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Desafio Pritzker: Reconhecimento na Era das Parcerias Criativas

Desafio Pritzker: Reconhecimento na Era das Parcerias Criativas
Desafio Pritzker: Reconhecimento na Era das Parcerias Criativas, Wang Shu recebendo seu Prêmio Pritzker em 2012. Estranhamente, sua esposa e parceira profissional, Lu Wenyu, não foi reconhecida.
Wang Shu recebendo seu Prêmio Pritzker em 2012. Estranhamente, sua esposa e parceira profissional, Lu Wenyu, não foi reconhecida.

O Prêmio Pritzker teve um começo idealista: conquistar o reconhecimento dentro da arquitetura, uma profissão que tinha perdido há muito tempo seu status na opinião pública. O Pritzker 'costurou' essa fragmentação, celebrou a figura do arquiteto e transmitiu sua contribuição para a sociedade; um semblante criativo, um autor singular cuja singularidade o coloca além de um campo de praticantes.

O Prêmio, desde então, assumiu um papel de "guardião" do "arquiteto estrela". Embora seja inspirador que a arquitetura como profissão tenha reafirmado seu status e importância cultural, o prêmio Pritzker se colocou no centro da cena, correndo o risco de ser consumido por uma realidade sintética dentro da profissão. Se o Pritzker e outros modelos semelhantes de reconhecimento estão evoluindo, eles devem difundir transformações na prática e enfatizar as mudanças no interior da profissão.

Primeiramente, Denise Scott Brown deve ser reconhecida de forma retrospectiva. Algumas opiniões divergentes não mudam os fatos.

Leia mais sobre a (d)evolução do prêmio Pritzker após o intervalo...

Robert Venturi and Denise Scott Brown. Image © Frank Hanswijk
Robert Venturi and Denise Scott Brown. Image © Frank Hanswijk

Denise Scott Brown, em uma entrevista recente, reacendeu a fúria do início dos anos 90, quando o júri do Pritzker a excluíram injustamente do Prêmio recebido por seu marido e parceiro na arquitetura Robert Venturi, em 1991. Ironicamente, Scott Brown possui dois terços do escritório "Venturi Scott Brown and Associates", a renomada parceria que tem deixado sua marca no pensamento arquitetônico contemporâneo. Scott Brown tem participado integralmente da produção teórica do escritório e dos projetos arquitetônicos que se tornaram referências.

A entrevista para o Architect's Journal coincidiu com o Pritzker de Toyo Ito em 2013 e com um período em que o discurso arquitetônico aborda o preconceito de gênero na profissão. Duas semanas depois, uma petição foi assinada por mais de quatro mil pessoas exigindo o reconhecimento de Scott Brown como uma parceira igual. Zaha Hadid e Rem Koolhaas, laureados com o Pritzker, também apoiaram esta petição.

A extensão lógica deste debate é uma petição ativa para garantir que Patrik Schumacher seja incluído nos anais da história da arquitetura. A contribuição teórica e processual de Schumacher foi e ainda é essencial para o escritório Zaha Hadid Architects.

Zaha Hadid and Patrik Schumacher. Image © Sylvain Deleu www.sylvaindeleu.com
Zaha Hadid and Patrik Schumacher. Image © Sylvain Deleu www.sylvaindeleu.com

A petição exige uma consciência renovada e nos chama a libertar a profissão de suas armaduras  hierárquicas, como Scott Brown enfatizou, e defender parcerias criativas. E estes são valores diametralmente opostos àqueles celebrados pelo Pritzker da época de Philip Johnson.

Estendendo este paradigma, deveria o escritório OMA receber crédito como sendo uma embarcação e reflexão da obra de Rem Koolhaas? 'Koolhaas' é agora um jargão que descreve uma avaliação social e arquitetônica particular. Será que descrever um projeto do OMA como projeto pessoal de Rem é realmente diferente da questão abordada por Scott Brown? Arquitetos ainda desenham para exaltar Koolhaas como o solitário cavaleiro da arquitetura?

Práticas de ateliê são muitas vezes uma frente para o auto-crescimento, como se a arquitetura fosse uma criação sem a equipe do projeto. O coletivo ainda é visto como uma agência que contribui para o individual. Isso revela um debate mais amplo e mais pertinentes sobre 'autoria'. Aqui, o termo é usado literalmente, sugerindo invenção ou propriedade de idéias e, portanto, propondo uma sensibilidade profissional para reconhecimento

Ryue Nishizawa e Kazuyo Sejima, os vencedores conjuntos do Prêmio Pritzker de 2010. Fotografia de Takashi Okamoto, Cortesia de SANAA.
Ryue Nishizawa e Kazuyo Sejima, os vencedores conjuntos do Prêmio Pritzker de 2010. Fotografia de Takashi Okamoto, Cortesia de SANAA.

Em 2001, no ano seguinte  do Pritzker de Koolhaas, os arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron dividiram o Pritzker, e em 2010 os japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa do escritório SANAA venceram conjuntamente o prêmio. Talvez as coisas estejam mudando.

Em segundo lugar, e honestamente, quem se importa?

Não importa em qual época você o avalia, o reconhecimento ostensivamente adere a uma sensibilidade tradicional. É uma meia verdade, bem separada do merecimento. Arquitetura já foi presa na pele do visionário (o indivíduo eleva-se acima do inferno de limitação, sem restrições ou constrangimentos, consubstanciado pela percepção cultural de um Howard Roark). Não existe uma única definição que ilustre com precisão a amplitude ou a intenção da arquitetura.

A arquitetura é, em senso contemporâneo, uma plataforma colaborativa, uma prática interativa, uma malha de conhecimento. Atua em todas as categorias disciplinares, lida com escalas, complexidade e territórios, o que faz com que nenhum indivíduo deva receber aclamação exclusiva. Sob este foco, é preciso reavaliar as comparações e inclinações para o valor estético. Objetivar o singular é "glamourizar."

Scott Brown acrescenta: "há outras maneiras de ser um arquiteto que são muito criativas e permitem saudar a noção de criatividade conjunta."

É razoável concluir que ao invés de haver instituições pendendo a acomodar as definições variáveis ​​de prática, a arquitetura requer desesperadamente novas formas de reconhecimento que celebrem o conjunto.

Estará a profissão preparada para as mudanças que estão por vir?

Howard Roark de Fountainhead.
Howard Roark de Fountainhead.

Se você se inclina em direção à "estrelarquitetura", talvez a caracterização hegemônica de uma mente criativa, acompanhada de um produção autocrática da arquitetura, aos moldes do Pritzker, ainda seja absoluta. Se você já não vê o prêmio como um determinante importante para a profissão, ele logo deixará de ter qualquer importância. Em 2006, Geir Lundestad, secretário do Comitê Nobel norueguês dirigiu a sua incapacidade de atribuir a Gandhi um Prêmio Nobel, declarando "Gandhi poderia ter feito sem o Prêmio Nobel da Paz. O que o Nobel pode pode fazer sem Gandhi é a questão." Eu acredito que seja válido para Denise Scott Brown.

Ian Nazaré é arquiteto, urbanista e pesquisador que oscila entre Melbourne e Mumbai. Seus interesses incluem paisagens pós-industriais, arquitetura urbana, ecologias conectadas, futuros especulativos e o campo expandido. Ian também é pesquisador de consultoria na Escola de Arquitetura e Design da RMIT em Melbourne. Siga o @wormholewizard

Cita: Ian Nazareth. "Desafio Pritzker: Reconhecimento na Era das Parcerias Criativas" [Pritzker’s Challenge: Recognition in the Age of Creative Partnerships] 20 Mai 2013. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/114191/desafio-pritzker-reconhecimento-na-era-das-parcerias-criativas> ISSN 0719-8906