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Zaha Hadid: Uma homenagem de Patrik Schumacher

Zaha Hadid: Uma homenagem de Patrik Schumacher
Zaha Hadid: Uma homenagem de Patrik Schumacher, © José Tomás Franco
© José Tomás Franco

Foi em 1988, na Tate Gallery de Londres, durante a conferência de Deconstructivism realizada antes da exposição homônima do MoMA, que eu encontrei Zaha Hadid pessoalmente. Ela estava dando palestras entre seis co-expositores: Peter Eisenman, Rem Koolhaas, Frank Gehry, Wolf Prix, Bernard Tschumi e Daniel Libeskind. Eu havia encontrado seu trabalho alguns anos antes, quando era estudante de arquitetura (na Universidade de Stuttgart) e fiquei impressionado pelo grau de liberdade composicional, versatilidade e dinamismo em seu trabalho. Até então eu não tinha tido tanta certeza se a arquitetura era uma boa escolha de carreira para mim. Eu estava um pouco displicente e aborrecido com a arquitetura, mas, depois do meu encontro com o incrível trabalho de Zaha, a arquitetura inesperadamente se transformou em uma aventura. Os limites das possibilidades arquitetônicas haviam mudado. Trinta anos depois, a aventura continua. Zaha mudou nosso campo e mudou tudo para mim.

Na conferência de 1988, também fiquei impressionado com a genuína abertura de Zaha em comparação com o comportamento pretensioso dos outros protagonistas (homens!). Eles estavam mostrando o que haviam feito, enquanto ela mostrava o que estava tentando fazer. Esta foi a minha impressão. Estava claro para mim que esses arquitetos representavam a mais nova tendência significativa na arquitetura na época, e Zaha parecia a mais forte e a mais acessível desse grupo. Ela também era a mais nova deles. Naquela época eu era um estudante de intercâmbio estudando em Londres e esperava voltar a Stuttgart naquele ano para continuar meus estudos. Eu mudei meus planos e me juntei ao estúdio de Zaha. Quando fui contratado, éramos apenas quatro ou cinco pessoas trabalhando em um único ambiente: o estúdio 9 na Bowling Green Lane nº 10, onde ela havia instalado seu primeiro escritório três anos antes.

Ela havia contratado alguns de seus ex-alunos e o escritório iria aumentar temporariamente com ex-alunos que viriam nos ajudar perto das datas de entrega dos concursos. Naquela época, nosso trabalho consistia principalmente em concursos e exposições, embora também trabalhássemos no projeto IBA de Berlim e em dois pequenos projetos em Tóquio.

Zaha gerou uma expansão sem precedentes do repertório da disciplina, oferecendo novos graus de liberdade ao arquiteto. Como seus colaboradores, fomos rápidos em nos apropriar e participar dos movimentos audaciosos que ela recentemente tornara disponíveis. Zaha estava sempre nos dando muita liberdade criativa. O projeto era um processo coletivo e internamente competitivo de busca criativa no estúdio. Ela era feroz em sua demanda por novas formas de beleza e brutal em sua rejeição de nossas tentativas. Ela explorou um universo inexplorado de formas através de esboços muito abstratos que não tentavam abordar soluções de projeto, mas apenas descobrir novas expressões formais ou novos conceitos espaciais. Era nossa tarefa "traduzir" aquelas sugestões atmosféricas e conceituais abstratas em croquis de projeto mais concretos. Ela estava trabalhando com estruturas formais bidimensionais e estávamos trabalhando em composições tridimensionais inspiradas em suas explorações formais. Os movimentos de composição que poderíamos empregar nessa tentativa eram baseados em suas descobertas anteriores, que expandiram o repertório, proporcionando uma nova liberdade composicional.

Zaha Hadid and Patrik Schumacher in 2004. Image © Martin Url
Zaha Hadid and Patrik Schumacher in 2004. Image © Martin Url

O que ainda não compreendíamos na época - e duvido que Zaha ou qualquer outra pessoa tenha entendido completamente - foi o empoderamento performativo que essas novas opções e graus de liberdade nos ofereceram como ferramentas para solucionar problemas. Zaha expandiu o universo de possibilidades da arquitetura, ou seja, o espaço de busca dos arquitetos onde eles procuram soluções e onde soluções sem precedentes podem ser encontradas. Da perspectiva de um espaço de solução expandido, as restrições de espaços restritos anteriores parecem dogmas arbitrários.

Quais foram os principais movimentos expansionistas de Zaha? Claro que há o abandono do ângulo reto em troca de centenas de novos ângulos que poderiam ser utilizados. No entanto, essa era uma característica geral (e não única) daquilo que naquela época era chamado de "desconstrutivismo". Prefiro concentrar em três descobertas totalmente originais e empoderadoras que Zaha trouxe à nossa disciplina. Esses movimentos pareciam absolutamente surreais ou absurdos no início. Acho que é por isso que ninguém mais explorou eles.

Há, antes de tudo, o movimento de traduzir a dinâmica curvilínea do esboço caligráfico rápido literalmente em um desenho arquitetônico que era então lido como uma geometria pretendida a ser construída, ao contrário de tratar a curvatura de um esboço rápido como uma indicação acidental de uma forma geométrica ideal, que então deveria ser racionalizada em linhas retas e arcos. As linhas de Zaha exibem uma curvatura em constante mudança e, assim, oferecem mais versatilidade. Além disso, em função da mudança da força centrífuga da rápida aceleração e desaceleração da mão e da caneta, as curvas e as composições curvilíneas apresentam trajetórias dinâmicas que podemos reconhecer como figuras coerentes e legíveis, cada uma com seu próprio equilíbrio, dinamismo e grau de fluidez. Nasceu uma nova linguagem de arquitetura com muito mais versatilidade quando se trata de resolver problemas e com um repertório de organização e articulação muito mais rico, mais expressivo e mais comunicativo. O movimento surreal era redimido e instrumentalizado, tomando essas curvas esboçadas e definindo-as com o uso de uma ampla gama de "curvas francesas", para assim tratá-las como elementos com os quais a planta seria resolvida.

Houve um segundo movimento igualmente surreal, com uma fecundidade performativa igualmente surpreendente. Construímos espaços pictóricos dentro dos quais várias construções de perspectiva foram fundidas em uma textura dinâmica sem emendas. Uma maneira de entender essas imagens é como tentativas de imitar a experiência de se mover através de uma composição arquitetônica, revelando uma sucessão de diferentes pontos de vista. Outra maneira mais radical de ler essas telas é abstraí-las das visões implícitas e ler os enxames de formas distorcidas como um mundo arquitetônico peculiar próprio, com suas próprias formas características, leis de composição e efeitos espaciais. Uma das características marcantes dessas grandes telas é seu forte senso de coerência - apesar da riqueza e diversidade de formas contidas nelas. Nunca existe a ordem da repetição monótona; o campo muda continuamente seu grau de articulação. As transições de gradiente mediam entre grandes áreas tranquilas e zonas muito densas e intensas. Normalmente, estas composições são poli-centrais e multi-direcionais. Todas essas características são o resultado do uso de múltiplas projeções de perspectiva se interpenetrando. Muitas vezes a intensidade dinâmica do campo global é ampliada usando linhas de projeção curvas (em vez de retas). A geometria projetiva nos permitiu trazer um conjunto arbitrariamente grande e diverso de elementos sob sua lei coerente de diminuição e distorção. O espaço gráfico resultante antecipa muito bem os conceitos mais recentes - e ainda muito atuais - de campo e enxame. O efeito alcançado é muito parecido com os efeitos atualmente perseguidos com deformação de malha linear-curva e "campos gravitacionais" simulados digitalmente que aderem, alinham, orientam e, portanto, unem um conjunto de elementos ou partículas dentro do modelo digital. O terceiro movimento foi a introdução de gradientes no repertório da arquitetura.

Todos esses três movimentos se uniram na potente analogia da paisagem que Zaha tinha como inspiração orientadora. Em vez de dissecar e ordenar o espaço por paredes, a analogia da paisagem sugere um espaço continuamente fluido onde as zonas se sobrepõem umas às outras, onde as transições são suaves, onde uma suave superfície topográfica - ao invés de limites definidos - estrutura as relações espaciais.

Foi através desses movimentos e estratégias de projeto milagrosamente produtivos e persuasivos que Zaha Hadid conquistou e transformou seu campo, rendendo a ele uma nova magia.

Sobre este autor
Patrik Schumacher
Autor
Cita: Schumacher, Patrik. "Zaha Hadid: Uma homenagem de Patrik Schumacher" [The Miraculous Zaha Hadid: A Tribute by Patrik Schumacher] 31 Mar 2017. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/868251/zaha-hadid-uma-homenagem-de-patrik-schumacher> ISSN 0719-8906