
As cidades são potencializadoras de encontros e oportunidades, atraindo pessoas em busca de maior escala e diversidade. Agora, sendo restritos os encontros, o que se escancara é a interdependência e a importância dos lugares onde se sustentam trocas e convívios. Explico-me a partir de algo simples, porém nem por isso menos significativo do momento: a maioria dos espaços públicos do Brasil — praças, parques, calçadas — quando existentes, são desertificados. Ou seja, não têm infra-estrutura para a permanência de pessoas.
Não é por acaso que a maioria dos espaços públicos do país sejam carentes de mobiliário urbano. Mobiliário urbano é um catalisador de vida urbana. E espaços sem permanência, com as pessoas usando-os só como passagem no dia que não pode parar, dão menos trabalho, menor gasto para a administração pública. Gerenciar uma cidade que é feita para acolher as pessoas dá muito mais trabalho do que uma cidade que as pessoas consomem como um simples trânsito necessário para a realização das urgências econômicas.
A qualificação dos espaços públicos passa por várias questões, como estarem preparados para a mobilidade ativa segura — sendo acessíveis e tendo calçadas largas, pavimentação adequada, espaços para pedestres e bicicletas; arborizados — funcionando também como infraestrutura drenante da cidade; e terem espaços e estruturas de apoio para descanso, esportes e atividades culturais e de lazer. Nesse último item que cito está incluído o mobiliário urbano. Bancos, mesas, quiosques, bebedouros, paraciclos, entre outros.
