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Álvaro Siza projeta pavilhão biomórfico em Xangai

Álvaro Siza projeta pavilhão biomórfico em Xangai

Há três palavras que há muito aguardavam ser reunidas: O Pavilhão Siza. A história começa com a marca de móveis CAMERICH e o Fórum do Aedes Architecture em busca de um visionário da arquitetura e do design de produtos. O vencedor do Prêmio Pritzker de 1992, Álvaro Siza, foi selecionado e contratado para desenhar um pavilhão para a Feira Internacional de Móveis da China (CIFF 2019).

Em 21 de fevereiro, Siza fez o primeiro esboço ao visitar o Hufeisensiedlung. Ninguém poderia imaginar um começo mais casual, com as curvas e cantos de Bruno Taut lentamente se abrindo nas sombras incertas da criação primitiva. Um segundo esboço surgiu após vagar pelas linhas antropomórficas de Picasso. O corpo unificado do pavilhão se partiu em vários membros, com um foyer remanescente do nariz de Dora Maar, em The Yellow Sweater, e pátios semelhantes aos espaços negativos de Blue Nude Skipping Rope.

Proposta de layout de exposição para CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Proposta de layout de exposição para CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza

A colagem de Matisse teve um efeito longo em Siza, desde quando começou a brincar com recortes de papel alumínio. Ela trouxe de volta a memória latente de seu Museu Iberê Camargo, no Brasil, e o brilho dos materiais isolantes expostos durante as obras. Álvaro Siza disse que um dia o tornaria visível e finalmente o fez. A pele externa do Pavilhão Siza é inteiramente feita de lã mineral com revestimento de papel alumínio, que não apenas serve de isolamento útil em áreas de tráfego intenso, mas é também extraordinariamente bonito em seu brilho suave e constante ilusão de cores, movimentos e silhuetas.

Colagem de folha de alumínio do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Colagem de folha de alumínio do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Modelo de alumínio do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Modelo de alumínio do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza

O reflexo metafísico de seus arredores contrasta com a abstração interior de seus planos de nuvens alvas. Grandes triângulos e trapézios parecem pairar 4 metros acima do chão, diafragmas que reconectam ângulos diferentes, dando sequência a um passeio cada vez mais largo. Desde a compressão inicial até a expansão do núcleo, a espinha dorsal do pavilhão exibe alguns dos móveis que Álvaro Siza fabricou ao longo de seus 86 anos.

Planta baixa da exposição para CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Planta baixa da exposição para CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza

O Pavilhão Carlos Ramos foi o primeiro e mais significativo pavilhão de Siza. Hoje, muitos de seus conceitos são destilados em Xangai: um monólito fragmentado pela geometria, onde a convergência oblíqua do pátio intencionalmente força a perspectiva, estreitando-se para gerar intimidade ou rompendo-se para diluir limites. O intrincado dobramento das paredes renuncia a qualquer pensamento de extrusão vertical e se concentra longitudinalmente nos cantos, em diálogo contínuo com os pilares de concreto preexistentes e os bancos de madeira maciça que mediam a amplitude dos pátios.

Modelo do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Modelo do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Modelo em papel - CamerichPavilion. 2019 © António Choupina
Modelo em papel - CamerichPavilion. 2019 © António Choupina

Sete portas pontuam esses pátios, permitindo a permeabilidade geral e criando pontos de entrada específicos além da cabeça deste pavilhão de 715 m². Eu digo "cabeça" devido ao seu caráter biomórfico. Um simples olhar para a planta baixa e você verá que ela se assemelha a algum tipo de animal: um tamanduá, um elefante ou talvez o gato que habita o escritório de Siza, esticando as patas e a cauda ao sol - como se a arquitetura se inclinasse em direção à evolução anti-entrópica.

Perspectiva 1 do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza
Perspectiva 1 do CamerichPavilion. 2019 © Álvaro Siza

Ficha Técnica

  • Arquiteto: Álvaro Siza Vieira
  • Gerente de Projeto: Cristina Ferreirinha
  • Colaboradora: Maria Souto de Moura
  • Arquiteto Consultor: António Choupina
  • Coordenador na China: Zhang Ke
  • Engenharia Estrutural: G.O.P. - Gabinete de Organização e Projectos, Lda., Jorge Amorim Nunes da Silva
  • Engenharia Elétrica: GPIC - Gabinete de Projetos, Consultoria e Instalações, Lda., Alexandre Ferreira Martins Cardoso Costa
  • Fabricantes portugueses de móveis: Carvalho, Batista & Cª, Sa., Osvaldo Matos SA Reg. C.R.C., Serafim Pereira Simões SUCRS, LDA
  • Localização: NECC - Centro Nacional de Exposições e Convenções, Shanghai
  • Cliente: CAMERICH
  • Área: 715m²
  • Ano: 2019
  • Abertura e simpósio do pavilhão: 8 de setembro de 2019
  • Coordenação: ANCB Laboratório Metropolitano Aedes, Hans-Jürgen Commerell, Kristin Feireiss, Christine Meierhofer, Miriam Mlecek
  • Gerenciamento: CAMERICH, Amanda Zhang, Peter Xu, Shirley Maggy Zeng Wang
  • Coordenado por: China International Furniture Fair, China Comércio Exterior Guangzhou Exposição General Corp., Grupo Macalline Estrela Vermelha, Exposição Macalline Co. do comércio exterior de China, Ltd.
  • Apoiado por: ASSC Architectural Society de Shanghai, China e Conselho CHHE de arranha-céus e habitats, Xangai
  • Parceiros Acadêmicos: Universidade de Tsinghua, Escola de Arquitetura, Pequim, e Universidade de Tongji, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Xangai

Galeria do Projeto

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Sobre este autor
Cita: António Choupina. "Álvaro Siza projeta pavilhão biomórfico em Xangai" 02 Set 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/924041/alvaro-siza-projeta-pavilhao-biomorfico-em-xangai> ISSN 0719-8906

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