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Bienal de Veneza 2012: Pavilhão Dolomiti Architecture

Bienal de Veneza 2012: Pavilhão Dolomiti Architecture
Bienal de Veneza 2012: Pavilhão Dolomiti Architecture , Cortesia de Dolomiti Architetture
Cortesia de Dolomiti Architetture

 

Embora a cidade seja vista como espaço de encontros e trocas, muitos centros urbanos tornaram-se super-saturados com os carros e os estacionamentos. Esse fenômeno criou uma série de “não-lugares” que reivindicaram “áreas comuns” dos moradores da cidade. Ocupando um espaço não maior do que uma vaga de estacionamento, o Pavilhão Dolomiti Architecture reflete sobre o tema “Common Ground” e explora formas de como explorar essas áreas comuns atualmente ocupadas por estacionamentos. Esse pavilhão de madeira reinterpreta e reintroduz o “larin” –um espaço tradicional presente nas habitações rurais de Belluno, onde a família se reúne para comer, beber e compartilhar estórias – num esforço de criar um espaço íntimo dentro da cidade, um espaço que ofereça um escape e uma oportunidade de interação entre os cidadãos. Com esse pavilhão, Dolomoti Architecture explora as possibilidades de “uma vida livre de carros” dentro do centro da cidade, que também reflete seus valores ambientais e sustentáveis ao usar  métodos de reciclagem e matérias-primas renováveis.O Pavilhão Dolomoti Architecture é hoje ocupado pelos cidadãos de Belluno, Itália. Continue lendo o memorial do projeto,pelos autores.

Cortesia de Dolomiti Architetture

COMMON GROUND

A ideia deste projeto surgiu a partir do tema na 13ª Exposição Internacional de Arquitetura em Veneza, dirigida por David Chipperfield, “Common Ground”, o que pode ser interpretado de diversas maneiras. Se por um lado “common ground” é a base do conhecimento técnico e não-técnico que um arquiteto usa, por outro lado, deve ser interpretado literalmente como terreno comum das cidades, onde a arquitetura tem o dever de dar uma forte contribuição à “definição do contexto urbano onde vive a comunidade”. Por isso, os espaços da cidade são aqueles em que a arquitetura pode expressar melhor seus conteúdos sociais, e que também pode “enfrentar preocupações, influências e intenções comuns”.

Imagem 1 – Cortesia de Dolomiti Architetture

Nossa ideia de criar o Pavilhão nasceu das reflexões de Chipperfield. Cinco arquitetos reuniram-se para conversar sobre arquitetura, entender os problemas da cidade, dar uma interpretação sobre a mountain architecture, escolher um tema para melhorar os espaços urbanos: isso é o que está na base do nosso trabalho. A cada reunião o projeto foi tomando forma e evoluindo, e também, a rede multidisciplinar de colaboradores a que Chipperfield refere-se começou a evoluir e estender-se, a rede de conhecimento necessária para que construíssemos materialmente o pavilhão.

Croquis 2- Cortesia de Dolomiti Architetture

UM LUGAR AO SOL

A cidade é o lugar de encontros e trocas, o componente humano é parte da essência desse espaço, que é por excelência o espaço público. No entanto, alguns centros urbanos estão cada vez mais saturados de carros e estacionamentos, que são, na verdade, não-lugares, representando áreas publicas, espaços comuns retirados das funções vitais da cidade, e também áreas que deveriam ser preservadas para a melhoria do decoro público: áreas ensolaradas, antigos centros urbanos, etc.

Cortesia de Dolomiti Architetture

Nossa reflexão sobre o common ground urbano é baseada em um pequeno espaço: 2,5×2,5 metros é o tamanho padrão de uma vaga de estacionamento, e é o espaço mínimo que pode ser dado à cidade e aos seus moradores. O pavilhão que apresentamos é apenas uma das várias possibilidades oferecidas por um espaço e visa mostrar como pequenos metros quadrados são suficientes para se construir um lugar apreciado por todos os cidadãos. Mas é também, nosso common ground para as reflexões que você pode encontrar abaixo.

Cortesia de Dolomiti Architetture

A MONTANHA DESENCANTADA

A escolha do objeto não é aleatório, não é um exercício estético banal. O espaço a ser devolvido à cidade deve ser vivido, e a escolha de formas é ligada à típicos espaços de encontro  da cultura de construção de Dolomites. Sob este ponto de vista, o pavilhão é a reinterpretação e reintrodução na área urbana do “larin”. O convite feito pelo pavilhão é, portanto, claro: que as pessoas recuperem a posse de um espaço que costumava ser proibido e transformá-lo em um lugar de encontro.

Imagem 2 – Cortesia de Dolomiti Architetture

Ao mesmo tempo, o pavilhão é também um espaço mais “íntimo”, com assentos que são uma reinterpretação da chaise lounge de Le Corbusier, feito com um dos materiais mais antigos: madeira. Suas formas sinuosas lembram o perfil das montanhas, e são um convite para sentar-se, esquecer o caos do dia-a-dia e parar para pensar no momento. No geral, o pavilhão é uma experiência arquitetônica.

Cortesia de Dolomiti Architetture

Mesmo o exterior do pavilhão é ligado às montanhas, e sua silhueta relembra o perfil dos picos de Dolomites. A escolha da madeira como material é devido a vários fatores: é ligada à construção local tradicional, a sua grande presença em Belluno, assim como o potencial para a sustentabilidade ambiental da indústria de construção em madeira. O sistema de construção é simples e barato: o pavilhão pode ser construído com o trabalho de poucas pessoas.

Cortesia de Dolomiti Architetture

O Pavilhão Dolomiti Architecture não é a reconstrução de uma arquitetura de montanha na cidade, não é um revival dos estereótipos da construção na montanha: picos frequentemente elevados, prados verdes e típicas cabanas tornam a arquitetura de montanha em lugar bucólico, em um cartão-postal, um lugar onde a modernidade pode olhar como um elemento estranho que põe em risco um equilíbrio imutável. O pavilhão tenta ser uma reflexão sobre esses elementos, e como eles podem se livrar de um rótulo e transformam-se em lugares não-comuns, mantendo uma ligação com o território onde estão, e com o tempo e tecnologia do período em que são construídos.

Imagem 3 – Cortesia de Dolomiti Architetture

O pavilhão é uma reflexão na arquitetura para a montanha e como é interpretada pelos arquitetos e clientes, mas também, por aqueles que vão para as montanhas por paixão e por aqueles que mora lá. É também, acima de tudo, uma arquitetura pertencente a um específico contexto urbano, “não é um evento isolado” e que coloca questões sobre como melhorar a cidade: como áreas comuns ocupadas por carros podem ser exploradas? Como essas áreas podem ter uma nova vida livre dos carros que tomara conta da cidade com determinação? É um estímulo para todos, é um descanso, uma pausa em nossa frenética vida cotidiana para se parar e pensar.

Cortesia de Dolomiti Architetture

A ÁRVORE NA CIDADE

O projeto segue os princípios da sustentabilidade ambiental, assim como da reciclagem e o uso de matérias-primas renováveis.

Desde 1850, a cobertura florestal nos Alpes cresceu 30%, e na província de Belluno ficam 50% de todo o território. Apesar da grande quantidade de madeira à nossa disposição, as florestas alpinas são atualmente subutilizadas comparado à seu potencial. Ao longo dos anos a compra de madeira redonda no norte da Europa tem sido a preferida para a partida de um sério programa nacional florestal. O custo do transporte e a possível criação de valor agregado a esse setor questiona essa abordagem e encoraja uma nova atenção aos recursos locais.

Cortesia de Dolomiti Architetture

Além de permitir uma diminuição considerável no tempo de execução, sucata e desperdício de lixo, a escolha da madeira como material construtivo faz com que seja possível fechar o ciclo com o balanço neutro de CO2. É preciso notar que existe uma maior atenção no setor para a madeira como material construtivo, com uma preferência por produtos pequenos e pré-fabricados, já que as plantas mais jovens são as mais usadas por crescerem mais rapidamente e, consequentemente, por terem uma maior produtividade. Infelizmente, este dado tem crescido lado a lado com o desenvolvimento da madeira laminada, que dá excelentes resultados mecânicos, mas que utiliza muito cola artificial, como o formaldeído, que transformam a madeira em um lixo especial e exclui a possibilidade de ser utilizada como material combustível.

Nosso projeto propõe o retorno a sistemas secos de montagem de elementos de tamanho médio, inspirando-se em experiências passadas de Frei Otto, pontes suíças e o Programa Helsinki Wood. Esse tipo de sistema construtivo apresenta boas capacidades de resistência mecânica, é fácil de ser realizada e, o mais importante, os elementos que são danificados podem ser substituídos com o tempo.

Ficha técnica:

  • Arquitetos:Dolomiti Architetture
  • Ano: 2012
  • Área construída: 40m3 m²
  • Tipo de projeto: Efêmero
  • Operação projetual:Instalação
  • Status:Construído
  • Características Especiais: Sustentável
  • Materialidade: Madeira
  • Estrutura: Madeira
  • Localização: Belluno, Itália
  • Implantação no terreno: Isolado

Equipe:

  1. Arquitetos: Dolomiti Architetture
  2. Equipe de projeto: Massimiliano Dell’Olivo, Anna De Salvador, Simone Osta, Sabrina Pasquali, Fabian Testor

Informação Complementar:

  1. Estruturas: Daniele Tissi                     
  2. Iluminação: Patrick Ganz
  3. Projeto anti-incêndio: Alessandro Aggio
  4. Parceiros técnicos: Arredamenti Centeleghe, Mavima, Segheria Casera Corrado, Rothoblaas, Cuprum elettromeccanica, Luceteam, Colorificio Paulin, Polypiù, Cassa Rurale Val di Fassa e Agordino, Valpiave Assicuratrice, Facchin srl, SICI srl, Edilferro, Da Rold Giuseppe Imbiancature edili, Edilcommercio, Amonn, Italcarta, Marmi Tolotti
  1. Fotografia: Sergio Casagrande
  2. Gráficos: Gabriele Riva
  3. Vídeo: Maximiliaan Tropea
  4. Traduções: Laura Rossa
  5. Área: 10m2
  6. Altura: 4m
  7. Volume: 40m3

Cita: Marina de Holanda. "Bienal de Veneza 2012: Pavilhão Dolomiti Architecture " 30 Ago 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/67753/bienal-de-veneza-2012-pavilhao-dolomiti-architecture> ISSN 0719-8906