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Opinião: Por que a transparência nos concursos de arquitetura é algo ruim

  • 15:00 - 7 Maio, 2015
  • por Federico Reyneri
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Opinião: Por que a transparência nos concursos de arquitetura é algo ruim
Opinião: Por que a transparência nos concursos de arquitetura é algo ruim, Sentido horário do canto superior esquerdo: Guggenheim Helsinki, participante GH-3355371286; Nine Elms Bridge entry number 66; and Bamiyan Cultural Center entry BCC3008. Imagem Cortesia de Malcolm Reading Consultants, Nine Elms Vauxhall Partnership e UNESCO
Sentido horário do canto superior esquerdo: Guggenheim Helsinki, participante GH-3355371286; Nine Elms Bridge entry number 66; and Bamiyan Cultural Center entry BCC3008. Imagem Cortesia de Malcolm Reading Consultants, Nine Elms Vauxhall Partnership e UNESCO

O que estes três projetos têm em comum? Eles nunca serão publicados em uma revista de arquitetura respeitável. Esta notícia não é nenhuma surpresa: apenas alguns projetos em todo o mundo merecem o direito de serem publicados. Os editores definem tendências, colocam o foco em temas especiais, dão visibilidade a escritórios emergentes e confirmam as estrelas estabelecidas na arquitetura.

A revista impressa tem espaço limitado e, portanto, envolve um processo muito rigoroso de tomada de decisão; apenas poucos são mostrados. Nesta seleção darwiniana, alguns arquitetos dignos e brilhantes perecem. Por outro lado, um site na internet tem a possibilidade de expandir o leque de projetos. A web tem espaço praticamente ilimitado - mas ainda assim, este espaço não deve ser desperdiçado. Muito poucos se beneficiariam de um site que publica todos os projetos de arquitetura do planeta.

Estes projetos não publicados não são impressionantes, nem interessantes; eles podem ser "regulares" ou ruins. Frank Gehry diz que "98% de tudo o que é construído e projetado hoje é uma merda." Eu não sei onde ele encontrou esses dados, mas basicamente concordo com a sua declaração. Então, você encontra os melhores projetos publicados em revistas e sites, já os piores, infelizmente, são encontrados simplesmente caminhando por qualquer cidade.

Se o mundo real é assim, pode-se imaginar que os concursos de arquitetura se espelham nesse padrão. Junto com os vencedores estão, muitas vezes, os finalistas e menções honrosas, geralmente todas propostas aceitáveis, apesar de seu fracasso. E onde está a "merda"? Escondida pela comissão. O que normalmente vemos é a ponta do iceberg, e, portanto, é fácil se convencer de que apenas os melhores arquitetos competem na arquitetura. Em outubro 2014, tudo mudou: fomos surpreendidos por milhares de propostas para o Guggenheim, em Helsinki, das quais uma grande porção são o que eu agora chamo de partes de Gehry.

See All 1,715 Entries to the Guggenheim Helsinki Competition Online

O concurso de Helsinki foi aberto a todos, ele não precisava de requisitos específicos, foi gratuito e envolveu uma marca de renome: a combinação perfeita para atrair qualquer arquiteto do planeta.

Combine isso com um software e um hardware de baixo custo e, a possibilidade de colaboração dada pela internet e pelas mídias sociais, e você tem o concurso mais popular da história da arquitetura. Os organizadores do concurso internacional para o Guggenheim Helsinki decidiram publicar todos os arquivos que receberam dos participantes.

Em um ataque súbito de transparência finlandesa, a organização deu à luz a um novo "efeito Helsinki": muita coisa, muito ruim, muito rápido. Quase ninguém (além do júri e de mim) teve tempo para ver todas as imagens: se levarmos um minuto para ler a descrição do projeto e um minuto para ver cada imagem, levaria 8 dias, 8 horas por dia, para vermos todas as propostas.

Em meio a esta confusão, várias revistas e críticos publicaram suas listas de projetos bons, divertidos e estranhos. Os projetos mais absurdos espalharam-se por toda a internet, saindo do pequeno mundo de revistas especializadas para conquistar os jornais. Em poucos dias, os projetos mais horríveis eram os mais famosos (ou infames), apesar de todas as adversidades.

View All 1,070 Entries for UNESCO's Bamiyan Cultural Centre Competition Online

Eu sei que é mais fácil zombar de projetos engraçados do que debater as propostas justas, mas o fato de que até que o momento em que o vencedor fosse anunciado, propostas absurdas se tornaram mais visíveis do que os finalistas é muito estranho.

Após este momento crucial, uma outra competição internacional muito popular - o Concurso Internacional para Centro Cultural de Bamiyan - publicou todos os projetos recebidos. Desta vez, continha "apenas" 1.070 participantes. As condições de concorrência e de elegibilidade foram muito semelhantes as do Guggenheim Helsinki. O novo Centro da UNESCO não chama a atenção dos jornais, mas a relação entre o bom e o mau desenho também parece seguir a regra das partes de Gehry; objetos estranhos que voavam sem truques, ou apenas bons, maus e medíocres. Talvez esta é a razão para a falta de interesse da imprensa

Recentemente, nós também somos capazes de admirar todos os participantes do Concurso Nine Elms to Pimlico Battersea. Imediatamente surgiu um debate sobre a "expressividade" da ponte - um "marco visível" como se você acreditasse nos organizadores do concurso, ou em "projetos ousados”, segundo o crítico de arquitetura Oliver Wainwrig, do The Guardian.

74 "Wild Designs" Considered for New Thames Pedestrian and Cycle Bridge

Isso tudo é para dizer que tanto o concurso para o Guggenheim Helsinki quanto para a Nine Elms Bridge foram controversos desde o início, e não apenas pelo seu design. De um lado há a cidade de Helsinki que não pode suportar o museu e talvez tema pelos seus custos. Por outro lado, os londrinos tentam se opor aos políticos que tratam a ponte como um projeto promocional para um desenvolvimento urbano, assim como a futura Green Bridge.

Nos dois concursos percebe-se que o projeto foi concebido como um local de interesse; "visionário" no caso do Guggenheim e "expressivo" para a Nine Elms Bridge. Fatalmente isso pode levar ao projeto- ame-ou-odeie. Como o parceiro do OMA, Reinier de Graaf escreveu:

"É exatamente este tipo de competição de mídia, que, na chamada para 'pontos de referência', acaba causando uma série de problemas públicos no processo. Solicitando projetos extravagantes, eles inevitavelmente solicitam uma despesa pública extravagante. "

É claro que ele estava se referindo a seu projeto que CityMetric rotulou como "aquele que definitivamente não é uma ponte" em seu artigo "Os 12 projetos mais ridículos para a nova ponte de Battersea".

Projeto do OMA para o concurso Nine Elms Bridge. Imagem Cortesia de Malcolm Reading Consultants, Nine Elms Vauxhall Partnership e UNESCO
Projeto do OMA para o concurso Nine Elms Bridge. Imagem Cortesia de Malcolm Reading Consultants, Nine Elms Vauxhall Partnership e UNESCO

Eu não quero ver todos os projetos descartados de todos os concursos de arquitetura na história. Se o júri os descarta é porque há uma razão! Da mesma forma, para as competições modernas eu não quero passar minhas noites tentando encontrar algo interessante no estrume. Acima de tudo, eu não quero que as pessoas comuns pensem que os arquitetos apenas propõem projetos estranhos, não-funcionais e absurdos.

Por favor, organizadores de concursos pelo mundo: se vocês ainda possuem os projetos descartados, os queimem!

Federico Reyneri é arquiteto e parceiro no LPzR associates architects (Itália). Ele contribuiu anteriormente em um artigo sobre o uso de técnicas paramétricas no concurso Guggenheim Helsinki - daí sua alegação de ter visto a cada um dos 1715 projetos concorrentes.

Sobre este autor
Federico Reyneri
Autor
Cita: Federico Reyneri. "Opinião: Por que a transparência nos concursos de arquitetura é algo ruim" [Opinion: Transparency In Architecture Competitions Is A Bad Thing] 07 Mai 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/766457/opiniao-transparencia-nos-concursos-de-arquitetura-e-algo-ruim> ISSN 0719-8906
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