
Há duas importantes questões que dizem respeito à frágil condição atual do campo da Arquitetura. Com muita dificuldade, e reticência, é possível perceber um direcionamento coletivo, dentro da pluralidade individual que o contemporâneo sugere. Uma homogeneidade díspar que encontra semelhança, por exemplo, na dificuldade que a Política moderna tem na distinção prática de esquemas em vigor – como Esquerda e Direita. Ou seja, o cenário anterior dicotômico, mas exposto, substituído por um cenário novo, plural, e funcionalmente convergente.
Por décadas, a arquitetura serviu, sobretudo, como instrumento de manifesto político, e os próprios objetos arquitetônicos denunciaram em matéria construída os discursos substancialmente antagônicos de seus autores. Uma compilação de textos desaforados, com direito a réplicas e tréplicas em veículos das massas atestam a diligência da disciplina na metade do século passado. Mas falecidos seus artífices e esmaecidas suas Escolas, seus corpos têm deambulado catatônicos. O que resta hoje é um embrulho sem presente.
