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Clássicos da Arquitetura: Edifício Três Marias / Abelardo Riedy de Souza

Clássicos da Arquitetura: Edifício Três Marias / Abelardo Riedy de Souza
Clássicos da Arquitetura: Edifício Três Marias / Abelardo Riedy de Souza, © habitat
© habitat

Por Matheus Pereira Santos

Durante décadas, a região da Avenida Paulista teve caráter estritamente residencial e com proibição previamente estabelecida ao processo de verticalização. Apenas a partir da década de 1950, após investimentos financeiro e imobiliário, incentivado pela Prefeitura, iniciou-se o processo de adensamento populacional da região e os grandes casarões existentes passaram a ser substituídos por edifícios verticais, dando lugar aos primeiros prédios de caráter residencial neste eixo.

© Matheus Pereira
© Matheus Pereira

Diferentemente da cidade do Rio de Janeiro, que teve grande investimento e incentivo à construção de obras de caráter público e institucional moderno, pelo processo de planejamento urbano, a cidade de São Paulo, não obteve tal condicionante, e apenas na década de 1950, o Mercado imobiliário começou aplicar recursos financeiros na idealização de edifícios modernos de caráter residencial, incentivando arquitetos e urbanistas virem à capital paulista para implementar o repertório modernista na Cidade. Nesse processo, Abelardo veio a São Paulo, sendo um dos responsáveis pela união entre os princípios e características arquitetônicas modernas cariocas, de Lúcio Costa e modernas europeias, de Le Corbusier, reinterpretadas e implementadas de modo singular.

Cortesia de Arquivo.arq
Cortesia de Arquivo.arq

Nesse contexto, em área mais nobre da região, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo, no ano de 1952, o arquiteto realiza o projeto do edifício Três Marias, popularmente conhecido como “Rosa e Azul”, devido à aplicação de pastilhas com as cores na fachada. Contudo, aspecto peculiar é que este apresenta a ideia de dois blocos sobrepostos, visto que ao conceber o edifício com 18 pavimentos, em implantação com perímetro em “L”, o arquiteto rompe a ideia de estaticidade e continuidade, seccionando os doze primeiros pavimentos aos superiores, por uma faixa contínua de madeira. Isto é, os primeiros doze pavimentos, revestidos em pastilhas cor de rosa, com balcões locados na face da Avenida Paulista, são interrompidos pela faixa em madeira e estabelece a ideia de rotação do bloco, pelo fato de os seis últimos pavimentos, apresentarem outra cor de pastilha que reveste a fachada, em tom de azul, e os balcões que ora encontravam-se na fachada frontal, agora se estabelece na face lateral do edifício, virados à Rua Haddock Lobo. Então, apesar de implantação em “L”, ao observá-lo da rua, há a ideia de dois volumes sobrepostos torcidos, portanto, o fundo é resguardado, aproveitando-se de condicionantes climáticas, como os ventos e insolação.

Vale dizer que apesar de concreto, o edifício apresenta leveza visual e estética, justamente pela “brincadeira” e equilíbrio no jogo de cores e luz.

© Matheus Pereira
© Matheus Pereira

Outra importante característica, é que dentro do edifício, há três blocos de apartamentos (Maria Cristina, Maria Júlia e Maria Regina), e abriga noventa e cinco apartamentos com metragem quadrada maior, se comparado atualmente, á outros edifícios da Avenida, entre 140 e 270 metros quadrados.

Dos três blocos, um deles tem frente para a Avenida Paulista e os outros dois, tem frente para a Rua Haddock Lobo. No primeiro bloco, há dois apartamentos por pavimento, com elevadores independentes, a planta tipo 01, com 200 metros quadrados, é setorizada em área social (sala de estar), serviço (cozinha, área de serviço, dormitório e banheiro para empregada) e íntima (três dormitórios e dois banheiros), enquanto que na planta tipo 02, com 270 metros quadrados, a divisão ocorre em área social (sala de estar e escritório), serviço (cozinha, área de serviço, dois dormitórios para empregada) e íntima (três dormitórios e banheiro).

No segundo bloco, há a planta com 140 metros quadrados, porém, com apenas dois dormitórios. No terceiro bloco, assim como no primeiro, a planta tipo 01, possui 200 metros quadrados, setorizado em área social (sala de estar), serviço (cozinha, área de serviço, dormitório e banheiro para empregada) e íntima (três dormitórios e dois banheiros). O trabalho de Abelardo foi muito pautado pela sutileza do desenho nas diversas escalas, entre edifício, interiores e elementos construtivos. No caso do Edifício Três Marias, nota-se com clareza a sofisticação das materialidades e elementos que compõe o edifício, pois junto ao projeto, o apoio e investimento imobiliário foram de encontro a seus ideais e permitiu que materialidades como as pastilhas e elevadores, atendesse o que havia de mais moderno no Mercado, devido ao processo de fortalecimento da indústria construtiva no território nacional.

Planta Baixa - Pavimento Tipo. Image © Abelardo de Souza. Via CONSTANTINO
Planta Baixa - Pavimento Tipo. Image © Abelardo de Souza. Via CONSTANTINO

Ainda sobre a elegância na concepção do desenho, na parte traseira do edifício, que conta com estacionamento e área ampla livre, buscando estabelecer maior circulação das correntes de vento para que adentre os apartamentos junto à insolação, nestas duas faces, concentra-se a o setor de serviço de cada uma das células habitacionais e para resolver problemáticas da diferença de medida dos caixilhos, propõe uma segunda pele, cerâmica, através do emprego de cobogós, criando unidade gráfica.

© Matheus Pereira
© Matheus Pereira

Sobre a relação do edifício com a Cidade, a priori, no projeto original, havia a ideia de propor uso comercial no térreo, já revelando a intenção de uso híbrido ao prédio. Contanto, na construção, alteraram tal uso e construíram apartamentos, com jardins internos aos locados na fachada da rua lateral e jardins frontais aos locados na fachada frontal com projeto paisagístico de Miranda Magnoli e Rosa Kliass, que se estendia à área traseira do edifício. Na entrada, havia marquise, mas, no processo urbanístico da Avenida Paulista, houve retirada desta e o térreo voltou abrigar o uso comercial, como no projeto original. Nessas condicionantes, o que se percebe é quão inventivo, multifacetado e importante foi à contribuição de Abelardo de Souza a Arquitetura Paulistana e como o edifício em questão, traz diversas temáticas inovadoras implementadas a seu desenho e espacialidade.

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Sobre este escritório
Abelardo Riedy de Souza
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Cita: Matheus Pereira. "Clássicos da Arquitetura: Edifício Três Marias / Abelardo Riedy de Souza" 01 Set 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878895/classicos-da-arquitetura-edificio-tres-marias-abelardo-riedy-de-souza> ISSN 0719-8906