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Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2012 / StudioMK27

Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2012 / StudioMK27
Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2012 / StudioMK27, Cortesia de StudioMK27
Cortesia de StudioMK27

O StudioMK27 foi escolhido para representar o Brasil na 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza, juntamente com a instalação “Riposatevi”, de 1964, do arquiteto e urbanista Lúcio Costa. O pavilhão, sob a curadoria do professor e autor Lauro Cavalcanti, reforça o diálogo entre diferentes gerações existente na arquitetura moderna brasileira. Dessa forma, a relação com a obra de Costa e com a arquitetura do próprio pavilhão expõe a retomada de uma arquitetura vigorosa no Brasil, após longo período de crise pós-construção de Brasília.

A instalação inédita do StudioMK27, “Peep”, é um filme-instalação dirigido por Lea Van Steen e Marcio Kogan, com fotografia de Cleisson Vidal, que mostra, através de 18 câmeras, 5 minutos da vida em um dos projetos do escritório, a Casa V4 localizada em São Paulo.

A arquitetura é um simples pretexto para mostrar a vida da família Monte.

Este filme fragmentado será mostrado através de 18 olhos-mágicos colocados em um muro construído dentro do Pavilhão do Brasil nos Giardini de Veneza. O visitante poderá espiar do lado da frente da instalação dez cenas.

Cortesia de StudioMK27

Por pequenos buracos no muro se verão imagens da Sra. Monte reclamando insistentemente do arquiteto; de sua espera ansiosa para a aula de ginástica com o charmoso “personal”; e do sexo com o Sr. Monte, em que ela se mostra mais preocupada com as suas unhas. Tudo enquanto o pequeno Yuri brinca com os empregados da casa.

Cortesia de StudioMK27

Na parte de trás do muro, 8 visores mostram o lado B da casa: a desinteressante sala de máquinas onde o caseiro se refugia e encontra paz para tirar meleca do nariz; as máquinas de lavar e secar trabalhando ininterruptamente; ou a arrumadeira Maria passando uma roupa de design incompreensível.

Cortesia de StudioMK27

 

Costa e Kogan: Convívio                                                             

Por:Lauro Cavalcanti *

A 13ª. Bienal de Veneza tem como tema Common Ground. Além de seu sentido estrito de território comum, David Chipperfield, curador geral, propõe que ele se desdobre em outras versões nos pavilhões do Arsenal: pontos de acordo; espaço de convivência; interfaces das áreas de conhecimento; diálogo de arquitetos de gerações distintas; cruzamento de arquitetura, artes plásticas, história e pensamentos sobre a cidade; Expressões locais e internacionais.

Todas essas acepções são estimulantes e oferecem possibilidades férteis no campo brasileiro. Optei por selecionar profissionais notáveis de distintas gerações, ambos com atuação interdisciplinar: Lucio Costa (1902-1998) e Marcio Kogan (1953-….). O primeiro mundialmente conhecido como o urbanista que concebeu Brasília, a nova capital criada do nada, inaugurada em 1961,   com seus principais prédios públicos de autoria de Oscar Niemeyer (1907-….). Costa foi, igualmente, o principal ideólogo do modernismo brasileiro, em interlocução com Le Corbusier, cujas ideias colocou em relação e descendência com a melhor tradição construtiva brasileira. Arquiteto de excepcional talento saíram de sua prancheta algumas das obras primas da arquitetura moderna brasileira. Marcio Kogan, arquiteto e cineasta, é titular do MK27, escritório que se destaca na cena contemporânea com importantes projetos no Brasil e no exterior.

Mostras convencionais de arquitetura com fotos, plantas, cortes, perspectivas e longas memórias descritivas nas paredes são entediantes e inócuas. Primeiramente porque interessam apenas aos especialistas que, mesmo assim, melhor examinariam esse material entre suas mãos, sentados em poltrona confortável. Inócuas porque essa documentação pouco transmite da emoção arquitetônica, de seus espaços e dos esforços estruturais. Uma exposição deve ser encarada com vida autônoma e não, somente, um frio inventário icônico. Por isso escolhi colocar a documentação de suas trajetórias em base digital, selecionar a instalação Riposatevi, uma obra prima pouco conhecida de Lucio Costa, e incitar Marcio Kogan a realizar um trabalho inédito para Veneza

RIPOSATEVI

A Trienal de Milão, em 1964, foi dedicada ao lazer.  A maioria dos países  apresentava modos de passar o tempo, com ênfase em atividades dinâmicas,  ao passo que o Pavilhão Brasileiro,  desenhado por Lucio Costa,  incitava o espectador a repousar em uma série de redes penduradas, em meio a plantas e  violões para dedilhar.  “Riposatevi”, nome da ”instalação” de Costa,  foi o mais bem-sucedido dos pavilhões ao  afrontar o óbvio e, com humor,  demonstrar completa liberdade em subverter os cânones.  Três anos após a inauguração de Brasília, o urbanista pontuava a instalação com uma frase que sublinhava o fato que “o mesmo povo que descansava em redes sabia, quando necessário, construir uma nova capital em três anos”.

Ao lado do uso de artefatos vernaculares, a ousadia estrutural de Riposatevi está presente na trama de cabos de aços tensionados dos quais pendem conjuntos de redes que possuem movimento autônomo permitindo que o espectador, individualmente, opte pelo movimento ou pela posição estática.  

Homenagear Costa com a remontagem de Riposatevi em solo italiano permite que o público atual tome contato com uma obra fundamental do modernismo visual brasileiro que antecipa e dialoga com outro notável  trabalho, a Cosmococa de Hélio Oiticica, realizada na década posterior.

KOGAN

A linguagem de Kogan atualiza algumas diretrizes de Costa, ao colocar em convívio elementos tradicionais e tecnologia contemporânea, alcançando expressão local e universal. Muitos trabalhos seus evidenciam a estrutura em concreto estabelecendo pontes com obras do modernismo tardio produzidas, sobretudo, em São Paulo, inspiradoras da arquitetura de nosso pavilhão, assinada por Henrique Mindlin, Giancarlo Palanti e Amerigo Nino Marchesin.

Cortesia de StudioMK27

A instalação de Kogan provoca uma instigante triangulação com a obra de Costa e com a arquitetura do próprio pavilhão. Mostrar a obra de Kogan na Bienal de Veneza demonstra como o Brasil, após longo período de crise no campo da construção pós-Brasilia, volta a esboçar vigorosos gestos no caminho de uma arquitetura de qualidade.

PEEP 

Texto de Gabriel Kogan

As emoções e sensações que cada espaço provoca em nós só podem ser percebidas pela experiência nele próprio. A luz, as dimensões volumétricas e a presença dos corpos não podem ser reproduzidas. A arquitetura, portanto, não pode ser representada a não ser por ela mesma, e seu estado é fugaz, existe apenas no presente, no instante em que caminhamos pelo edifício. O que nos resta são memórias, que constroem um novo espaço, interior, pouco linear, recortado.

Cortesia de StudioMK27

Esta instalação é o reconhecimento da inviabilidade de se representar a arquitetura e a sugestão de falarmos dela através de recortes da memória. Uma memória ordinária e inventada, uma memória ao mesmo tempo coletiva e anônima, que se remete a breves sensações e que remonta atmosferas de um momento qualquer.

Cortesia de StudioMK27

Essas experiências vagamente registradas num quase-cinema são tempos imaginários: imagens fragmentadas, ordinárias que podem ser desmontadas e remontadas. Dezesseis câmeras registram o espaço de uma casa em São Paulo. Personagens permeiam o espaço formando pequenos esquetes da vida privada e as imagens em movimento constroem os fragmentos dessa memória inventada.

Cortesia de StudioMK27

A arquitetura é um dos elementos que remontam a atmosfera desses instantes perdidos. Assim como as pessoas e as coisas, aparece e desaparece na memória, sendo preenchida ora por sensações ora por vazios. A iminência de um grande fato nunca se realiza, como esses sonhos sobre o cotidiano, onde nada acontece. A memória, ao contrário da história, é recheada pelo não-fato, justapostos.

Cortesia de StudioMK27

A memória (ou a arquitetura) tem seu outro lado: aquilo que não se experimentou, o que não se vê, aquilo que não se quer ver, aquilo que pertence à memória do outro. Uma casa de máquina, um quarto de serviço, o ferro de passar roupa. Seis das câmeras mostram o outro lado da moeda, a memória do outro lado do espaço.

Cortesia de StudioMK27

Pois esses fragmentos dependem da experiência: memória para alguns, mas não para outros; espaços para outros, mas não para alguns. A arquitetura da memória está sempre a espiar o olho mágico, a rever o espaço atrás da porta.

Cortesia de StudioMK27

Filme -Instalação: Peep

Local: Bienal de Veneza 2012

Curador do Pavilhão Brasileiro: Lauro Cavalcanti*

Instalação:  Marcio Kogan + StudioMK27

Coordenação: Mariana Simas

Equipe: Carolina Castroviejo, Diana Radomysler ,Eduardo Chalabi , Eduardo Glycerio, Eduardo Gurian, Elisa Friedmann, Gabriel Kogan , Lair Reis, Luciana Antunes, Marcio Tanaka, Maria Cristina Motta, Oswaldo Pessano, Renata Furlanetto, Samanta Cafardo, Suzana Glogowski.

Montagem: Anderson Fantini

Filme:

Criação: StudioMK27

Direção: Lea van Steen + Marcio Kogan

Fotografia: Cleisson Vidal

Atores: Alexandre Bamba, Erika Puga, Yuri Vidal, Jacqueline Obrigon, Jerusa Franco, Ivan Capua, Potiguara Novazzi.

Casting: Jussara Felix Figueiredo

Figurino: Mari Leone

Eletricista: Rodrigo Guerra

*Lauro Cavalcanti é arquiteto e doutor em antropologia social. Curador e escritor especializado em arquitetura moderna e contemporânea. Autor de inúmeros ensaios em publicações internacionais. Mora no Rio de Janeiro, Brasil, onde dirige o Paço Imperial, é professor na Escola de Desenho Industrial (ESDI) .

Sobre este autor
Joanna Helm
Autor
Cita: Joanna Helm. "Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2012 / StudioMK27" 21 Ago 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/66243/pavilhao-do-brasil-na-bienal-de-veneza-de-2012-studiomk27> ISSN 0719-8906

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