
Hoje, quando imaginamos um espaço coberto, provavelmente um teto estruturado por uma laje de concreto é a imagem que nos vem na cabeça. Também hoje, quando pensamos em concreto, surge um leve desconforto na possibilidade de utilizá-lo em construções, visto os levantamentos que apontam como ele contribui para a crise climática e danos ao meio ambiente. Ampliar nosso repertório para técnicas vernaculares e tradicionais pode ser uma boa alternativa neste cenário. E, neste sentido, as coberturas naturais surgem como uma ótima solução. Utilizadas por muito mais tempo que o concreto para abrigar os humanos, elas ainda são pouco atribuídas a edificações contemporâneas, apesar de estarem alinhadas com muitas das qualidades que buscamos num projeto: materiais biodegradáveis, portanto, mais sustentáveis, apelo estético e conforto térmico.
Provavelmente a cobertura natural mais comum é a de palha. Trata-se de um método tradicional que envolve o uso de vegetação seca - como as palhas de piaçava, sapê, santa-fé - para criar um abrigo coberto. Sua montagem é realizada a partir do agrupamento e entrelaçamento das fibras que, através de sucessivas sobreposições, conformam uma superfície impermeável. Sua construção é realizada de baixo para cima, sendo que o topo é onde deverá haver mais cautela - no momento da execução e com futuras manutenções - por ser o ponto de maior fragilidade para infiltração de água. Como acontece com outros materiais, quanto maior a inclinação do telhado, mais rápido será o escoamento da água e isso poderá ajudar a evitar possíveis problemas de infiltração. Normalmente realizada sobre uma estrutura de madeira ou bambu, a cobertura de palha, por se tratar de um material flexível, permite que a criatividade do arquiteto vá longe, conformando até mesmo formas orgânicas complexas.


















