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Heinz Emigholz: o cineasta que todo arquiteto deveria conhecer

Heinz Emigholz: o cineasta que todo arquiteto deveria conhecer
Heinz Emigholz: o cineasta que todo arquiteto deveria conhecer, Heinz Emigholz e Till Beckmann na Casa do Povo, São Paulo, em outubro de 2016. Image © Romullo Baratto
Heinz Emigholz e Till Beckmann na Casa do Povo, São Paulo, em outubro de 2016. Image © Romullo Baratto

Quando se pensa em arquitetura no cinema alguns nomes conhecidos vêm logo à mente: Michelangelo Antonioni, Wim Wenders, Jacques Tati, Wes Anderson, entre diversos outros que lançam, através de seus filmes, um olhar sobre a arquitetura que é, sem dúvida, digna de atenção por parte dos arquitetos.

Entretanto, raros são os cineastas que dedicam suas obras exclusivamente à arquitetura, ao objeto construído, inserido em seu contexto - seja urbano, suburbano ou rural. Mesmo que se argumente que, em Playtime, Tati atribua à arquitetura uma importância que não se limita ao pano de fundo; e mesmo que em Metropolis de Fritz Lang a imagem da cidade distópica seja, talvez, a que mais perdure na memória de quem assistiu à película, a narrativa destes filmes não se limita à arquitetura (ou à cidade), mas envolve personagens, diálogos, trilha sonora e todas as tensões estabelecidas por esses elementos.

A obra do cineasta alemão Heinz Emigholz se destaca, nesse sentido, por dedicar-se exclusivamente à arquitetura. Com mais de uma dezena de filmes produzidos com essa temática, Emigholz tem dedicado parte de sua carreira como diretor e produtor de cinema a realizar filmes sobre obras arquitetônicas através de um olhar pouco comum e definitivamente distante do modo como arquitetos estão acostumados a registrar e a ver registros fotográficos e fílmicos de edifícios. 

Screenshot do filme Goff no deserto
Screenshot do filme Goff no deserto

Nascido em 1948 na cidade alemã de Achim, próximo de Bremen, Emigholz estudou desenho antes de migrar para a filosofia e literatura na Universidade de Hamburgo. Iniciou seus estudos em cinema em 1968 e desde 1973 trabalha como cineasta, artista, escritor e produtor na Alemanha e Estados Unidos. Em 1984 deu início ao projeto Fotografia e além [Photografie und jenseits], que abrange cinco séries de filmes, dentre as quais uma dedicada à obra de arquitetos e engenheiros modernos intitulada Arquitetura como autobiografia [Architektur als Autobiographie]. 

Screenshot do filme Perret na França e Argélia
Screenshot do filme Perret na França e Argélia

ARQUITETURA COMO AUTOBIOGRAFIA

“Minha câmera só pode mostrar o que realmente está lá para ser visto. Mas há muito mais para ser visto e conhecido do que algumas teorias gostariam de reconhecer." - Heinz Emigholz, 2008

Arquitetura como autobiografia é a mais extensa dentre as séries de filmes que fazem parte do projeto Fotografia e além. Iniciada em 1993, seu primeiro filme – o curta metragem intitulado Os bancos de Sullivan – foi lançado apenas no ano 2000.

Screenshot do filme Os bancos de Sullivan
Screenshot do filme Os bancos de Sullivan

Ao longo dos vinte e quatro anos desta série, seu eixo norteador consiste na ideia de que uma autobiografia pode ser construída, e não apenas escrita; isto é, a biografia de arquitetos e engenheiros civis é composta ao longo de suas vidas através da construção de suas obras. Para registrar isso, “Emigholz definiu um método de abordagem no qual as locações são exploradas a partir da perspectiva de seu olhar, delineando a sequência como um passeio por edifícios.”[1] As obras de cada arquiteto moderno são mostradas em ordem cronológica e são acompanhadas por algumas informações, como nome, localização, data de construção e data de filmagem.

A série é composta, até o momento, por sete filmes monográficos, dos quais cinco longas metragens e dois curtas metragens. São eles: o curta metragem Os bancos de Sullivan [Sullivans Banken] (2000), o curta metragem As pontes de Maillart [Maillarts Brücken] (2000), Goff no deserto [Goff in der Wüste] (2003), As casas de Schindler [Schindlers Häuser] (2007), Loos Ornamental [Loos Ornamental] (2008), Parabeton – Pier Luigi Nervi e o concreto romano [Parabeton – Pier Luigi Nervi und Römischer Beton] (2011) e Perret na França e Argélia [Perret in Frankreich und Algerien] (2012). 

Screenshot do filme As pontes de Maillart
Screenshot do filme As pontes de Maillart

Todas as sete obras são o produto do olhar de Emigholz sobre a “autobiografia” destes arquitetos “escolhidos por afinidade”[2], assim, embora o processo de filmagem seja o mesmo e persistam algumas escolhas em relação a enquadramentos e edição, os filmes carregam diferenças relacionadas ao momento (na trajetória profissional do cineasta) em que foram realizados e ao modo como Emigholz interpreta e reage a cada espaço que decide registrar com sua câmera.

Nestas produções, o olhar do cineasta passa por um conjunto de procedimentos técnicos que se repetem ao longo de toda a série e que servem como mediação entre a realidade e a tela, isto é, fazem a transposição da visão do cineasta para a linguagem cinematográfica. Entre estes procedimentos que caracterizam o estilo de Emigholz estão a ausência de movimentos de câmera, enquadramentos oblíquos, montagem simplificada que cria percursos, inexistência de personagens, uso de lentes que se aproximam da abertura focal do olho humano e ausência de trilha sonora.

Screenshot do filme Loos Ornamental
Screenshot do filme Loos Ornamental

Assista, a seguir, aos trailers dos filmes que compõem Arquitetura como autobiografia

Os bancos de Sullivan

As pontes de Maillart

Goff no deserto 

As casas de Schindler

Loos Ornamental 

Perret na França e Argélia

Para conhecer mais sobre o trabalho de Heinz Emigholz, acesse a página oficial do cineasta ou leia a pesquisa "O indizível no cinema de Heinz Emigholz", do mesmo autor deste artigo.

Referências
1. CUTLER, Aaron; SHELLARD, Mariana. De ator a observador: uma introdução à obra de Heinz Emigholz, parte do Catálogo da exposição Arquitetura como Autobiografia: Filmes de Heinz Emigholz. Centro Cultural São Paulo, São Paulo, 2015, p.6
2. Emigholz criou uma lista de arquitetos e engenheiros civis com os quais tinha alguma afinidade ou nutria curiosidade. Os nomes foram listados em 1993 e desde então os filmes vêm sendo realizados a partir daquela seleção. Fonte: Entrevista realizada pelo autor do texto com o cineasta em novembro de 2016. Não publicada.

Sobre este autor
Romullo Baratto
Autor
Cita: Romullo Baratto. "Heinz Emigholz: o cineasta que todo arquiteto deveria conhecer" 27 Ago 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878132/heinz-emigholz-o-cineasta-que-todo-arquiteto-deveria-conhecer> ISSN 0719-8906

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