
Poucos arquitetos, principalmente, estudantes de arquitetura, buscam grandes práticas profissionais com a ambição de enriquecerem seu repertório prático e intelectual, enquanto muitos almejam apenas rechear o seu currículo com nomes e logos; nos interessa apenas informar aos primeiros. Digo isso, não para excluir os últimos, mas porque, para eles, será mais difícil competir por uma vaga diante dos verdadeiramente determinados, genuinamente motivados. Pouco nos interessa também aqueles que trabalham num escritório e noutro ao sabor das oportunidades, mas aqueles que lapidam sua trajetória ancorando-se nos personagens que compartilham sua visão, independente de qual ela seja, que buscam em cada trabalho, acadêmico ou profissional, uma oportunidade de manifestação de sua concepção arquitetônica. Faço das palavras de um arquiteto sênior que retive na memória as minhas, e eis a razão.
Já devem ter observado os requisitos básicos para novos colaboradores do OMA: enorme talento projetual e gráfico, grande habilidade nos instrumentos e softwares de arquitetura, muita experiência profissional – sempre antecedido por um superlativo intimidador. De fato, não estão escarnecendo, querem os melhores colaboradores que as faculdades mentais permitirem – como toda boa prática deveria perseguir. Contudo, a estratégia não está em selecionar estes super-arquitetos ou super-estudantes, muitas vezes inexistentes, mas fazer a triagem somente daqueles que se sentirem confiantes na sua própria capacidade, com auto-estima capaz de ignorar qualquer deficiência que sua formação possa apresentar, e inscrever-se no programa convicto. A seleção por auto-estima, fica quase evidente sob o requisito Confiança para trabalhar em um ambiente complexo e internacional, à principio, uma capacidade que todos supõem possuir. A mesma auto-estima petulante, subliminarmente demandada no processo de seleção, será necessária na manutenção do programa ao ingressar.
