As autoridades de Los Angeles votaram para implementar o primeiro Park Block, um projeto-piloto que propõe uma malha viária livre de carros. A ideia é abrir o espaço público para pedestres e ciclistas, segundo a NBC Los Angeles. O plano se inspira nas superquadras de Barcelona, que propõe grupos quarteirões sem tráfego de automóveis no distrito de Eixample, liberando parte das ruas apenas para pedestres e trânsito local. Implementado em 2016, o projeto resultou na redução dos níveis de poluição do ar, ruído urbano e acidentes de trânsito.
Faleceu ontem, 7 de agosto, o arquiteto, crítico e curador Jean-Louis Cohen aos 74 anos. Reconhecido por sua extensa pesquisa no campo da arquitetura moderna e planejamento urbano, ocupava, desde 1994, a cátedra Sheldon H. Solow de História da Arquitetura na Universidade de Nova York. Cohen desempenhou o papel de curador em diversas exposições prestigiosas, incluindo algumas realizadas no Museum of Modern Art, no Canadian Centre for Architecture, no Centre Georges Pompidou, na Cité de l'Architecture et du Patrimoine e no MAXXI. Mais recentemente, na companhia da pesquisadora brasileira Vanessa Grossman, foi curador da exposição Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha, inaugurada em maio na Casa da Arquitectura de Portugal.
No verão de 2022, Iwan Baan completou uma peregrinação urbana pelas ruas de Praga, na República Tcheca. Durante sete dias, o fotógrafo registrou a cidade a pé, de bicicleta e de helicóptero, capturando a essência do tecido urbano, desde o centro até a periferia, além da paisagem ao longo do rio Vltava. Apresentando a cidade como uma entidade crua e muitas vezes negligenciada, Baan exibiu suas fotografias na exposiçãoIwan Baan: Prague Diary, realizada no ano passado no CAMP.
O estúdio Urban Radicals apresentou o pavilhão temporário “A Brick for Venice” (Um tijolo para Veneza) como parte do programa “Time Space Existence” do Centro Cultural Europeu, uma iniciativa paralela à Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023. Todas as paredes do pavilhão foram feitas com barro dos canais da cidade de Veneza. A instalação é o primeiro protótipo para o novo material de construção à base de resíduos desenvolvido pelo estúdio.
No competitivo mundo dos restaurantes — especialmente em um momento no qual os influenciadores estão ganhando cada vez mais controle sobre a esfera da alta gastronomia — criar uma experiência memorável de refeição é crucial para atrair e reter clientes. Enquanto fatores como qualidade da comida e serviço desempenham papéis cruciais para fazer com que os clientes voltem ao restaurante de sua escolha, o impacto que os interiores podem ter na longevidade do estabelecimento não deve ser negligenciado. Entre os vários elementos que contribuem para uma atmosfera memorável, a cor se destaca.
Transcender a ideia de um tempo progressivo, linear e ocidental. Criar estratégias de contorno, atravessar limites e escapar das impossibilidades colocadas pelo mundo. Atenta à “política de movimento e movimentos políticos entrelaçados nas expressões artísticas,” a 35ª Bienal de Artes de São Paulo - coreografias do impossívelapresenta, através da intervenção espacial e de sua lista de participantes, modos de se relacionar que expandem os aspectos culturais e sociais que demarcam o sentido – aparentemente insuperável – da crise que enfrentamos como sociedade.
Para se aprofundar em como as questões espacial, territorial e arquitetônica se colocam na próxima edição de uma das maiores e mais importantes exposições de arte do mundo, conversamos com o coletivo de curadores* formado por Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel.
O que é a cidade? E o contrário de mata. O contrário de natureza. A cidade é um território artificializado, humanizado. A cidade é um território arquitetado exclusivamente para os humanos. Os humanos excluíram todas as possibilidades de outras vidas na cidade. Qualquer outra vida que tenta existir na cidade é destruída. Se existe, é graças à força do orgânico, não porque os humanos queiram.
Fui criado numa casa de chão batido, onde andava descalço. As galinhas e os outros animais conviviam conosco dentro de casa. Quando uma galinha estercava na casa de chão batido, a parte úmida do esterco, das fezes da galinha, era absorvida pela terra. Tirávamos a parte sólida e jogávamos no quintal para servir de adubo. Para o povo da cidade, isso é um horror. Pisar as fezes da galinha? Impossível! Tem que ter uma cerâmica bem lisinha para poder enxergar qualquer outra vida, qualquer outro vivente que estiver ali, para poder desinfetar e matar qualquer microrganismo. Matar até o que não se vê. Para andar descalço, é preciso desinfetar o chão: a cerâmica foi criada porque os humanos não podem pisar a terra. Os calçados foram criados porque os humanos não podem pisar a terra. Porque a terra é o anseio original.
https://www.archdaily.com.br/br/1004170/cidades-e-cosmofobiaAntônio Bispo dos Santos