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Cinema e Arquitetura: "Elysium"

Cinema e Arquitetura: "Elysium"
Cinema e Arquitetura: "Elysium"

utopia tem sido retratada muitas vezes no cinema, mas poucas visões resultaram tão inovadoras, apresentando novos paradigmas como aqueles criados pelo diretor Neil Blomkamp. Com claras obsessões urbanas, já no primeiro longa-metragem “Distrito 9", apareciam temas tão controversos como a marginalidade e exploração de classes. Em "Elysium", tema da nossa análise, ele se aprofunda na marginalidade do nosso modelo atual de fazer as cidades.

Há um ponto que marca a diferença entre as outras utopias/distopias clássicas em que o poder ou a classe dominante obriga a classe baixa, através da força, a viver em um ambiente degradado e marginal. Em "Elysium", é a população mais abastada que se auto segrega do grupo, construindo um habitat artificial, onde resguarda todos os seus privilégios.

Ela procura, com certa obsessão, manter-se pura evitando qualquer contato com o resto da população que é considerado inferior e uma mera mão de obra barata para suas empresas. E se existe alguma aproximação, esta se realiza com desagrado e fobias. Os ricos, de certa maneira, procuram habitar dentro de uma bolha que constantemente ameaça estourar.

Por outro lado, a maioria da população vive em um estado de pobreza generalizado, provocado por um crescimento populacional desmedido e a devastação do meio ambiente. Sem um governo sólido, o antigo modelo de cidade tornou-se ruínas modernas, onde há muito crime e desemprego. Sua representação dentro do filme resulta em uma versão exagerada da situação atual em relação a marginalidade, já que nas cidades, a margem do desenvolvimento, existe um claro domínio da classe média e por tanto, uma luta para melhorar as condições de vida.

Outro aspecto que o diretor gosta de enfatizar na sua visão urbana é o caráter multicultural da pobreza. O filme situa sua ação dentro da cidade de Los Angeles, onde podemos observar uma presença dominante da população latina e afro-americana. Isto não é uma coincidência, mas pretende criticar a situação econômica atual da população imigrante nos EUA, que se submete a trabalhos degradantes e sofre rejeição e estigmatização oriundos da população rica. Basta ver as cenas em que as pessoas esperam o ônibus para ir ao trabalho ou a maneira em que são deportadas para ver refletidas situações indignantes do nosso cotidiano.

“Elysium” como colônia espacial resulta um elemento que aparece contra qualquer noção urbana, resulta em uma expressão anti-urbana da população burguesa que deixa explícito que somente se pode alcançar uma vida plena fora da cidade. A urbe torna-se então, em um meio para concentrar a classe baixa e explorá-la, uma forma de maximizar os meios de produção e aumentar os lucros.

Apesar de ser apresentada como um paraíso extra-terreno, tal ambiente é altamente vulnerável e submetido a graves ameaças que desafiam sua existência. Não somente pelas ameaças do seu entorno solitário e isolado, mas também pela sua dependência em relação aos recursos terrestres. Somado a isto, o conflito latente com o resto da população,o que terminará estourando a bolha da elite.

Trata-se de um círculo vicioso social que é alimentado pelo medo do coletivo por parte da classe alta. Buscando refúgio na política e no governo a todo o momento seu interesse é o de proteger seus benefícios. Medo racional, já que tal riqueza é produto da exploração das classes. Quanto mais existe repressão e violência, mais crescem as revoltas sociais, em um processo que se repete até culminar no caos.

CENAS CHAVE

1. A Modernidade como Modelo Insustentável

Após uma grande crise gerada pelo crescimento populacional, o modelo de cidade entrou em colapso. As instituições abandonaram qualquer esforço de desenvolvimento e com isso atingiu o auge da marginalidade.

2. Marginalidade Multicultural

Vivendo em condições paupérrimas, a cidade de Los Angeles do futuro é um reflexo da atual. Nela habita uma sociedade multicultural latina produto da imigração em busca de trabalho.

3. A Natureza, uma Lembrança na História

Devastando seu habitat natural por causa de um sistema de exploração desmedida, a humanidade extinguiu o resto das espécies, convertendo-as em um velho conto infantil.

4. Governo Desumanizado e Robótico

Para não perder seus benefícios, a classe alta vigia a classe baixa por meio de sistemas robóticos. Sua força é implacável, tratando os humanos como um rebanho.

5. Humanidade Obsoleta / Humanidade Descartável

Após um acidente laboral, o protagonista é atendido por máquinas. Não há compaixão perante esta situação, e ele é tratado como uma peça defeituosa dentro de uma linha de montagem.

6. Institucionalidade Pré-fabricada

Simulando que existe uma ordem, a classe alta cria servidores públicos robóticos. Sem sentimentos ou julgamento, eles fornecem um serviço adicional impreciso que viola as condições da população.

7. Visão Anti-urbana

Escapando da Terra, a classe alta leva a cabo seu modo de vida fora da cidade. A urbe é uma ferramenta para conter a classe trabalhadora e permitir explorá-la.

8. Autosegregação Espacial

Diferentemente das visões clássicas, neste filme é a classe alta que se segregada do resto para criar um ambiente utópico, abrigada em uma bolha dedicada aos seus privilégios.

9. Burguesia Homogênea e Excludente

A classe alta procura manter-se pura em seu habitat. Seu modo de vida é oposto ao da classe baixa, que é tratada de forma humilhante. 

10. O maior privilégio: A Vida Eterna

De entre todas suas riquezas, as "camas médicas" resultam na máxima chave para a felicidade, permitindo uma mudança de look até "curar" seus corpos do envelhecimento.

11. Imigração... Espacial

Como hoje, a população marginalizada arrisca sua vida em um ambiente inóspito em busca de melhores condições de vida, sendo rejeitada por força letal diante da fobia dos ricos.

12. Medo do Coletivo e da Interação Social

Tratando-os como lixo, os imigrantes são devolvidos ao seu habitat. O medo da classe alta é racional, já que a riqueza é produto da exploração dos mais vulneráveis.

FICHA TÉCNICA

Data de Estreia: 7 de Agosto 2013
Duração: 109 minutos
Gênero: Ação / Ficção Científica
Diretor: Neil Blomkamp
Roteiro: Neil Blomkamp
Fotografia: Trent Opaloch

SINOPSE

No ano de 2154, a Terra está em crise. Superpovoada, contaminada e repleta de epidemias, sua população está dividida em duas: os pobres, obrigados a sofrer esta realidade e os ricos, que se refugiaram na estação espacial "Elysium" onde vivem em um grande luxo e com todas as comodidades.

Max da Costa é um ex-ladrão que procura afastar-se da vida criminal nos restos da cidade de Los Angeles, mas após o acidente nas inumanas fábricas de robôs, sua esperança de vida se vê reduzida em 5 dias. Sua única opção é entrar na "Elysium" para ser atendido pelo sofisticado serviço médico que está restringido à elite.

Sobre este autor
Rafael Altamirano
Autor
Cita: Altamirano, Rafael. "Cinema e Arquitetura: "Elysium"" [Cine y Arquitectura: "Elysium"] 30 Jan 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/760982/cinema-e-arquitetura-elysium> ISSN 0719-8906