Racionalidade de modulação e repetição no projeto habitacional: Edifícios Guarapirá e Hicatu

Racionalidade de modulação e repetição no projeto habitacional: Edifícios Guarapirá e Hicatu

Imaginado como um grande empreendimento residencial numa área de expansão da cidade de São Paulo, o Conjunto Residencial Jardim Ana Rosa iniciou seu projeto de loteamento em 1950, na região da Vila Mariana, em frente ao Largo Ana Rosa. O empreendimento, realizado pelo Banco Hipotecário Lar Brasileiro contava com a participação de vários arquitetos proeminentes em São Paulo no momento, como Abelardo de Souza, Plínio Croce, Roberto Aflalo e Salvador Cândia. Em sua versão inicial, o projeto previa alguns edifícios lindeiros à Av. Vergueiro e a maior parte da área destinada a residências unifamiliares.

REGINO, A.; PERRONE, R. 2016. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
REGINO, A.; PERRONE, R. 2016. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea

Um ano mais tarde, esse desenho muda radicalmente com a alteração proposta por Eduardo Kneese de Mello em 1951. Partindo de princípios explicitamente modernos, o arquiteto propõe que toda a quadra triangular, central no conjunto, dê lugar à 5 lâminas e um pequeno bloco de exceção. A proposta parte do entendimento da situação do terreno e a solução adotada é aquela que cria a melhor condição de iluminação e circulação.

Implantação planejada. Mapa base: VASP. (1954). Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
Implantação planejada. Mapa base: VASP. (1954). Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea

As lâminas são orientadas no sentido leste-oeste para maximizar a iluminação natural. A opção por apartamentos duplex, artifício já utilizado no Edifício Japurá, dá margem à economia de circulação: o projeto aproveita o desnível de 11m entre as duas ruas para criar três acessos para o edifício, dois pela rua superior (Dr. José de Queiroz Aranha) e um pela rua inferior (Alceu Wamosy). Esses três acessos levam à 3 corredores que servem a todos os apartamentos, eliminando a necessidade de elevadores e de escadas. Há um pavimento de acesso, social, e a partir de uma escada localizada na sala, se sobe ou desce para o pavimento íntimo.

Edifício Guapira e Hicatu. Plantas.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
Edifício Guapira e Hicatu. Plantas.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
Edifícios Guapira e Hicatu. Cortes.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
Edifícios Guapira e Hicatu. Cortes.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea

As unidades partem de um princípio racional de modulação e repetição, que permeia todo o projeto. As unidades de exceção, com menor área, se encontram nas pontas das lâminas para acomodar os edifícios ao formato irregular da quadra. O espelhamento das plantas e a demarcação de sua modulação são utilizados na composição das fachadas, assim como as esquadrias padronizadas. A área no térreo entre os edifícios é pensada como uma grande área ajardinada e livre. O telhado em forma de asa de borboleta e o uso de elementos vazados aproxima o edifício dos outros do conjunto e o insere num léxico da arquitetura moderna paulista.

Planta Tipo - Edifício Guapira e Hicatu. Unidade habitacional. Tipo A – três dormitórios, duplex. E Edifício Hicatu. Unidade habitacional. Tipo B – dois dormitórios, duplex.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea
Planta Tipo - Edifício Guapira e Hicatu. Unidade habitacional. Tipo A – três dormitórios, duplex. E Edifício Hicatu. Unidade habitacional. Tipo B – dois dormitórios, duplex.. Image Cortesia de PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea

Apesar de apenas as duas lâminas mais a oeste terem sido construídas, a proposta de Kneese marca uma experiência de organização da cidade, realizada dentro do âmbito da produção privada de habitação em São Paulo, que foge do limite do lote e se desprende da rua.

 

Data do projeto: 1952
Data da conclusão: 1953
Arquiteto: Eduardo Kneese de Mello
Área construída: 8.101,44 m²

Texto: Marta Vieira Bogéa e Rafael Letizio Sedeño Pinto | FAUUSP
​Pesquisadores responsáveis: Prof. Leandro Medrano | FAUUSP, Prof. Luiz Recamán | FAUUSP, Profa. Helena Ayoub | FAUUSP, Profa. Marta Bogéa | FAUUSP
Pesquisadores: Cássia Bartsch Nagle, Katrin Rappl
Pesquisadora responsável por este número: Profa. Marta Bogéa
Bolsista responsável por este número: Rafael Letizio Sedeño Pinto

Acesse o material completo no link abaixo.

CHC_PT | fauusppc3

Os Cadernos de Habitação Coletiva decorrem de um acordo de cooperação entre pesquisadores da FAUUSP com ETSAM-UPM, que resultou na elaboração de uma versão brasileira dos "Cuadernos de Viviendas", originalmente desenvolvido pelo . Esse acordo visa a sistematização de informações sobre as habitações coletivas, que ficarão disponíveis para pesquisadores, órgãos públicos, profissionais e interessados.

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Sobre este autor
Cita: PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea. "Racionalidade de modulação e repetição no projeto habitacional: Edifícios Guarapirá e Hicatu" 29 Ago 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/922512/cadernos-de-habitacao-coletiva-edificios-guapira-e-hicatu> ISSN 0719-8906

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