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Cinema e Arquitetura: "Æon Flux"

Cinema e Arquitetura: "Æon Flux"
Cinema e Arquitetura: "Æon Flux"

No momento da sua estreia “Aeon Flux” foi duramente criticado, sobretudo pelo público em geral, como uma má adaptação da série de animação que leva o mesmo nome e por oferecer uma trama típica e cenas de ação sem muita coerência, que na época, corresponderam muito a influência de "Matrix"  no início da década. Oferecendo uma análise posterior, é muito difícil debater tais observações, podendo resgatar, talvez, algumas atuações, mas, acima de tudo, enfatizar o ótimo trabalho de arte gráfica que foi feito para a configuração deste trabalho no cinema.

A priori, o argumento do filme obrigava a representar uma sociedade futura, do século XXV, que após um desastre não especificado, estava condenada a viver em um território delimitado e de aparência paradisíaca. Um dos maiores acertos do filme foi o de não cair em noções fantasiosas de arquiteturas impossíveis e de tecnologias que desafiam a lógica, mas sim traduzir a realidade do futuro com elementos já existentes dentro da nossa realidade atual.

Seguindo a mesma linha de filmes como “Gattaca” ou “Equilibrium” optou-se por uma estética retro-futurista, especialmente a arquitetura própria da era espacial desenvolvida por arquitetos renomados da escola Bauhaus. Procurou-se lugares que possuíssem um alto nível geométrico, pureza nas suas formas, texturas e que sua interação com a luz fosse sublime, criando um alto contraste nas suas formas, como se elas tivessem saído de outro mundo.

O fato de selecionar lugares reais para a filmagem, em vez de depender de elaborados efeitos especiais, fez com que o filme possua um grande realismo, e permitiu que se destacasse de maneira brilhante nos seus aparatos de iluminação e fotografia. Cada cena dentro do filme é distinta e procura transmitir sensações de acordo com as ações dos seus personagens. A arquitetura torna-se um ator a mais dentro da narrativa cinematográfica. 

Esta última afirmação não é para menos, já que para a representação da utopia de Bregna, os realizadores desejavam que a arquitetura fosse um instrumento a mais, com o qual os governantes pudessem controlar a população sob seu regime totalitário. De formas puras, carentes de cor, o ambiente minimalista procura uniformizar a população e com frieza, assumi-la com um pensamento lógico extremista enfatizado pela geometria das suas edificações.

Bregna, como na maior parte das utopias, é uma cidade que se encontra isolada de um exterior perigoso onde se concentra o máximo esforço da humanidade em conseguir criar uma sociedade perfeita. A princípio, parece ser, mostrando uma ordem excepcional na sua população e uma grande lógica urbana na divisão do seu território. Mas a utopia se desvanece quando presenciamos a lenta, porém gradual, descomposição social da sua população, que vê seu estado mental alterado após séculos de contínua clonagem.

Ao redor do território da cidade, grandes muralhas separam a população do exterior, onde a natureza governa. Desde o alto, grandes pulverizadores de veneno evitam que a vida vegetal e animal entre na cidade. Mas a verdadeira fortificação da urbe não são seus muros, mas sim o tabu e a fé dogmática da população em relação a vida tecnológica. De certo modo, Bregna resulta em uma metáfora de como a humanidade se afasta mais da sua origem natural com o tempo e de como a cidade, sua invenção máxima, passa de seu refúgio a um lugar de aprisionamento. Talvez, tal mensagem é um dos elementos mais destacáveis do filme, já que a cidade é um ente transformável, o espírito humano se mostra atemporal na busca por sua plenitude. 

Perfil do Diretor

Karyn Kusama é uma diretora e roteirista estadunidense nascida em 21 de março de 1968. Formou-se na Universidade de New York, no curso de cinema, posteriormente trabalhando como editora de documentários. Na falta de um mentor na indústria cinematográfica, ela se dedicou a diversos trabalhos alheios a este, até que o cineasta John Sayles a contratou como sua assistente e mais tarde a ajudou a conseguir seu primeiro trabalho como diretora. 

“Girlfight” foi no ano 2000 o fruto de vários anos de esforço e financiamento pessoal, ganhando o prêmio de Melhor Diretor e Prêmio do júri do Festival Sundace assim como uma grande aceitação entre a crítica. 

A partir de então, se dedicou a dirigir produções comerciais típicas de Hollywood, tais como “Aeon Flux” e “Jennifer’s Body”, que não receberam críticas positivas e nem agradaram ao público.

Kusama possui especial interesse dentro dos seus filmes, em mostrar um forte estado psíquico nos seus protagonistas femininos, que abrem caminho dentro de uma realidade antagônica mostrando um grande desdobramento físico de suas capacidades. Procura romper tópicos ao mostrar heroínas fora de histórias clássicas e integrar dentro da sua personalidade aspectos que antigamente eram dados unicamente a personagens masculinos. 

CENAS CHAVE

1. A Consolidação de uma Utopia

Como um sonho, o povo de Bregna vive na paz e na comodidade. Sua arquitetura mistura estilos clássicos, modernos e futuristas, os quais se unificam diante de uma forte luz que irradia das suas superfícies. 

2. Sociedade do Século XXV

Apresentando um ambiente denso, confinado a um espaço imutável, a sociedade absorveu traços multiculturais até criar uma estética eclética e difícil de catalogar. 

3. Emancipação Urbana sobre a Natureza

Bregna é protegida por meio de uma muralha que solta continuamente veneno. Ela é tanto uma proteção física como uma metáfora do afastamento da humanidade e da natureza.

4. Uma Cidade sob uma Redoma de Vidro

Seguindo a linha de grandes utopistas, a cidade combina um estilo geométrico com formas orgânicas que irradiam a beleza. Mas seu próprio confinamento é o motivo da sua queda. 

5. A Fria e Lógica Oligarquia Científica

Após a catástrofe, o governo colocou nas mãos dos cientistas o poder de encontrar uma cura. Seu governo é frio e lógico, mas ainda assim, a luta pelo poder transparece sua condição humana.

6. Uma Cidade unificada pela Luz

Para mobilizar sua grande população, grande linhas de metrô fluem por baixo da superfície. Neste espaço a atividade ferve, mas a sociedade é gerida como parte de um mecanismo grande e frio.

7. Anatomical Theater / Residência do Empregador

Este espaço data o ano 1790, construído pelo arquiteto Carl Gotthard Langhans e utilizado como salão de operações de uma escola veterinária dedicada a equinos. 

8. Spandauer Lake Bridge

Desenhado pelo arquiteto Walter A. Noebel em 1999 é utilizado, junto com maquetes virtuais, para representar uma das áreas habitacionais da cidade de Bregna.

9. Buga Park Recreational Area

Localizado na cidade de Postdam recebeu a bienal de arquitetura de 2001. Hoje em dia é um parque público e no filme é utilizado como parte da muralha civil.

10. Embaixada Mexicana em Berlim

Desenhada pelo arquiteto Francisco Serrano em colaboração com Teodoro González de León no ano de 2000. É utilizada para recriar o exterior de um mercado público no filme.

11. Bauhaus Archive Museum of Design

Desenhado por Walter Gropius, o museu de elegantes linhas e com aspecto minimalista é utilizado para representar o complexo habitacional onde vive a irmã do protagonista.

12. The House of World Culture

Conhecido popularmente como a "Ostra Grávida" foi desenhado pelo arquiteto Hugh Stubbins, em 1957. No filme, é a central de vigilância pública que Aeon sabota à noite. 

13. Trudelturm Wind Tunnel

Construído em 1932 como túnel de vento para aviões, foi desmantelado depois da segunda guerra mundial. Representa o labirinto até o complexo governamental.

14. Treptow Crematorium 

Desenhando pelos arquitetos Axel Schultes e Charlotte Frank em 1999 o icônico salão é utilizado como sala de conferências para o governo oligárquico dos Goodchild.

15. Radsporthale Velodrome 

Localizada em Berlim, a estrutura foi criada pelo arquiteto Dominique Perrault. Funciona como o exterior da sede do governo, rodeado por um jardim cheio de armadilhas. 

16. Tierheim Animal Shelter

Desenhado pelo arquiteto Dietrich Bangert entrou em funcionamento em 2001. Funciona como centro do governo no filme, com adição de diversas estruturas ao seu desenho original.

17. Interior Tierheim Animal Shelter

Grande parte das cenas de ação foram gravadas dentro do complexo. Surpreende que sua rica arquitetura cristalina foi financiada pelas contribuições públicas.

18. Friedrichshagen Waterworks

O histórico túnel de abastecimento de água foi construído em 1893, de estilo gótico tradicional, hoje em dia funciona como museu e no filme como os túneis subterrâneos do governo.

FICHA TÉCNICA

Data de estreia: 1 de Dezembro 2005
Duração: 93 min.
Gênero: Ação / Ficção Científica
Diretor: Karyn Kusama
Roteiro: Phil Hay / Matt Mandrefi
Fotografia: Stuart Dryburgh
Adaptação: Aeon Flux, série animada

SINOPSE

No ano de 2415, a humanidade sobreviveu a um desastre biológico que erradicou 99% da sua população. Refugiados na cidade estado de Bregna, os sobreviventes vivem isolados sob um regime oligárquico liderado por científicos da dinastia Goodchild.

Dentro deste mundo, Aeon é uma assassina profissional que trabalha para um grupo rebelde clandestino, cuja missão é derrotar o regime atual. Porém, quando sua irmã menor é assassinada em estranhas circunstâncias, ela descobre que nada é o que parece ser.

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Sobre este autor
Cita: Altamirano, Rafael. "Cinema e Arquitetura: "Æon Flux"" [Cine y Arquitectura: "Æon Flux"] 26 Dez 2014. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/759394/cinema-e-arquittura-aeon-flux> ISSN 0719-8906

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