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Sérgio Ferro: ensino, crítica e artes plásticas

Sérgio Ferro: ensino, crítica e artes plásticas
Sérgio Ferro: ensino, crítica e artes plásticas, <a href='https://www.flickr.com/photos/ilkapoc/8036680794/in/album-72157626415138782/'>© via Flickr Ilka Apocalypse </a>
© via Flickr Ilka Apocalypse

Sérgio Ferro completa hoje, 25 de Julho, seu 80º aniversário. Nascido em Curitiba, formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 1962, onde foi convidado por João Batista Vilanova Artigas a compor a equipe docente entre 1962 e 1970, na cadeira de Historia da Arte. Na área acadêmica também ministrou aulas na Universidade de Brasília (UnB) de 1969 a 1970. Multidisciplinar, a arquitetura é apenas uma de suas várias facetas, sendo também artista plástico.

Durante a ditadura estabelece relações ao Partido Comunista, defendendo a luta armada e confronto contra o regime ditatorial. Cumpre pena por um ano e, consequentemente, é afastado da Universidade de São Paulo e posteriormente, exilado na França, onde se estabelece em Grenoble e entre 1972 e 1989 dedica-se a lecionar na École Nationale Supérieure d'Architecture de Grenoble, realizando grande parte de seu trabalho como artista plástico.

Conjuntamente a Rodrigo Lefèvre e Flávio Império fundou o Grupo Arquitetura Nova na década de 1960. O grupo teve importante papel em instituir debates acerca do papel social do arquiteto e as relações de produção no canteiro de obras, a pesquisa de técnicas construtivas tradicionais e baratas, e a perspectiva de industrialização da construção civil. Durante a década de 1960, elaboraram projetos, sobretudo de residências de classe média e média alta, praticando a auto batizada "poética da economia": experiências construtivas relativamente simples, cuja otimização de procedimentos tinha como objetivo aumentar o produtividade e o acesso à arquitetura.

Residência Bernardo Issler <a href='http://www.arquigrafia.org.br/photos/1989'>© via Arquigrafia </a> Licença CC BY-NC-ND 3.0
Residência Bernardo Issler © via Arquigrafia Licença CC BY-NC-ND 3.0

Como profissional e estudioso retém de importante crítica na correlação entre projeto e canteiro de obras. Com uma longa pesquisa a temática ao longo de sua carreira, é autor dos livros O Canteiro e o Desenho (1979), Arquitetura e trabalho livre (2006) e Artes plásticas e trabalho livre (2015). No primeiro, discorre acerca da hierarquia entre profissionais e os processos pelo qual a alienação e extração da mais-valia ocorrem, defendendo a criatividade e libertação, tendo a arquitetura como serviço social. Para ele, o arquiteto e mestre de obras são os únicos que conhecem o desenho arquitetônico em sua integridade. Os demais trabalhadores recebem parciais orientações ao desenvolvimento, constituindo um trabalho alienado como resultado final. Propõe um trabalho mais livre e colaborativo, com melhores condições trabalhistas e no canteiro de obras.

Residência Bernardo Issler <a href='http://www.arquigrafia.org.br/photos/1991'>© via Arquigrafia </a> Licença CC BY-NC-ND 3.0
Residência Bernardo Issler © via Arquigrafia Licença CC BY-NC-ND 3.0

“Todo e qualquer objeto arquitetônico é o resultado do processo de valorização do capital. [...] O objeto arquitetônico, assim como a pá ou a arma, é fabricado, circula e é consumido, antes de tudo, como mercadoria” [1].

Acerca do processo como é disposto o canteiro de obras, pontua:

“No canteiro, os planos e memoriais – dos arquitetos, engenheiros, a equipe pluridisciplinar, tanto faz –, decodificados pelos mestres e comunicados como ordem de serviço, comandam o trabalho dividido. Nesse momento, não representam mais que uma forma particular de despotismo da direção capitalista. [...] A função fundamental do desenho de arquitetura é possibilitar a forma-mercadoria do objeto arquitetônico, que sem ele não seria atingida. [...] O que vale é que esse desenho fornece o solo, a coluna vertebral que a tudo conformará, no canteiro ou nas unidades produtoras de peças. Em particular – e o principal –, juntará o trabalho antes separado, e trabalho a instrumento. [...] Para nós, não há duvida possível, é porque o desenho deve ser heterônimo sob o capital que o canteiro existe, chega pronto e de fora. O desenho de arquitetura é caminho obrigatório para a extração da mais-valia e não pode ser separado de qualquer outro desenho para a produção”. [2]

Residência Bernardo Issler <a href='http://www.arquigrafia.org.br/photos/1995'>© via Arquigrafia </a> Licença CC BY-NC-ND 3.0
Residência Bernardo Issler © via Arquigrafia Licença CC BY-NC-ND 3.0

Na pintura, Sérgio Ferro abraça um conjunto de técnicas na concepção das obras: colagens, pintura, desenhos, sempre compondo telas figurativas, inspirado por alguns dos desenhos e pinturas de Michelangelo. Como artista já realizou murais e telas premiadas em concursos nacionais e internacionais.

Notas:
[1] FERRO in: AMARAL; FILHO.
[2] FERRO in: AMARAL; FILHO.

Referências Bibliográficas:
AMARAL, Cláudio Silveira; FILHO, Régis Alberto Guerini. Sérgio Ferro e John Ruskin. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.202/6487>. Acesso em 23 Abril 2018.

Sobre este autor
Cita: Matheus Pereira. "Sérgio Ferro: ensino, crítica e artes plásticas" 25 Jul 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/898895/sergio-ferro-ensino-critica-e-artes-plasticas> ISSN 0719-8906

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