Instalações de gás: Conceitos básicos para arquitetura

Instalações de gás: Conceitos básicos para arquitetura

É quase impossível imaginar nossas vidas sem o gás, apesar de raramente pensarmos nele (a não ser quando ele acaba durante o preparo de um bolo ou quando sentimos aquele cheiro que deixa todos preocupados). A conveniência de acender o fogão, aquecer a água para o banho ou deixar a casa quente no inverno é algo que já foi incorporado em grande parte dos cotidianos. No entanto, como toda energia, instalações com baixo desempenho ou manutenção deficiente podem causar vazamentos e incidentes, com o risco de afetar os ocupantes do espaço. Apesar da onipresença e da grande responsabilidade envolvida, quando falamos sobre o assunto, arquitetos tendem a relegar o trabalho para consultores e especialistas. Mas alguns cuidados podem ser tomados para que não haja surpresas desagradáveis no detalhamento do projeto ou durante a obra. 

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Casa Rathmines / MRTN Architects. Image © Tatjana Plitt

O primeiro passo para um projeto é definir os pontos de utilização e a demanda de gás que cada unidade terá. Com base nisso, são dimensionados tubulações, tanques de armazenamento, reguladores de pressão, ventilações, entre outros aspectos técnicos e exigências. Com instalações apropriadamente dimensionadas, o risco de vazamentos que gerariam perda de gás e vazamentos perigoso são diminuídos. Além disso, um projeto bem feito reflete em menor necessidade de manutenção, que também geraria custos de reforma.

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Cortesia de Gasco

Mas, antes de tudo, é interessante entender os vários tipos de gás existentes:

Tipos de Gases 

Gás de Cidade

Gás de hulha ou gás de carvão, conhecido popularmente por gás de cidade ou gás de rua, é um combustível gasoso manufaturado, obtido geralmente da redução do carvão de carvão em coque. Tem um baixo poder calorífico e requer grandes fábricas para obtê-lo. Atualmente seu uso é muito raro.

Gás Natural

O gás natural é uma mistura de derivados de combustíveis fósseis, formado de depósitos naturais (como animais soterrados ao longo de milhares de anos, ou da biomassa em decomposição. Uma grande vantagem é que o gás natural não precisa de manufatura e pode ser transportado através de gasodutos por longas distâncias.

GLP

GLP é a sigla utilizada para representar o gás liquefeito de petróleo. O GLP é o famoso gás de cozinha, gás de botijão, vendido por distribuidoras, e trata-se de uma mistura gasosa composta por hidrocarbonetos de massa molar baixa. Ele é incolor e naturalmente inodoro. O odor que sentimos em caso de vazamento é um composto à base de enxofre para que seja possível identificar o perigo. 

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Residência Sunshine Canyon / Renée del Gaudio. Image © David Lauer

A utilização em cômodos e sistemas:

Cozinhas

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(1) Botijão de gás / (2) Regulador de Pressão / (3) Registro / (4) Mangueira Flexível. Image © ArchDaily

Normalmente os fogões e cooktops saem de fábrica preparados para funcionar com gás GLP, aqueles que vêm em botijões, ainda comuns em muitas cozinhas. Quando a edificação possui fornecimento de gás natural (GN), é necessário realizar a conversão do aparelho, pois cada tipo de gás tem uma pressão diferente. O funcionamento de produzir a chama para cozinhar os alimentos não é tão complexo. Uma fagulha de fogo, que pode ser um fósforo aceso ou uma faísca elétrica, inicia a combustão, para que o aumento de temperatura crie uma reação química entre as substâncias combustível (o gás) e o comburente (o oxigênio). 

Banheiros 

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(1) Registro / (2) Medidor / (3) Chaminé / (4) Aquecedor de Água / (5) Entrada para fogão. Image © ArchDaily

Em geral, os aquecedores a gás funcionam de maneira semelhante a um fogão, incluindo um queimador, mas nesse caso, cercado por uma serpentina onde circula a água a ser aquecida. Conforme a água passa ela é gradualmente aquecida por esse calor enquanto caminha pela serpentina. Os aquecedores a gás possuem acionamento automático quando é detectado quando algum registro de água quente é aberto. A água então percorre os encanamentos em volta do queimador onde é aquecida, depois sendo conduzida para os pontos de água quente como duchas e torneiras.

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Cortesia de Gasco
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Casa Paulo Barreto / Ateliê de Arquitetura. Image © Denilson Machado - MCA Estúdio

Sistemas de aquecimento 

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© Marynchenko Oleksandr

Semelhante a um aquecedor de água para banhos, os sistemas de aquecimento a gás funcionam através do aquecimento da água que se desloca através de encanamentos pela casa. Uma bomba elétrica dentro da caldeira (ou muito perto dela) mantém a água fluindo ao redor do circuito de tubulações e radiadores. Na caldeira, ao ser acionada, o gás entra em uma câmara de combustão selada na caldeira por meio de vários jatos pequenos, e um sistema de ignição elétrica os coloca em chamas. Os jatos de gás tocam em um trocador de calor conectado a um tubo que transporta água fria. Passa por cada radiador de água quente e volta para a caldeira novamente. À medida que a água flui através dos radiadores, ela libera parte de seu calor e aquece os quartos. No momento em que ele volta para a caldeira novamente, ele está mais frio. É por isso que a caldeira tem que continuar a disparar: para manter a água a uma temperatura suficientemente alta para aquecer a sua casa. 

Tipos de tubos e mangueiras

Tubo de aço galvanizado

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© Pi-Lens

É uma boa opção tanto em preço quanto em durabilidade e são resistentes, mesmo a choques. Fitas de teflon devem ser usadas em todas as conexões para evitar vazamentos.

Tubo de cobre

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© nikkytok

É uma opção que dura muito tempo, resistente e conveniente. Por conta das juntas soldadas, devem ser instalados por um encanador especializado em gás. Geralmente usados em ambientes fechados ou nas seções finais que se conectam aos equipamentos. Devem ser protegidos para evitar danos causados por pancadas.

Mangueira metálica flexível

Feitos de cobre ou de aço inoxidável, e com conexões (terminais) de aço inoxidável, latão ou liga de alumínio, são utilizados no último trecho, entre a parede e o fogão, por exemplo. Como resistem a altas temperaturas, devem ser utilizadas quando a mangueira passa por trás do forno do fogão, quando as peças de plástico não podem ser utilizadas.  

Tubo PEX

Instalação fácil e rápida por ser flexível, permitindo curvas e requerendo menos conexões. Possui pouca perda de carga.

Recomendações gerais

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Reforma interior piso LB / Alventosa Morell Arquitectes. Image © Adrià Goula

Um bom dimensionamento da tubulação de gás evita vazamentos e reduz a necessidade de manutenção no futuro. É sempre muito importante seguir as normativas da região. Por exemplo, em que locais ou cômodos da edificação uma tubulação de gás pode passar ou não ou o distanciamento dos encanamentos em relação a outras redes, como lógica, elétrica e hidráulica. A ventilação adequada dos ambientes que receberão aparelhos de gás é um importante aspecto, que deve ser previsto e verificado de forma a ver se a instalação é segura ou não. Apesar de ser imprescindível o conhecimento de noções básicas de projeto, sempre há a necessidade de um projeto de instalação de gás realizado por profissionais capacitados, seguindo as normas previstas e sendo aprovado pelos órgãos legisladores. O que para algumas pessoas pode parecer um gasto desnecessário momentaneamente, representa na maioria das vezes uma grande economia e bem-estar a longo prazo, principalmente no que tange a manter a si mesmo e as pessoas ao seu redor em segurança e conforto.  

Referências

Sobre este autor
Cita: Eduardo Souza. "Instalações de gás: Conceitos básicos para arquitetura" 13 Mar 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/922048/instalacoes-de-gas-conceitos-basicos-para-arquitetura> ISSN 0719-8906

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