Building 2 Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons
Narkomfin Building 2 Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons

Moscou, Rússia
1932

Narkomfin é um dos edifícios mais afamados e controversos construídos na Rússia. Implantado junto principal anel viário da cidade de Moscou, este complexo residencial “utópico” talvez seja o maior símbolo da tentativa construtivista em estabelecer uma sociedade mais justa e igualitária através da arquitetura. Inaugurado em 1932, o Narkomfin foi cuidadosamente detalhado e executado para se tornar um padrão de referência para os futuros projetos de habitação social no país.

Narkomfin Building Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons
Narkomfin Building Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons

Logo após a conclusão das obras, entretanto, os ideais emancipatórios que inspiraram o projeto do edifício passaram a ser vistos pelo regime de Stalin como “esquerdistas” ou “trotskistas”, e assim, o Narkomfin passou por um longo período de abandono e negligencia. Mas, apesar de todo desinteresse e indiferença por parte das autoridades locais, essa jóia da arquitetura foi adotada e acolhida por uma comunidade heterogênea de moradores engajados na luta pela preservação deste ícone da arquitetura de vanguarda do início do século XX.

Narkomfin Building 3 Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons
Narkomfin Building 3 Ludvig14. ©CC license via Wikimedia Commons

Como resultado disso, através de uma iniciativa coletiva patrocinada pelo governo federal, o Narkomfin foi restaurado em 2017. O projeto de reforma, cuidadosamente desenvolvido por Alexey Ginzburg — neto do arquiteto do projeto Moisei Ginzburg —, transformou o decadente edifício e um dos mais cobiçados endereços residenciais da capital.

Romanița / Oleg Vronsky, A. Marian, O. Blogu, S. Krani, N. Rebenko e P. Feldman

Romanita Building. ©Image Arseniy Kotov
Romanita Building. ©Image Arseniy Kotov

Chișinău, Moldávia
1986

Apelidado carinhosamente de “a margarida” pelos seus moradores, o edifício não se parece necessariamente com uma flor. Assumindo a forma de um cilindro de concreto, a torre de apartamentos Romanița é talvez um dos mais emblemáticos projetos residenciais deste período, ocupando um lugar de destaque no skyline da capital da Moldávia. De onde veio a inspiração para o projeto ainda é tema de debate e discussão entre a comunidade de arquitetos: alguns afirmam que a margarida foi concebida para ser um resort para funcionários do alto escalão do governo comunista; outros acreditam que a estrutura foi concebida para ser um hotel. Especula-se ainda que um restaurante giratório deveria ter sido instalado na cobertura deste que é o mais icônico edifício de Chisinau. Fato é que o Romanița, com seus 23 pavimentos, abriu suas portas de forma oficial em 1986 como um edifício residencial, principalmente para suprir a carência por moradia daquele período.

Romanita Moldova. ©Jussi Toivanen under a CC license
Romanita Moldova. ©Jussi Toivanen under a CC license

Arquitetonicamente falando, o a estrutura do edifício é um feito da engenharia: são 16 pavimentos dedicados com 8 unidades residenciais em cada um deles, as quais se organizam ao redor de um único núcleo central rígido iluminado naturalmente desde cima. Esta solução permite que cada unidade tenha acesso independente a uma varanda privativa, resultando em vistas 360º para o horizonte da capital. Apesar de decadente, o Romanița segue de pé e as unidades residenciais – antes de propriedade do estado – atualmente pertencem a seus moradores.

Edifícios Residenciais Obolon / Budilovsky M., Kolomiets V., Katsin V., Morozov V., Ivanov I. e Ladnyi V.

One of the Obolon Buildings. ©Image from Ukrainian National Archive via cultureru.com
One of the Obolon Buildings. ©Image from Ukrainian National Archive via cultureru.com

Kiev, Ucrânia
1981/1990

Construídos com quase dez anos de diferença, as duas torres gêmeas de Obolon, em Kiev, estão sem dúvida entre os mais icônicos edifícios residências construídos no país. Chamados carinhosamente de “romashky” ou “kukuruzy” — literalmente “camomilas” ou “espigas de milho” —, os edifícios residenciais Obolon são um marco da arquitetura moderna do leste europeu.

One of the Obolon Buildings. ©Ukrainian National Archive via past.kiev.ua
One of the Obolon Buildings. ©Ukrainian National Archive via past.kiev.ua

A estrutura de concreto das torres foi executada com um sistema de cofragem autotrepante, uma solução que dispensa a utilização de guindastes e reaproveita as mesmas fôrmas resultando em menor desperdício. Cada um dos pavimentos encontra-se vinculado a uma estrutura massiva de concreto que parece flutuar sobre uma série de pilotis no térreo. Até o início dos anos 1990, as torres de Obolon eram consideradas o endereço mais luxuoso da capital ucraniana.

Obolon Towers Kyiv. ©Image from Google Maps
Obolon Towers Kyiv. ©Image from Google Maps

Distrito Ploiesti-Nord / Daniel Guj

Bucareste, Romênia
1971

O distrito Ploesti-Nord de Bucareste, Romênia, é um microcosmo modernista, um bairro com mais de 10.000 unidades residenciais, dois complexos comerciais, uma escola, uma fábrica e uma série de parques e áreas verdes. Inaugurada em 1971 nos arredores de Bucareste como uma espécie de cidade satélite, o distrito de Ploesti-Nord foi concebido como uma cidade modernista com quadras que intercalam blocos habitacionais e áreas verdes.

Aclamado como um grande feito da arquitetura e do urbanismo moderno no país, os moradores do distrito de Ploiesti-Nord tiveram pouco tempo para celebrar. Menos de uma década depois de sua inauguração, todo o complexo assim como boa parte da região central do país foi sacudida por um forte terremoto que deixou um rastro de destruição causando enormes danos e perdas para seus moradores. O edifício do Complexo de Artesãos, por outro lado, foi recentemente restaurado e trazido de volta a seu estado original.

Edifício Residencial Gosstroy / Alexander Belokon e V. Sulimova

Baku, Azerbaijão
1975

Implantado em pleno centro da capital do Azerbaijão, Baku, o Edifício Gosstroy se destaca de seu entorno por sua altura e formas pouco usuais. Construído em 1975 em um período que viria a ser conhecido como o “Modernismo de Baku”, o Gosstroy foi projetado e construído por um dos mais brilhantes arquitetos da época: Alexander Belokon.

Com formas ousadas e originais, a arquitetura do edifício se assemelha a um acordeão aberto. Infelizmente, como a grande maioria das estruturas modernistas construídas no Azerbaijão durante o período de dominação soviética, o edifício encontra-se em muito mal estado e completamente negligenciado pelas autoridades locais.

Traduzido por Vinicius Libardoni.

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Sobre este autor
Cita: Lucía de la Torre. "Arquitetura do leste europeu: edifícios residenciais icônicos" 28 Ago 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/945269/arquitetura-do-leste-europeu-edificios-residenciais-iconicos> ISSN 0719-8906

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