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Clássicos da Arquitetura: Casa Valéria Cirell / Lina Bo Bardi

Clássicos da Arquitetura: Casa Valéria Cirell / Lina Bo Bardi
Clássicos da Arquitetura: Casa Valéria Cirell / Lina Bo Bardi, (2010). Image © Pedro Vannucchi
(2010). Image © Pedro Vannucchi

(2010). Image © Pedro Vannucchi Marcelo Ferraz (1993). Image Cortesia de Instituto Lina Bo e P.M. Bardi (2010). Image © Pedro Vannucchi (2010). Image © Pedro Vannucchi + 24

Por Marcelo Ferraz

O conjunto Cirell – casa e pavilhão – projetado por LBB em 1964 é um experimento arquitetônico purista, mascarado organicamente pelos vários materiais utilizados, incluindo aí a vegetação. Sim, a vegetação de bromélias, musgos e parasitas se funde com as argamassas de muitas pedras, conchas e nichos de terra. O purismo do projeto está justamente na geometria das formas, nas plantas e nos volumes dos dois corpos principais.

A casa de morar é um cubo cortado internamente em diagonal, a meio nível, por um mezanino, conformando o vazio de duplo pé direito da sala de estar. A casa de hóspedes/atelier, batizada por Lina de Torraccia, é um cilindro que se assenta numa cota um pouco mais baixa do terreno. Tanto a casa cúbica quanto o cilindro Torraccia recebem elementos – volumes secundários - que mascaram a leitura imediata das formas puras, como que “adocicando” a dureza geométrica. Na casa principal, são as varandas de telha de barro (originalmente de palha) que fazem uma espécie de “saia de bailarina de Degas” a meio volume do cubo, e o volume da cozinha aos fundos; no atelier/casa de hospedes Torraccia, é o cinturão de construções ao fundo, conectadas ao cilindro – pequenos quartos, banheiros e cozinha, além da varanda aberta “desconstruída” na fachada frontal. Uma imagem forte, como se o cilindro tivesse levado uma mordida perdendo um pedaço. Lina dizia que não sabia como terminar as paredes circulares para dar lugar à abertura da varanda até que se lembrou das ruínas dos monumentos da antiguidade que têm suas terminações tão justas e bem resolvidas.

(2010). Image © Pedro Vannucchi
(2010). Image © Pedro Vannucchi

Um forte diálogo –não guerra de perdedores ou vencedores- entre o natural e o humano estão por toda parte neste intrigante projeto, ora de contrastes, ora de amálgamas ou fusões. Sempre guiados pelas mãos do arquiteto, que brinca com as possibilidades de explorar a exuberância dos materiais a ponto de, em alguns momentos, nos sentirmos imersos na natureza. Mas não, estamos imersos em humanidade, na inteligência do domínio humano sobre o natural sem sua negação.

Marcelo Ferraz (1993). Image Cortesia de Instituto Lina Bo e P.M. Bardi
Marcelo Ferraz (1993). Image Cortesia de Instituto Lina Bo e P.M. Bardi
Croquis
Croquis

Juntamente com a Casa do Came-Chame na Bahia, a garagem e as muretas do jardim da Casa de Vidro, o projeto da Casa Cirell marca uma grande mudança na arquitetura de Lina. São projetos posteriores à viagem de Lina a Barcelona (1957) e a descoberta in loco da obra de Gaudi, seu fascínio por toda vida. Também importante é lembrar que neste período, Lina volta a se relacionar em rica correspondência com seu velho amigo Bruno Zevi, grande promotor e defensor da chamada “arquitetura orgânica” que tinha em Frank Loyd Wright o grande mestre.

(2010). Image © Pedro Vannucchi
(2010). Image © Pedro Vannucchi
Croquis
Croquis

Nos anos 1970, a casa sofre uma grande reforma, com ampliação do corpo anexo da cozinha para a criação de mais quartos, o que altera significativamente o projeto original de de Lina. Em 1997, é realizada uma outra reforma na Torraccia, pelo arquiteto André Vainer e por mim, que teve por objetivo sanar o “eterno” vazamento do telhado circular que não tinha inclinação suficiente para os tipos de telhas utilizadas. Já se somavam dois telhados sobrepostos, um de telhas de barro coberto por outro de telhas de fibrocimento, sem solução para o problema. Decidimos substituir estes telhados por uma laje de concreto feita sobre forma de tijolos e também revestida por tijolos com a mesma inclinação da cobertura original do projeto de Lina. Dessa forma, manteve-se a cor vermelha original do primeiro telhado de barro, agora transformado em um terraço inclinado, visitável, de onde se tem a melhor vista sobre o jardim.

(2010). Image © Pedro Vannucchi
(2010). Image © Pedro Vannucchi

O pequeno conjunto arquitetônico da rua Brigadeiro Trompowisky, com seus belos jardins, criados e cultivados por Maria Luiza Lacerda Soares ao longo de mais de vinte anos em que lá viveu, é uma joia que merece ser tombada como patrimônio histórico. Um exemplar original e único dessa fase da obra de Lina Bo Bardi.

(2010). Image © Pedro Vannucchi
(2010). Image © Pedro Vannucchi
Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Marcelo Ferraz. "Clássicos da Arquitetura: Casa Valéria Cirell / Lina Bo Bardi" 05 Dez 2016. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/800798/classicos-da-arquitetura-casa-valeria-cirell-lina-bo-bardi> ISSN 0719-8906