
"O que é mais difícil em arquitetura é construir um edifício no deserto. É terrível, não há referências", comentou uma vez Álvaro Siza. Embora pareça contraditório, a existência de condicionantes complexas em um contexto de projeto costuma ser o ponto de partida para o raciocínio de desenho em arquitetura. Pensar em como lidar com a presença de declividades intensas, preexistências significativas ou massas vegetais endêmicas pode parecer, a princípio, um impedimento para o livre fluxo criativo, mas em muitos casos é justamente esse confrontamento que torna os projetos únicos e estabelece o vínculo deles com os lugares onde estão implantados.
Em ocasião do Dia Mundial de Combate à Desertificação e Seca – data firmada em 1995 pela Organização das Nações Unidas para instigar a comoção pública para a pauta do combate contra um futuro ambientalmente catastrófico – fizemos uma seleção de projetos que encaram o desafio de se estabelecer no deserto e exemplificam as possibilidades de usar a arquitetura enquanto forma de operar entre as forças inevitáveis da natureza e o desejo de construção cultural.












