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Como Londres propõe uma cidade inclusiva e oportuna a todos

Como Londres propõe uma cidade inclusiva e oportuna a todos
Como Londres propõe uma cidade inclusiva e oportuna a todos, Plano trata da questão global da habitação na cidade, não se focando apenas na questão social. Foto: David Holt/Flickr-CC. Image via TheCityFix Brasil
Plano trata da questão global da habitação na cidade, não se focando apenas na questão social. Foto: David Holt/Flickr-CC. Image via TheCityFix Brasil

Assim como ocorre no Brasil, as autoridades locais britânicas também são obrigadas a publicar e revisar seus planos diretores com certa frequência. Por isso, Londres, sob o comando do prefeito trabalhista Sadiq Khan, disponibilizou recentemente para consulta pública o esboço da nova versão do London Plan.

A base inicial do plano é o desenvolvimento sustentável (promoção social, ambiental e econômica), seguida de: princípios de equidade de oportunidades aos londrinos; redução da desigualdade de renda; avaliação dos impactos das mudanças climáticas; incentivo ao uso do Rio Tâmisa para transporte de pessoas e cargas; e dos recursos disponíveis para implementação do plano.

Muito mais que um plano diretor, o New London Plan demonstra estratégias conexas e co-dependentes, baseadas em uma série de estudos, simulações e pesquisas. Antes de propor soluções para a cidade, uma série de resultados e análises foram conduzidas a fim de entender a real situação da cidade e os desafios enfrentados diariamente por seus habitantes. Ao propor com uma certa gama de detalhes propostas relacionadas à mobilidade, meio ambiente, desenvolvimento econômico, habitação, cultura, poder econômico e combate à desigualdade, Londres demonstra o poder do planejamento urbano na geração de qualidade de vida e renda.

Por exemplo, no capítulo dedicado especificamente ao Design (desenho), o Plano deixa claro que novos empreendimentos deverão atender uma série de requisitos de desenho urbano e arquitetônico, tais como: prover fachadas ativas bem conectadas com a rua; encorajar e facilitar o deslocamento de pessoas através de modos ativos; colaborar para a mitigação dos impactos causados pela poluição sonora e do ar; responder ao contexto local ao entregar edifícios com escalas e aparência relativa ao seu entorno; projetar edifícios com alto grau de qualidade de detalhes arquitetônicos que considerem os usos diversificados e flexíveis; resiliência ao tempo, e segurança; e que, entre outros, maximizem as áreas verdes e a gestão eficiente das águas.

Primeira versão do Plano de Londres foi divulgada para análise da população. Cortesia de LondonPlan. Image via TheCityFix Brasil
Primeira versão do Plano de Londres foi divulgada para análise da população. Cortesia de LondonPlan. Image via TheCityFix Brasil

Regras sobre habitação

Adicionalmente, o Plano trata da questão global da habitação na cidade, não se focando apenas na questão social. O Plano dita regras gerais sobre a habitação em Londres, que deverão ser posteriormente detalhadas nos planos complementares das autoridades municipal e locais. Antes de detalhar tais regras, é importante lembrar que empreendimentos são obrigados a analisar as questões de acessibilidade espacial ao transporte público (PTALs, na sigla em inglês). Assim, o Plano determina que as autoridades distritais otimizem o potencial de novos empreendimentos residenciais – em Londres é incomum que seus habitantes construam suas próprias residências do zero. Os empreendimentos devem ter níveis de PTALs entre 3 e 6 (sendo 3 equivalente a moderado, e 6 excelente) ou ser localizados no máximo a 800m de uma estação de metrô, trem ou Town Centre (centralidade local de serviços), preferencialmente de uso misto e com baixa oferta de estacionamento e, no caso de nova oferta de infraestrutura de transporte sustentável, reavaliar a necessidade de novas habitações e espaços comerciais.

Outro fator importante no planejamento da cidade é a análise frequente realizada pelo Prefeito e pelas autoridades locais sobre a quantidade de habitações necessárias em cada região da cidade. Após a avaliação, cada distrito é limitado a conceder permissões baseadas no plano, não podendo emitir mais do que a demanda estimada e em áreas que não se julga necessário. Ou seja, o mercado regula o tipo e acabamento da habitação, porém, a demanda – em grau restrito – é controlada pela cidade. E, ainda, a exigência percentual de habitações financeiramente acessíveis é exigida em cada empreendimento. Todavia, a eficácia de tal política de oferta das tais affordable houses deve ser questionada.

Por fim, alinhada à Estratégia de Transporte (em fase de publicação), o New London Plan reafirma o papel do planejamento de transporte e trânsito em alcançar os objetivos macros do Plano. Ao reafirmar a importante integração entre uso do solo e transporte, o Plano objetiva reduzir a dependência dos carros e facilitar os deslocamentos através do transporte público, a pé e de bicicleta a todos londrinos. Foca ainda em assegurar Ruas Saudáveis (Health Streets) com baixo risco de acidentes de trânsito, ar limpo e arborização urbana.

Via TheCityFix Brasil

Cita: Luiz Fernando Hagemann. "Como Londres propõe uma cidade inclusiva e oportuna a todos" 31 Mar 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/891677/como-londres-propoe-uma-cidade-inclusiva-e-oportuna-a-todos> ISSN 0719-8906