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AD Brasil Entrevista: Héctor Vigliecca / Vigliecca & Associados

AD Brasil Entrevista: Héctor Vigliecca / Vigliecca & Associados
AD Brasil Entrevista: Héctor Vigliecca / Vigliecca & Associados, © Thiago Braga
© Thiago Braga

Hector Vigliecca, arquiteto uruguaio radicado no Brasil há quarenta anos, é sócio-fundador do escritório Vigliecca & Associados, tendo participado de mais de uma centena de concursos nacionais. Em abril, Hector esteve presente ao XX Congresso Brasileiro de Arquitetos, em Fortaleza, e conversou com a equipe do Archdaily Brasil à beira de uma praia da capital cearense.

ArchDaily Brasil: O que é arquitetura?

Hector Vigliecca: Arquitetura é uma reflexão sobre a realidade. Nós não consideramos arquitetura como um trabalho de criação, como muitos pensam, que a gente recebe uma inspiração sobre uma folha de papel branco em cima da mesa e surge o gesto maravilhoso, que vem do anjo inspirador. Isso é uma mentira. O trabalho de arquitetura é um trabalho intenso de reflexão e de interpretação da realidade. É isso a arquitetura.

AD: Qual deve ser o papel dos arquitetos na nossa sociedade?

HV: Bom, o papel do arquiteto na sociedade contemporânea tem que deixar de ser um artista. Nós temos a obrigação de organizar os espaços, fundamentalmente os espaços da cidade. Nós somos os maiores responsáveis pela cidade que nós temos. No entanto, por exemplo, nossa participação na construção da cidade está sendo muito pobre. E eu acho que o nosso principal papel não é fazer casinhas de alto design; nosso papel é construir a cidade.

AD: Qual o papel da inovação para seu escritório?

HV: A inovação... não existe inovação. Já está tudo inventado. Quando fizemos o Estádio do Castelão, por exemplo, nós fomos rever os romanos, os gregos... Na verdade, não inventamos nada, porque já estava tudo pensado. Está tudo vigente, toda a história da humanidade está vigente. O assunto é combinar, de maneira acertada, as pedras para obter o resultado desejado, quanto ao resultado objetivo que se pretende almejar, não? Mas a inovação, bom, existem novos materiais, mas não é com novos materiais que nós vamos fazer uma nova arquitetura. Disso, pode ter certeza.

AD: Qual a importância das redes de contatos para vocês?

HV: Bom, é lógico que um escritório de arquitetura tem mais sucesso na medida em que seu trabalho é divulgado e os contatos com a realidade são intensos. Ou seja, a gente participa de... por exemplo, nós temos um recorde no Brasil: nós participamos de mais de 110 concursos nacionais! Nós temos 49... 48 ou 49 prêmios em trinta anos de trabalho. E continuamos fazendo concursos. Hoje estamos trabalhando em... temos convite para fazer um estádio em Doha, temos convites para fazer outros estádios aqui dentro do Brasil. Trabalhamos no Uruguai, no Brasil, em todas as grandes cidades, sempre temos alguns grandes projetos, principalmente de urbanismo.

AD: Qual é a importância dos concursos de projeto para seu escritório?

HV: Bom, o concurso é... não sei se é um carma pessoal, mas dos concursos que nós ganhamos –ganhamos uma quantidade que já perdi o número– nós temos construído praticamente nada. Porque são concursos, às vezes, a maioria, relacionados ao poder público. E o poder público: mudam as administrações, mudam as prioridades... e esses concursos são esquecidos. Agora, para a formação, a nossa formação, a formação da nossa equipe, é absolutamente fundamental, porque é uma situação extremamente peculiar, na qual o arquiteto se enfrenta da maneira mais pura possível com sua própria capacidade. E é uma reflexão que é extremamente prazerosa, que a gente não tem que discutir com nenhum cliente. A gente tem as bases, tem o lugar e tem que fazer a proposta. Nós temos aprendido, ou seja, a nossa equipe tem aprendido a trabalhar da forma que nós trabalhamos fundamentalmente através desse tipo de exercício. Ou seja, para nós, deste ponto de vista, tem sido um sucesso. Do ponto de vista de conseguir obras, através de concursos, não tem sido muito fácil.

AD: Qual é a importância da internet para seu escritório?

HV: Bom, eu não sou a geração da internet, a geração do computador. Eu sou da geração do lápis, da mão... Mas é inegável. A internet como divulgação, como conhecimento do que os colegas fazem no mundo inteiro, isso é inegável. Algo que nós vivemos na época dos anos 60, 70: nós vivíamos isolados, praticamente isolados. A chegada, mesmo de livros... nós tínhamos que ir à Europa comprar livros. Quer dizer, chegavam algumas revistas de sucesso, né?, as clássicas revistas, três ou quatro, e depois, bibliografia e outras novidades, era só viajando e a gente encontrando elas por acaso, ou às vezes com algum país específico onde tínhamos alguém conhecido que nos indicava alguma coisa. Mas hoje as janelas se abrem... É uma janela. As janelas se abrem para o mundo. E quando a gente faz, por exemplo, um concurso, a gente tem o escritório inteiro usando, investigando trabalhos similares, de arquitetos que nos interessam, e por aí vai.

AD: O que você diria a alguém que quer estudar arquitetura?

HV: Bom, eu diria... primeiro as escolas, não?, principalmente no Brasil, e isso é um problema brasileiro. No Brasil, o arquiteto ainda não é responsável por nada. Quando acontece um acidente, acontece um problema na obra, acontece qualquer coisa que acontece, quem paga o pato é a construtora, ou é o calculista, ou é a administradora, a gerenciadora da obra... O arquiteto fica escondido atrás das matas, não? Ele não aparece. Então as escolas de arquitetura parecem que têm consciência ou se aproveitam dessa situação para formar milhares de arquitetos irresponsáveis. Nós não somos responsáveis. Então por não ser responsável, o arquiteto no Brasil ainda não é respeitado como um profissional que tem que ter responsabilidades. Eu tenho amigos nos Estados Unidos, na França... Na França, você tem que estar rodeado de seguros, porque um operário se machuca fazendo a limpeza, cai pela escada, e o primeiro responsável que tem que responder por aquilo é o arquiteto. E o arquiteto tem que estar rodeado de companhias de seguros para poder defendê-lo, mas o arquiteto tem responsabilidade por tudo. E é ele quem determina o que se faz e o que não se faz. Então isso no Brasil ainda é muito difícil. Os arquitetos são um mal necessário. Com raríssimas exceções, os arquitetos não se fazem respeitar em uma situação com as empresas construtoras, e com os investidores, e com tudo isso. Ou seja, o arquiteto ainda tem um caminho longo a percorrer, né? E o arquiteto jovem principalmente tem que lutar por essa responsabilidade, né? Ou seja, nosso grito de guerra deveria ser “nós queremos ser responsáveis”. Nós queremos ser responsáveis porque queremos ser respeitados. Agora, essa responsabilidade, quem tem que dar essa responsabilidade são as escolas. As escolas têm que gerar profissionais responsáveis em tudo, em tudo o que fazem. Um médico cirurgião, a responsabilidade é dele, dele. Não é: se comete um erro, culpa o hospital. Não, não. É o cirurgião, é ele quem está fazendo a operação. Então, não é possível ainda que a gente tenha que, depois de quarenta anos de trabalho, por exemplo, nós tenhamos que defender nossa profissão com um esforço tremendo para dizer: olha, tem que ser feito assim, não pode ser feito de outra maneira, é assim que tem que fazer. E é difícil que nos ouçam. Mas isso é resultado não por um problema da construtora A, B ou C. Não, não é isso, é um conjunto de problemas, é uma cultura. Isso começa pelas escolas, começa pelas próprias instituições de arquitetura, pelos arquitetos e o seu comportamento de fugir das responsabilidades, porque na verdade ele não foi ensinado a ser responsável. Então o conselho que eu dou aos arquitetos é que têm que aprender a ser responsáveis pelo que estão fazendo. Isso implica em muitas coisas: implica, em princípio, em ter sabedoria. A sabedoria é fundamental. E isso pode distinguir um arquiteto de outro profissional que não é arquiteto.

AD: O que você pode nos dizer a partir da sua experiência da formação de um escritório?

HV: É muito difícil se for montar um escritório como uma empresa. Quer dizer, um ateliê de arquitetura não é difícil de administrar, mas se a vontade é acessar a grandes projetos, fazendo esforço como concursos, e ir escalando por si só, como é o caso de vários escritórios jovens que hoje atingiram, ainda jovens, importância muito notável dentro do Brasil. Falando com eles, temos todos uma grande dificuldade de administrar um escritório, porque não é fazer só projeto. Então, nós somos obrigados hoje a ter pessoal exclusivo para recursos humanos, exclusivos para calcular, mês a mês, os pagamentos e cuidar dos contratos. Os contratos no Brasil às vezes são bastante complicados, as relações com o poder público fundamentalmente. Os contratos com o poder público exigem um expert no assunto. Então nós, por exemplo, no caso do nosso escritório, que não é um grande escritório –nós somos um escritório médio, digamos, com essa quantidade–, mas nós hoje temos que ter gente especialista nesses assuntos para poder funcionar e nós arquitetos podermos nos dedicar a fazer arquitetura.

 

* Agradecemos a Thiago Braga pela gentileza de gravar a entrevista.

Sobre este autor
Rafael Duarte
Autor
Cita: Rafael Duarte. "AD Brasil Entrevista: Héctor Vigliecca / Vigliecca & Associados" 18 Ago 2014. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/625626/ad-brasil-entrevista-hector-vigliecca-vigliecca-e-associados> ISSN 0719-8906

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