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Código Aberto: O mais recente de arquitetura e notícia

5 Iniciativas que mostram a ascensão da arquitetura open source

Na arquitetura, talvez a mudança mais marcante do século XX foi o repensamento radical do fornecimento de habitação que trouxe, movido por uma explosão populacional e pela devastação de duas guerras mundiais. Claro, a revalorização do desenho e construção de habitação do Modernismo foi uma parte desta trajetória, mas mesmo o Modernismo foi sustentado por um processo tradicional, que precisava de clientes, projetistas e empreiteiros. Entre estratégias mais radicais estão um pequeno número de empreendimentos alternativos, como as casas encomendadas pelo correio nos EUA e os projetos de casas DIY (sigla para Do It Yourself, algo como faça você mesmo) de Walter Segal no Reino Unido. Estas iniciativas procuram virar o processo tradicional de construção de cabeça para baixo, capacitando as pessoas a construírem suas próprias casas, proporcionando materiais e projetos o mais barato possível.

No século XXI, o espírito destes movimentos marginais está vivo e passa bem, mas os parâmetros mudaram um pouco: com o aumento do individualismo, e novas tecnologias provocando o "movimento do criador," o foco mudou de dar às pessoas os materiais para construir um projeto fixo para melhorar o acesso à propriedade intelectual, permitindo que mais pessoas aproveitem destes projetos baratos e efetivos. A década passada presenciou uma série de iniciativas destinadas a difundir projetos de arquitetura open source (código aberto) - continue a seguir para saber mais sobre cinco deles.

Por que a iniciativa open source de Aravena é um grande passo para oferecer moradias melhores para todos

Este artigo, escrito pela fundadora de Paperhouse, Joana Pacheco, foi originalmente publicado na Metropolis Magazine como "Aravena's Small Step, Open Source's Big Leap."

Quando Alejandro Aravena foi o ganhador do Prêmio Pritzker no início de abril, fez um anúncio importante: os desenhos de quatro de seus projetos de moradia social estariam desde aquele dia disponíveis no site do Elemental para uso livre.

Através do trabalho do seu escritório Elemental, Aravena é conhecido por seu interesse no desenho participativo de moradia incremental: um modo de trabalhar que está ligado às limitações de orçamento e que se converte em pedra angular do trabalho do estúdio Elemental. O lema - que foca naquilo que é difícil de conseguir, que não se pode fazer de forma individual e que garante o bem estar comum no futuro - tem como resultado a 'metade de uma casa'. Apresentado pela primeira vez há mais de uma década, o modelo consiste em um espaço expansível de 40 metros quadrados, que conta com a infraestrutura básica incorporada (divisões, estrutura e paredes contra-incêndio, banheiros, cozinha, escadas, coberturas) a qual se pode adicionar recintos ao longo do tempo. Não se trata somente de um caso exitoso a partir de um ponto de vista conceitual e de gestão de projetos, mas também têm como resultado um projeto estético aberto e diverso. A partir desta única ideia, pode-se originar mais de 100 variações.

Red Bull Basement promove palestra sobre urbanismo open source com Giselle Beiguelman

No dia 18 de novembro o projeto Red Bull Basement chega ao fim com uma palestra sobre urbanismo open source apresentada pela artista e professora Giselle Beiguelman. Nos anos 1990, os especialistas discutiam como apropriar-se das redes para tornar a cidade mais interativa. Hoje, com a capilarização da tecnologia, a aposta é em como utilizá-las para interferir no cotidiano das cidades, sem transformá-las em celas sem paredes, vigiadas eletrônica e remotamente. A discussão sobre “cidades inteligentes” cede espaço para a de urbanismo open source. A reinvenção das formas de ocupar as ruas está na pauta do dia e passa ter que levar em conta a dimensão pública e urbana do espaço informacional.

Paperhouses: Arquitetura de código aberto

“A Arquitetura não muda nada. Está sempre do lado dos mais ricos. O importante é acreditar que a vida pode ser melhor.” -- Oscar Niemeyer

Não importa o quanto tentemos negar, Niemeyer apresenta um argumento válido aqui. Arquitetura está quase sempre "do lado dos mais ricos"; a profissão, do modo como existe há mais de um século, raramente muda algo; e mesmo assim pode tornar a vida melhor, mesmo que apenas para alguns poucos.

Mas e se a arquitetura pudesse tornar a vida melhor para a maioria? E se arquitetura de qualidade, que apresente melhorias para a vida, fosse "de código aberto" e disponível para download na internet... de graça?

Bem, graças a Paperhouses isso já existe.