Quão pequena uma moradia pode ser? Uma visita às menores casas do mundo

O abrigo é uma questão primordial na Arquitetura. As formas de habitar e se relacionar com o espaço no qual vivemos cotidianamente é uma eterna discussão da disciplina que se propõe a trazer uma melhor qualidade de vida, mas também inovar nas questões do morar. Ao agregar outras camadas como especulação imobiliária, uma grande densidade habitacional em centros urbanos, a busca pelo nomadismo ou, até mesmo, a mera vontade de seguir uma tendência, o debate em torno das casas de pequena escala estão cada vez mais presentes. Com isso, nos perguntamos, qual o mínimo de área necessária para viver?

Lavanderia, um luxo dispensável – ou onde colocar a máquina de lavar na casa contemporânea?

Na arquitetura residencial, sempre houve espaços indispensáveis e outros que podemos ignorar. Ao projetar uma residência, nossa tarefa é basicamente configurar, conectar e integrar diferentes funções da forma mais eficaz e eficiente possível, obrigando-nos a priorizar. E embora hoje muitos apostem numa arquitetura cada vez mais fluida e indeterminada, poderíamos dizer que o dormitório, o banheiro e a cozinha são o núcleo fundamental de toda casa, permitindo o descanso, o preparo da comida e a higiene pessoal. Em seguida, surgem alguns espaços de reunião e outras áreas de serviço, e com eles possivelmente existem saguões, corredores e escadas que os conectam. Cada espaço agrega novas funções que seus moradores podem desempenhar com maior facilidade e conforto, e assim a vida começa a se desenvolver de forma mais adequada.

Casas brasileiras: 19 residências em terrenos estreitos

Adensamento e a demanda pelo solo urbano resultaram, entre outras coisas, na redução das dimensões dos lotes nas cidades. Grandes porções de terra, outrora destinadas a residências unifamiliares, passaram a receber edifícios onde vivem muitas famílias e, dependendo da localização, que contam em seus térreos com serviços e estabelecimentos comerciais. Construir uma casa em grandes centros urbanos não é fácil, e um dos motivos é a ausência de lotes para isso ou, quando existem, suas reduzidas dimensões.

Casas Irmãs / Daher Jardim Arquitetura

As casas irmãs são duas pequenas residências geminadas e espelhadas, cada uma tem 40m², estão localizadas em um bairro residencial de Brasília. A obra foi implantada de tal maneira que quem passa pela rua vê apenas uma parede branca que não revela o que acontece no seu interior, na outra direção as casas se abrem com grandes aberturas para o jardim, criando uma rica relação interior – exterior, e assim, possibilitando boa iluminação e ventilação dos espaços internos.

Vida e morte das Tiny Houses

A tendência das casas pequenas tem sido difícil de ignorar nos últimos anos. O mercado está cada vez mais saturado de programas de televisão e imagens do Pinterest dedicados ao tópico das micro-habitações, onde a casa é reduzida ao tamanho de um closet e cada cômodo assume uma função tripla. O que parece atraente na TV costuma ser muito menos desejável na vida real, e a medida que as pessoas desejam cada vez mais um estilo que as liberte dos bens materiais e da capacidade de viajar, o que isso significa para a realidade da construção de pequenas casas? É apenas uma fantasia que ninguém realmente vive e que foi prometida no mundo convencional?

Diluindo os limites entre arquitetura e desenho de mobiliário

Uma nova tendência de design, inserida entre os domínios da arquitetura e do design de interiores, está transformando a relação entre estas duas disciplinas ao estabelecer objetos capazes de definir e moldar nossos espaços interiores, criando ambientes dinâmicos e altamente flexíveis. Fugindo à qualquer tipo de categorização, tal prática está aproximando duas disciplinas historicamente não muito distantes: a arquitetura e o design. Com cada vez mais frequência nos deparamos com projetos que transitam entre a arquitetura em pequena escala e o design em grande escala, ou melhor, com objetos que não são nenhuma coisa nem outra, ou talvez, que sejam as duas coisas ao mesmo tempo. Quer seja uma consequência da crescente necessidade por espaços cada vez mais flexíveis e compactos ou de uma resposta arquitetônica aos novos desafios de uma sociedade cada dia mais digitalizada, estes projetos estão abrindo caminho para uma extrema versatilidade do espaço habitado.

Limitação física e qualidade espacial em apartamentos brasileiros com menos de 50m2

Soluções para apartamentos de pequena escala estão se tornando cada vez mais necessárias, haja vista a redução da área dos apartamentos que vêm sendo construídos nos centros das maiores cidades do país. O alto preço do solo, associado às legislações em vigor, tem estimulado a construção de unidades cada vez mais diminutas – o que pode, por vezes, ser associado a uma redução na qualidade de vida dos residentes. 

Habitações compactas e o futuro das cidades: uma entrevista com Gary Chang

Habitações compactas se tornaram a regra na maioria das grandes cidades do mundo. Altas densidades e o valor do solo nas áras urbanas tornou obrigatório que a maioria dos empreendimentos explorassem ao máximo a área edificável. O resultado disso são residências cada vez menores. Hong Kong talvez seja o caso mais extremo – com cerca de três quartos de seu território preservado como mata nativa, a porção restante é lar de mais 7 milhões de pessoas que vivem em um dos ambientes urbanos mais densos do planeta.

Habitações de pequena escala em Buenos Aires: espaço e luz no centro da quadra

Embora o tecido da cidade de Buenos Aires seja caracterizado por uma condição morfológica heterogênea e em constante transformação, dentro da gama de habitações de baixa densidade, é possível detectar certas tipologias constantes que emergiram da interação de sucessivas variáveis históricas - tais como as estratégias de loteamento das quadras, as regulamentações urbanas e suas correspondentes atualizações, ou as tradições construtivas daqueles que ergueram a cidade. Uma dessas tipologias identificáveis é o PH, cujo nome deriva da noção de Propriedade Horizontal, uma regulamentação que permitiu o desenvolvimento de residências particulares dentro de um mesmo lote.

Acupuntura urbana: requalificando espaços públicos por meio de intervenções locais

A acupuntura urbana é uma tática de design que promove a requalificação urbana em nível local, apoiando a ideia de que as intervenções no espaço público não precisam ser amplas e caras para produzirem um impacto transformador. Como alternativa aos processos convencionais de desenvolvimento, a acupuntura urbana representa um modelo adaptável para a renovação da cidade. Iniciativas altamente focadas e direcionadas ajudam a regenerar espaços negligenciados, ao implantar estratégias urbanas de forma incremental ou consolidar a infraestrutura social de uma cidade.

Arquitetura e experimentação: 7 projetos de pequena escala com materiais construtivos não usuais

Ir além do emprego daqueles materiais mais usuais na arquitetura requer um exercício de criatividade e experimentação na busca por novas possibilidades que sejam ao mesmo tempo eficientes e inusitadas. Projetos de pequena escala, em particular, são uma boa oportunidade para a experimentação destes materiais menos comuns na arquitetura por possuírem, entre outros fatores, menos cargas atuantes sobre as estruturas e ainda, em alguns casos, por possuírem um caráter temporário. De todo modo, o uso de materiais pouco usuais no âmbito da arquitetura de pequena escala pode abrir portas para o seu emprego em outros projetos, até mesmo naqueles de maiores dimensões.

A renovação dos Hutongs de Pequim: intervenções urbanas em pequena escala

Os hutongs são estruturas urbanas que atravessam séculos, preciosos exemplos da arquitetura vernacular chinesa e uma das principais testemunhas da transformação cultural e histórica do país. O nome ‘hutong’, na verdade, deriva de uma palavra em mongol que significa ‘poço d'água’. Era assim que se chamavam as pequenas vielas construídas ao longo da dinastia Yuan (1271–1368) na tentativa de traçar um tecido urbano mais regular que tanto facilitasse a gestão da propriedade da terra quando a eficiência dos fluxos.

Archigram e a distopia da habitação em pequena escala

Até os dias de hoje, não se sabe bem ao certo às origens do movimento “tiny” na arquitetura. Entretanto, se formos olhar mais à fundo a história da arquitetura e como nossos modos de vida foram se transformando ao longo do tempo, é possível encontrar algumas pistas sobre as bases e os princípios deste movimento, o qual vem ganhado força dia após dia, questionando os nossos excessos e promovendo um estilo de vida mais flexível e minimalista.

Pequenos escritórios: anexos que separam a casa dos espaços de trabalho

Trabalhar a partir de casa nos posibilita ter um horário flexível, além da economia com despesas de transporte e possbilidade de estar mais próximo da família. Mas as distrações podem tornar o trabalho em casa ineficiente. Torna-se portanto, fundamental separar os espaços usados para morar daqueles usados para trabalhar. Assim, criar um anexo é, na maioria dos casos, a solução perfeita.

6 Projetos de pequena escala e grande impacto social

O campo da arquitetura tem o potencial de, por meio do espaço construído, impactar as relações humanas em uma infinidade de maneiras. No caso particular dos projetos de pequena escala, o desafio de lidar com a mediação entre o espaço e as pessoas é aliado àquele de transpor a espaços reduzidos ideias capazes de impulsionar seu uso pelas pessoas. 

Portugal em pequena escala: 15 projetos de arquitetura com menos de 25m²

Fazer mais com menos em áreas cada vez mais enxutas é uma premissa que se mostra urgente na atuação de arquitetas e arquitetos, sobretudo quando se constrói em regiões urbanizadas onde o valor do solo é, muitas vezes, a maior condicionante econômica do projeto. Esta é uma verdade em países como Portugal, por exemplo, onde a disponibilidade de lotes urbanos é escassa e os imóveis disponíveis para remodelações são, em geral, pequenos.

Morando nas alturas: 7 habitações de até 65m² em sótãos, áticos e coberturas

Quando falamos em áticos e sotãos, é comum associarmos a espaços habitacionais - em residências e edifícios - subutilizados, como depósitos ou destinados exclusivamente a abrigar sistemas de infraestrutura. No entanto, ao pensarmos no atual reaproveitamento dos tradicionais áticos dos edifícios parisienses do século XIX em moradias, percebemos que estes espaços podem ser reimaginados e com criatividade abrigar espaços residenciais surpreendentes.