
Uma criança desesperada grita, em plena Praça Dom José Gaspar no Centro de São Paulo, para que não machuquem sua mãe. Chora ao vê-la ser retirada à força por agentes da Prefeitura de cima do carrinho em que vendia frutas todos os dias aos frequentadores da praça. Sua mãe também chora e tenta explicar aos agentes que aquelas frutas e aquele carrinho eram tudo que ela possui para tentar sustentar a filha. Todos assistem à cena comovidos e tentam argumentar com os funcionários da Subprefeitura, mas continuam recolhendo os produtos, afinal “ordens são ordens”.
Mas qual a “ordem” que regula os espaços públicos?
A cena retratada acima de fato aconteceu. Não apenas nesta situação específica que pude testemunhar em uma manhã de sexta-feira, mas ela acontece todos os dias, repetidamente, ao redor do mundo, violentando milhares de trabalhadores da economia informal. Além disso, também atividades culturais e mobilizações políticas são cotidianamente reprimidas e criminalizadas enquanto formas de existência e apropriação do espaço público em nome da mesma “ordem”.
