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As redes colaborativas da Bauhaus nas décadas de trinta e quarenta

As redes colaborativas da Bauhaus nas décadas de trinta e quarenta
As redes colaborativas da Bauhaus nas décadas de trinta e quarenta , Capas da revista dos estudantes da Universidade do Chile, “Nova Visão" (1951) com artigos dos anos trinta escritos por Hannes Meyer. Imagem cortesia do Arquivo do arquiteto Osvaldo Cáceres
Capas da revista dos estudantes da Universidade do Chile, “Nova Visão" (1951) com artigos dos anos trinta escritos por Hannes Meyer. Imagem cortesia do Arquivo do arquiteto Osvaldo Cáceres

Após o fechamento da Bauhaus em 1933 pelo governo nazista - o qual considerava que tratava-se de um "centro de intelectualismo comunista"- vários de seus membros fugiram do país. E, embora se saiba que os Estados Unidos receberam Walter Gropius e Ludwing Mies van der Rohe, ainda é pouco conhecida a importância que a Bauhaus teve em países como o Japão e Israel, e, é claro, sua influência em vários países da América Latina.

Nesta colaboração, David F. Maulén investiga os detalhes por trás do projeto interdisciplinar liderado pela historiadora da arte Magdalena Droste, colocando sob análise o início das novas redes de intercâmbio surgidas em distintos pontos do planeta nas décadas de 1930 e 1940, forjadas por emigrantes da Alemanha nazista no contexto do fechamento involuntário das portas da Bauhaus. 

Saiba como acontecia essa colaboração, a seguir:

Um projeto interdisciplinar de Magdalena Droste (história da arte) e Patrick Rossler (ciências da comunicação), coordenado por Anke Blumm (história da arte), em colaboração com mediaarchitecture.de.

A importância da investigação da professora Magdalena Droste é reconhecida por todos os pesquisadores da Escola alemã de arte, arquitetura e desenho Bauhaus. Sem dúvidas, uma de suas contribuições fundamentais para a compreensão adequada deste fenômeno foi seu livro dedicado a seus arquivos, publicado e distribuído internacionalmente em vários idiomas desde o final dos anos noventa pela editora Taschen. Por sua vez, esta revisão completa foi produto de mais de 10 anos de investigação a partir de fontes diretas.

 

É importante recordar que a Bauhaus nasceu em Weimar, depois da Primeira Guerra Mundial, e foi o melhor exemplo da República Social Democrata desta época para fortalecer um projeto educativos no qual as vanguardas artísticas puderam canalizar seus ideais, entregando aos jovens os novos conhecimentos de arte, arquitetura e desenho, que lhes permitiria ser agentes construtores dessa nova sociedade.

O espírito da Bauhaus como instituição propôs uma solução radical à crítica da modernidade anterior à Primeira Guerra Mundial, que teria fragmentado as formas de construção de significado, dividindo a parte racional do ser humano de sua parte emocional, afastando os avanços científicos e tecnológicos de suas possibilidades a favor do bem comum.

Em contraposição, esse espírito de pós-guerra extremamente idealista se manifestava em diferentes partes do mundo, e foi assim que surgiram expectativas em vários pontos do planeta em relação às metodologias que propunha essa escola, guiada pelo conceito de um projetista integral, o arquiteto "total".

Pouco antes da tomada do poder pelo governo nazista em 1933 a Bauhaus foi fechada e vários de seus membros abandonaram o país, exilando-se na América do Norte e várias outras partes do mundo. 

Neste lugar foram muito bem recebidos, e nessa lista é necessário enfatizar a presença de dois de seus diretores, o fundador Walter Gropius (Universidade de Harvard 1937) e Ludwing Mies van der Rohe (IIT Chicago 1937).

A partir de um país como os Estados Unidos que, nesta época, começava a se consolidar como potência mundial, as ideias desses professores, acompanhados também por outros nomes como Joseph Albers, Marcel Breuer, László Moholy-Nagy ou Gyorgy Kepes, influenciaram muitas das principais tendências da vanguarda moderna do século XX.

Contudo, existiram outros focos de influência e de intercâmbio complexos e muito menos conhecidos: é necessário destacar, por exemplo, que por muitos anos não se conhecia muito sobre o itinerário do segundo diretor da Bauhaus Dessau, o suíço Hannes Meyer, que em 1930 dirigiu-se à União Soviética com um grupo de ex-alunos e depois de um ano recebeu um convite para estabelecer-se no México.

Centro trabalhador comunitário em Tel Aviv, desenhado por Arieh Sharon em 1936.. Imagem Cortesia de Micha Gross, Centro Bauhaus Tel Aviv
Centro trabalhador comunitário em Tel Aviv, desenhado por Arieh Sharon em 1936.. Imagem Cortesia de Micha Gross, Centro Bauhaus Tel Aviv

Ainda que para nós não seja uma informação muito conhecida, a Bauhaus foi fundamental em países como Japão e Israel, e certamente para vários países da América Latina. Como exemplo, tem-se o caso de Arieh Sharon, antigo discípulo de Hannes Meyer na Bauhaus. Foi figura fundamental na renovação moderna de Tel Aviv junto a outros ex-alunos como Shmuel Mistechkin, Shlomo Bernstein, Hanan Frenkel e Munio Weintraub. Inclusive, é sabido que Meyer tentou, sem êxito, convencer Sharon a abandonar a Palestina para unir-se a seu grupo na União Soviética.

Sobre o início dessas redes de intercâmbio nas décadas de trinta e quarenta se enfoca este novo e significativo projeto da equipe da professora Droste e do professor Rossler.

Com apoio da Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG) este projeto vem sendo desenvolvido desde 2013 e tem previsão de conclusão e publicação para 2016.

Neste projeto também participam Jens Weber e Andreas Wolter, que no ano de 2009, aniversário de 90 anos da Bauhaus, iniciaram o projeto de visualização interativa sobre as redes dos participantes dessa Escola: Impuls Bauhaus, uma introdução a este trabalho pode ser encontrada nos seguintes links:

Os temas específicos do Projeto DFG, "Moving Networks, los miembros de la Bauhaus y sus redes de relaciones en los años 1930 y 1940".

O projeto tem como foco 6 redes específicas de colaboração:

  1. Os primeiros esforços de Gropius para manter vivos os ideais da Bauhaus através de correspondências.

  2. Hannes Meyer e seus discípulos nos anos de residência na URSS.

  3. Os círculos do escultor Gerhard Marckse seus círculos ao redor da primeira Bauhaus de Weimar.

  4. Os designers gráficos em torno de Herbert Bayer e Moholy–Nagy.

  5. Finalmente, investiga-se os arquitetos da Bauhaus que permaneceram na Alemanha depois de 1933 e os membros que se dirigiram aos Países Baixos em 1930 e depois.

A Bauhaus e a América Latina nos anos trinta e quarenta. 

Visita de Walter Gropius, Ise Gropius, José Luis Sert e Moncha Sert em 1953 a Escola de Arquitetura de Lima graças às gestões de Paul Linder e Fernando Belaúnde.. Imagem Cortesia de Dr. Joaquín Medina Warmburg, Cátedra Water Gropius DAAD\UBA.
Visita de Walter Gropius, Ise Gropius, José Luis Sert e Moncha Sert em 1953 a Escola de Arquitetura de Lima graças às gestões de Paul Linder e Fernando Belaúnde.. Imagem Cortesia de Dr. Joaquín Medina Warmburg, Cátedra Water Gropius DAAD\UBA.

“(…) Ali (na Bauhaus) se trabalha e estuda em um sentido puramente criador, com espírito de laboratório, em que se trata de inventar e descobrir novos meios que façam "avançar" a arquitetura. É um trabalho disciplinado, duro, com aulas de estática, dinâmica, urbanismo etc. O atual diretor é Mies van der Rohe, talvez o arquiteto de espírito mais avançado da Alemanha, mas também de grande sobriedade e profundamente honesto em sua obra.

Falei com ele em Berlim, e depois de examinar meus trabalhos feitos em Paris, Alemanha e Viena, me assegurou que em um ano eu poderia obter o diploma."

Arquiteto Roberto Dávila Carson, 1930

No caso da América Latina, a presença de membros da Bauhaus foi fundamental, mas continua pouco conhecida até hoje. Entre estes casos está o de Hannes Meyer no México entre os anos 1938 e 1949.

Também no México, mas com residência permanente, se estabeleceram o arquiteto e designer Michael Van Beuren e o escultor Herbert Hofmann-Ysenbourg.

Nadja Catalan, Tibor Weiner, Philip Tolziner, Konrad Puschel, Margarete Mengel, Lilya Polgar e Anton Urban, ex alunos da Bauhaus que acompanharam Hannes Meyer na URSS em 1930.. Imagem Cortesia de Ross Wolfe e The Charnel House
Nadja Catalan, Tibor Weiner, Philip Tolziner, Konrad Puschel, Margarete Mengel, Lilya Polgar e Anton Urban, ex alunos da Bauhaus que acompanharam Hannes Meyer na URSS em 1930.. Imagem Cortesia de Ross Wolfe e The Charnel House

Na América do Sul foram, sem dúvida, muito importantes - após uma breve e frustrada passagem pelo Chile- Paul Linder, estudante da Bauhaus de Weimar onde lecionavam Gerhard Marks, residente no Peru desde 1939, e Grete Stern, residente na Argentina desde 1935, além da presença de importantes visitantes como Max Bill no Brasil e o próprio Walter Gropius em diversos países.

Outras figuras vinculadas a esta Escola são Alexandre Altberg no Rio de Janeiro e Horacio Coppola, fotógrafo argentino e marido de Stern.

No caso chileno foi fundamental a figura de Tibor Weiner, discípulo de Hannes Meyer residente no país entre 1939 e 1948, que contribuiu de maneira definitiva com o novo plano de estudos da Escola de Arquitetura da Universidade do Chile desde o movimento de Reforma que implementou o modelo da "Arquitetura Integral" em 1946. Em 1930, Weiner também fez parte do grupo de estudantes que acompanharam Hanner Meyer à URSS.

Posto de bombeiros de Chillán desenhada por Tibor Weiner e Ricardo Muller depois do terremoto de 1939.. Imagem © Gonzalo Vargas Malinowski
Posto de bombeiros de Chillán desenhada por Tibor Weiner e Ricardo Muller depois do terremoto de 1939.. Imagem © Gonzalo Vargas Malinowski

Assim, também foram muito importantes as visitas do criador do "vorkus", o curso preliminar da Bauhaus de 1926, Joseph Albers, quem, junto à sua esposa, percorreu várias vezes nosso continente e em 1953 realizou uma versão dessa forma educacional transformadora durante 3 meses na nova Escola de Arquitetura da Universidade Católica do Chile.

Mercado Central de Conceição, desenhado por Tibor Weiner e Ricardo Muller em 1940, declarado Monumento Nacional no ano de 2014, depois de um incêndio que sofreu no ano anterior.. Imagem Cortesia de Luis Darmendrail
Mercado Central de Conceição, desenhado por Tibor Weiner e Ricardo Muller em 1940, declarado Monumento Nacional no ano de 2014, depois de um incêndio que sofreu no ano anterior.. Imagem Cortesia de Luis Darmendrail

Mesmo assim, o trabalho destes pesquisadores compara o enorme conhecimento que existia em relação a arquitetos como Gropius nos Estados Unidos ao enorme desconhecimento do designer de móveis, ex-aluno da Bauhaus Günter, Hirschel-Protsch, que morreu no Chile em 1938, aos 36 anos, devido a uma doença pulmonar. Hirschel inclusive teria participado da revista Art Nouveau.

Durante o ano de 2014, por conta da exposição organizada pela Fundação Bauhaus Dessau, "Bauhaus Films" no Museu Nacional de Belas Artes de Santiago com apoio do Instituto Goethe de Santiago, Valparaíso e Conceição, foi possível articular seminários sobre o intercâmbio direto e as reinterpretações desta importante Escola, emblema das vanguardas do século XX  no Chile. Agora, graças a este projeto, é o momento no qual estas experiências relevam muito sobre as nossas próprias possibilidades ou impossibilidades de um projeto moderno cruzado com os relatos alternativos e complementares.

Conheça o site do projeto aqui.

Detalhe da assinatura de Gerhard Marks em escultura doada pelo governo da  Alemanha ao Chile em 1951, atualmente no Cerro Santa Lucía.. Imagem © Gonzalo Vargas Malinowski
Detalhe da assinatura de Gerhard Marks em escultura doada pelo governo da Alemanha ao Chile em 1951, atualmente no Cerro Santa Lucía.. Imagem © Gonzalo Vargas Malinowski

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David F. Maulén é pesquisador das relações entre arte, ciência, tecnologia e sociedade desde 1999. Durante o ano de 2014 foi conselheiro do ciclo Bauhaus no Chile organizado pelo Instituto Goethe em Santiago, Valparaíso e Conceição

Este artigo foi elaborado por um de nossos leitores e selecionado por nossa equipe editorial.

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Cita: Maulén, David. "As redes colaborativas da Bauhaus nas décadas de trinta e quarenta " [Las dinámicas redes de colaboración del Bauhaus en las décadas de los treinta y cuarenta] 14 Mar 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Brant, Julia) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/763178/as-dinamicas-redes-colaborativas-da-bauhaus-nas-decadas-de-trinta-e-quarenta> ISSN 0719-8906