As cidades no fim do mundo

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Caminhar por São Paulo sem ver carros e caminhões me deixa com uma felicidade quase real, imaginando por um instante que a cidade deu certo, que o sonho de Jane Jacobs se realizou. E, com sincronia, um outro sentimento estético aflora inevitavelmente, uma sensação de “fim do mundo”. Este segundo impulso, se materializa num pensamento construtivo que não tem nada a ver com o fatalismo moral ou ainda menos a tragédia. Simplesmente é o fim de um mundo no qual a revolução industrial junto ao capitalismo liberal nos “educou” por dois séculos a aceitar. Este foi o mundo dos “recursos” naturais infinitos, do sonho da fartura energética e desejos de consumo voraz. Sonhos que nem eram nossos.

Cada crise é uma grande oportunidade de reflexão, questionamento e redefinição de paradigmas. A “greve dos caminhoneiros” por sua vez oferece lições fundamentais sobre a vulnerabilidade das nossas cidades e, numa escala maior, sobre a obsolescência dos sistemas construídos sobre paradigmas mecânicos e antropocêntricos.

O Brasil é o país que tem a maior concentração rodoviária de transporte de cargas e passageiros entre as principais economias mundiais e de acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), hoje, 90% dos passageiros e 60% da carga que se deslocam pelo país são movimentados em rodovias.

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Sobre este autor
Cita: Marko Brajovic. "As cidades no fim do mundo" 28 Mai 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/895300/as-cidades-no-fim-do-mundo> ISSN 0719-8906

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