Paisagens críticas e educadoras: a obra de Mathur & Da Cunha

Paisagens críticas e educadoras: a obra de Mathur & Da Cunha

Qual a sua ideia de paisagem? Arquitetura da Paisagem – tradução literal do inglês “Landscape Architecture” – é um campo de conhecimento adjacente à arquitetura e ao urbanismo que muitos relutam em traduzir para o português como Paisagismo, mas que não abrange as complexidades da arquitetura da paisagem. Suspeitamos que a razão por trás do desconforto com a tradução pode ser entendida como o resultado de uma tradição arquitetônica comum no Brasil de entender a paisagem como um ente puramente projetado e estático.

Estuário, projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020Analisando os processos da paisagem da costa. Projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020Representação em corte de corpos d’água, trechos do projeto: Mississippi Floods: designing a shifting landscape. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020Paisagem emergente e a desigualdade de acesso a infraestrutura em uma comunidade na Ilha de Fiji. Colagem por Erich Wolff, 2019+ 13

Ambos temos lembranças remotas de experiências únicas com a paisagem, como a primeira visita a uma obra original de Burle Marx como a Praça dos Cristais, em Brasília, ou mesmo pisotear os calçadões do Rio de Janeiro, que nos revelaram a importância da paisagem para o arquiteto. Mais recentemente, como pesquisadores (Caio como pesquisador colaborador do Critical Landscapes Design Lab/Harvard, coordenado pelo Professor Gareth Doherty; Erich como pesquisador visitante no Instituto de Pesquisas Urbanas da Universidade da Pensilvânia - Upenn), tivemos a oportunidade de entender mais profundamente as nuances da paisagem, alem de seu potencial ecológico e educativo. As paisagens são professoras.

 Jardim de Burle Marx, Praça dos Cristais. Foto por Silvio Wolff, 2017
Jardim de Burle Marx, Praça dos Cristais. Foto por Silvio Wolff, 2017

No último ano, tivemos a oportunidade de ter contato direto com os Professores Dilip da Cunha e Anuradha Mathur em inúmeras ocasiões (Caio acompanhou a disciplina “The idea of environment” ministrada pelo professor Dilip da Cunha, na Graduate School of Design de Harvard e Erich teve longas conversas com a professora Anuradha em seu período na Upenn). Por meio de aulas dialógicas, esquemas didáticos e projetos inspiradores, a obra de Mathur e Da Cunha são reveladores quanto à importância da paisagem na vida das pessoas, e o seu impacto no ambiente urbano.

Dilip da Cunha e Anuradha Mathur são fundadores do escritório Mathur & Da Cunha e trabalham juntos entre as paisagens da Índia e dos Estados Unidos, tendo influenciado diversos arquitetos paisagistas nas universidades por onde passaram incluindo as universidades de Columbia, Upenn e Harvard. Suas obras são amplamente reconhecidas pela sua contribuição única ao paisagismo contemporâneo. Ambos são frequentemente convidados para apresentar seus trabalhos e suas ideias tanto em eventos acadêmicos quanto em fóruns técnicos e profissionais internacionais. Mais recentemente, receberam o Prêmio 2017 Pew Fellowship Grant. Juntos também são autores e editores de diversos livros. Entre os mais memoráveis podemos listar: Mississippi Floods: Designing a Shifting Landscape (2001), Deccan Traverses: the Making of Bangalore’s Terrain (2006), Soak: Mumbai in an Estuary (2009), co-editores de Design in the Terrain of Water (2014), e The Invention of Rivers: Alexander’s Eye and Ganga’s Descent (2019).

Colagem das publicações memoráveis de Dilip e Anuradha, Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Colagem das publicações memoráveis de Dilip e Anuradha, Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Dilip da Cunha é arquiteto e urbanista, mestre pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e PhD pela Universidade da Califórnia UC Berkeley. É professor da Universidade de Columbia e da Universidade de Harvard, Estados Unidos. Sua parceira, Anuradha Mathur, é arquiteta e paisagista pela escola de arquitetura de Ahmedabad, Índia. É professora do Departamento de Paisagismo da Universidade da Pensilvânia, também nos Estados Unidos. Como prova do seu reconhecimento, em Maio de 2017, eles apresentaram no seminário GIDEST (Graduate Institute for Design, Ethnography, & Social Thought). E neste ano, em novembro, eles irão apresentar uma palestra de abertura no Encontro Internacional de Arquitetos da Paisagem, que ocorrerá em Bangkok.

O trabalho de ambos é inseparável, nas palavras do professor Gareth Doherty (Coordenador do Programa de Mestrado em Arquitetura da Paisagem na Universidade de Harvard). Caracterizado por uma capacidade única de interpretar e pensar a paisagem através do espaço e tempo, o trabalho da dupla tem influenciado profundamente o campo do paisagismo contemporâneo. Os projetos do escritório Mathur & Da Cunha, assim como seus diversos textos publicados, são reconhecidos como precursores do paisagismo contemporâneo dada a sua habilidade não só de incorporar diversos campos do conhecimento científico (como engenharia, arquitetura, geografia, antropologia e ecologia) como também de entender a paisagem por meio de pontos de vista emergentes (Waldheim, 2002).

As obras de Mathur e da Cunha são essenciais para entender a paisagem em tempos de mudança climática e social. Seus projetos demonstram uma alternativa para os atuais modelos insustentáveis de urbanização e construção da paisagem com que nos habituamos.

Recentemente, lançaram uma criativa plataforma transdisciplinar chamada Ocean of Wetness (Oceano de umidade, em tradução livre), que apontam caminhos colaborativos para arquitetos paisagistas. Seu trabalho registra a prática em projetos críticos e uma iniciativa pedagógica. Em particular, o trabalho da dupla ganha ainda mais relevância quando confrontado com a atual realidade dinâmica da paisagem. 

Eles desenvolveram juntos ateliês de projeto que fundem as dimensões arquitetônica, urbanística, e paisagística em diferentes cidades do mundo como Mumbai, Jerusalém, San Diego, New York, Oklahoma, Western Ghats da Índia, Sundarbans, Coastal Virginia, e, mais recentemente na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Fruto da diversidade cultural com a qual tiveram contato e de suas vivências internacionais, seus textos expõem, uma aguçada percepção da paisagem, inspirada por fontes que variam de dados históricos a relatos pessoais. Desse modo, o trabalho de Mathur e Da Cunha deve ser valorizado por sua habilidade de intervir na paisagem respeitando as interpretações provenientes de experiências precursoras, ouvindo as comunidades nativas, como indígenas ou emergentes, como os refugiados.

A dupla foi capaz de, simultaneamente, transmitir experiências pessoais, posicionamentos políticos e conceitos a partir de um partido paisagístico justificado com maestria. Isso foi feito em textos agora considerados clássicos do paisagismo, como Soil that New York rejects/recollects (Mathur e Da Cunha, 1998).

Como ilustração do seu trabalho, podemos destacar três principais obras, que expõem os três principais elementos de seus projetos: solo, poeira e água. Esses projetos foram publicados pela Architectural League of New York em 2001 como exemplos de sensibilidade ambiental e excelência em design. 

O primeiro projeto é chamado: “SOIL THAT NEW YORK REJECTS/RECOLLECTS GOVERNORS ISLAND, NY, USA”, que registra, por meio da linha d’água, a gradação com que o solo da cidade de Nova York foi tratado ao longo do tempo. Todos os projetos podem ser acessados completamente no site oficial do escritório.

Trechos do projeto: Soil that new York rejects / recollects, Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Trechos do projeto: Soil that new York rejects / recollects, Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

O segundo projeto é dedicado à poeira, agora urbana. Intitulado “FROM PLAINS DUST TO URBAN DUST, OKLAHOMA CITY, OK, USA”, onde o bombardeio do edifício federal Murrah em 19 de abril de 1995 registra a paisagem de tragédia.

Trechos do projeto: From plains dust to urban dust Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Trechos do projeto: From plains dust to urban dust Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

E o terceiro projeto é “NAVIGATING PUBLICS GREENPORT WATERFRONT, LONG ISLAND, NY, USA”. Este projeto traça um parque com múltiplos lugares, horizontes e espacialidades. A área valoriza as diferentes frentes d’água: maré, atmosférica, solo, virtual e canalizada. Para os autores, “cada um também é um ponto de partida de descoberta e invenção para residentes e visitantes” (Mathur & Da Cunha, 2020). 

Trechos do projeto: Navigants publics greenport waterfront. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Trechos do projeto: Navigants publics greenport waterfront. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Em um século marcado pela intensificação dos fenômenos da mudança climática, urbanização sem precedentes e graves crises políticas, sociais e sanitárias, o trabalho projetual e teórico de Dilip e Anuradha revelam novas possibilidades para a prática do Paisagismo.

Ao longo de suas carreiras, desde os primeiros textos (Mathur, 1999) até os mais recentes projetos (Mathur, 2016), as obras da dupla propõem uma visão da paisagem que desafia os modelos formalistas tradicionais e exploram os limites da prática de interpretar e produzir o espaço. Pode-se afirmar que suas ideias influenciam as práticas paisagísticas de diversos profissionais de diversas partes do globo. 

Com caráter didático, o trabalho desenvolvido por Mathur e Da Cunha transfere à paisagem um conceito diverso que pode ser organizado em cinco pilares conceituais: senso comunitário, interdisciplinaridade, representação, decolonização e multiculturalidade.

Paisagem com senso comunitário

Pesquisam perspectivas distintas sobre a paisagem. Eles oferecem uma compreensão profunda da arquitetura da paisagem por meio de visões disciplinares formalistas e dinâmicas. Discutem a paisagem como forma, fenômenos naturais e ecossistema, mas também como um ambiente social. A paisagem para eles é inerente a uma perspectiva cultural baseada na visão de uma determinada sociedade. Paisagem é ambiente comum.

Modelo de representação do projeto “Anchoring terrain”, Philadelphia, PA, USA. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Modelo de representação do projeto “Anchoring terrain”, Philadelphia, PA, USA. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Paisagem como método interdisciplinar

Buscam uma articulação de um entendimento da paisagem entre geografia, arquitetura, ecologia e antropologia. A compreensão combinada dessas abordagens disciplinares fornece uma ampla base teórica e metodológica para a representação e intervenção sobre a paisagem. Especificamente, Dilip foi autor do livro “The invention of Rivers” onde problematiza o conceito da água, que cada vez mais se torna uma questão sensível para todo o planeta.

Múltiplas ciências na representação do projeto: Deccan traverses. The making of bangalore’s terrain. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Múltiplas ciências na representação do projeto: Deccan traverses. The making of bangalore’s terrain. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Paisagem através da representação

Utilizam o desenho e métodos experiementais de representação para traduzir suas ideias e comunicar melhor sua visão de paisagem. Eles ensinam visões estratégicas a seus alunos e defendem o papel estratégico da comunicação na prática do paisagismo – por meio de mapas, diagramas e gráficos dinâmicos – defendem a diversidade de métodos como ferramenta para representar a paisagem de uma maneira abrangente. Usam a prática de representação para mostrar dados científicos, unindo design gráfico e ciência, estratégia que no inglês é conhecida como D-Science.

Representação em corte de corpos d’água, trechos do projeto: Mississippi Floods: designing a shifting landscape. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Representação em corte de corpos d’água, trechos do projeto: Mississippi Floods: designing a shifting landscape. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Paisagem como processo decolonizador

Apresentam uma visão fortalecedora e emancipadora da paisagem. Em sua prática pedagógica, Dilip sempre promove um debate multicultural, e consegue reconhecer as origens teóricas e as diferentes bagagens dos seus estudantes. A dupla defende que as paisagens culturais podem e devem coexistir com o ambiente construído e, para isso, promovem a revisão do conceito de desenvolvimento. Em seus muitos projetos é claro o posicionamento da dupla contra intervenções determinísticas sobre paisagens culturais já estabelecidas. Sua visão é multicultural e anti-colonialista.

Analisando os processos da paisagem da costa. Projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Analisando os processos da paisagem da costa. Projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Paisagem como uma experiência multicultural

Aliam a vasta experiência internacional e uma perspectiva local para compreender e ensinar o processo da arquitetura da paisagem. O escritório Mathur & da Cunha traz referências multiculturais em seus projetos, sejam eles locais ou globais. A formação nos Estados Unidos combinada com a bagagem cultural da Índia influenciaram no desenvolvimento de uma visão global e sensível para os países em desenvolvimento como os da América latina, África e Ásia.

Botanical Garden, Madurai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Botanical Garden, Madurai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Anuradha e Dilip, juntos, representam uma parceria inovadora em uma era de paisagens instáveis e transitórias. Seu trabalho é, paradoxalmente, global e local. A obra produzida por Dilip da Cunha e Anuradha Mathur é única em sua habilidade de inspirar a prática do paisagismo de modo crítico e criativo justamente por promoverem um modelo que trata menos de formas e mais de processos dinâmicos. Suas obras nos convidam a perceber as múltiplas camadas de significado do espaço ao nosso redor e promovem a paisagem de mero pano de fundo a agente transformador. Tratam paisagens críticas como paisagens educadoras, e é a partir delas que o processo de projeto paisagístico acontece, como um projeto urbanístico inerente ao lugar, sem esquecer da sua origem. A paisagem de Anuradha e Dilip é totius ambitus, representando todo um ambiente como uma visão pluralista. A dupla combina design, ciência, social e educação.

Estuário, projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020
Estuário, projeto SOAK, Mumbai, Índia. Fonte: Adaptado de Mathur & Da Cunha, 2020

Os trabalhos da dupla nos mostram que paisagens são sistemas que, quando entendidos através de diferentes pontos de vista e fenômenos, nos permitem enxergar múltiplas respostas para a pergunta com que começamos esse artigo. Qual é a sua ideia de paisagem?

Para além das formas e cores, uma visão crítica da paisagem nos mostra que nossos espaços contêm processos, ideologias e significados escondidos entre os traços de ocupacao temporários e permanentes. A paisagem, se entendida como uma fonte de conhecimento crítico, é capaz de nos revelar os processos históricos – sejam políticos, culturais, sociais ou naturais – que nos moldaram. A paisagem fala e nos permite entender e intervir em processos que por vezes são conflitantes e injustos. As paisagens críticas são as melhores professoras.

Paisagem emergente e a desigualdade de acesso a infraestrutura em uma comunidade na Ilha de Fiji. Colagem por Erich Wolff, 2019
Paisagem emergente e a desigualdade de acesso a infraestrutura em uma comunidade na Ilha de Fiji. Colagem por Erich Wolff, 2019

O escopo diverso e a profundidade das contribuições da Anuradha e Dilip não se restringem apenas aos métodos e a significância global dos projetos, mas devem ser entendidos também como precursores de uma prática profissional da paisagem que se posiciona contra modelos insustentáveis, colonialistas e socialmente injustos. Seu legado nos convida a pensar a paisagem como uma fusão do mundo natural com o mundo projetado e assim nos presenteia com ferramentas para entender um planeta em plena transformação. Cabe a nós, agora, criar oportunidades para reimaginar a paisagem por meio de práticas profissionais cada vez mais mais resilientes, politizadas, ecológicas e justas.

Referências bibliográficas
C. Waldheim, ‘Book review: Mississippi Floods: Designing A Shifting Landscape by Anuradha Mathur and Dilip da Cunha.’, Landsc. J., vol. 21, no. 1, pp. 220–223, 2002, DOI: 10.3368/lj.21.1.220.
A. Mathur and D. Da Cunha, ‘Waters Everywhere’, in Design in the Terrain of Water, A. Mathur and D. da Cunha, Eds. Applied Research+ Design Publishing, 2014.
A. Mathur and D. Da Cunha, ‘Soil That New York Rejected and Re-collects’, Landsc. J., vol. 17, pp. 31–34, 1998.
A. Mathur, ‘Intensive Landscapes’, in Metropolis nonformal, C. Werthmann and J. Bridger, Eds. Applied Research and Design Publishing, 2015
A. Mathur, ‘Neither Wildersness nor Home: the Indian Maidan’, in Recovering landscape: essays in contemporary landscape architecture, J. Corner, Ed. New York: Princeton Architectural Press, 1999.
A. Mathur and D. da Cunha, ‘Aqueous Terrain’, J. Archit. Educ., vol. 70, no. 1, pp. 35–37, Jan. 2016, DOI: 10.1080/10464883.2016.1128262

Caio Frederico e Silva é arquiteto, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), professor visitante na Universidade de Harvard (2019-2020), onde é pesquisador colaborador do Critical Landscapes Design Lab ligado à Graduate School of Design (GSD/Harvard) com bolsa Pós-doc pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).
Erich Wolff é doutorando em arquitetura pela Monash University (Melbourne/Austrália), onde pesquisa sobre enchentes e suas consequências para comunidades vulneráveis às mudanças climáticas na Indonésia e na ilha de Fiji. Atualmente leciona no curso de arquitetura da Monash University e no mestrado em Paisagismo do Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT).

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Sobre este autor
Cita: Caio Frederico e Silva e Erich Wolff. "Paisagens críticas e educadoras: a obra de Mathur & Da Cunha" 24 Jul 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/943943/paisagens-criticas-e-educadoras-a-obra-de-mathur-and-da-cunha> ISSN 0719-8906

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