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Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho

Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho
Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, via Foto divulgação_via Arquivo.arq
via Foto divulgação_via Arquivo.arq

Com o exponencial crescimento populacional paulistano na década de 1930 e o incentivo do mercado privado da construção civil, uma série de arquitetos foram convidados a projetarem edifícios com usos variados no centro da cidade. Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho foram os responsáveis pela concepção do Edifício Esther, ícone na primeira fase de verticalização da Praça da República. [1]

Em 1933, quando a cidade ultrapassou a marca de um milhão de habitantes, um considerável número de edifícios verticais passaram a ser construídos. [2] Em decorrência da expansão demográfica urbana e verticalização em massa entre os anos 30 e 40, o elevado preço dos aluguéis e valorização da terra na região do centro expandido marcaram transformações no quadro residencial e urbano. [3]

Vista aérea. Image via skyscrapercity.com_via Arquivo.arq
Vista aérea. Image via skyscrapercity.com_via Arquivo.arq

Os edifícios verticais que até então abrigavam em maior parte, tipologias comercial e de escritórios, restringindo a tipologia residencial verticalizada às classes mais baixas – projetos de interesse social e cortiços implicou resistência por parte da classe média em adaptar-se à ideia de ocupação.

O edifício implanta-se em um lote com 2.100 metros quadrados no perímetro conflagrado pela Avenida Ipiranga (frente), Ruas Sete de Abril e Basílio da Gama (laterais) e Rua Gabus Mendes (fundo)Erguido em frente à Praça da República.

via Foto divulgação_via Arquivo.arq
via Foto divulgação_via Arquivo.arq

Instituído em 1934, por meio de concurso organizado pelos proprietários e donos da Usina Açucareira Esther, com sede na cidade de Campinas, o projeto previa um edifício de uso misto, com salas comerciais, lojas e apartamentos. Na proposta de Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, que acabara de instalar escritório na cidade do Rio de Janeiro, responsáveis pelo desenvolvimento de variados projetos e tipologias seguindo parte dos preceitos corbusianos, os arquitetos optaram pela divisão do programa integral em dois blocos distintos: Edifício Esther e Edifício Arthur Nogueira, em virtude da divisão do lote pela criação da Rua Gabus Mendes, permitindo qualidades urbanas e espaciais.

via Foto divulgação_via Arquivo.arq
via Foto divulgação_via Arquivo.arq

Urbanisticamente, com a criação dos blocos distintos e aproveitamentos da legislação, isso permitiu maior e melhor fluxo dos pedestres, não obstruindo a circulação entre as ruas que ladeiam o prédio. Enquanto isso, do ponto de vista arquitetônico, possibilitou maior aproveitamento da iluminação natural e ventilação às células habitacionais.

Na proposta, o edifício com 10 andares (1º ao 3º pavimento – comercial e 4º ao 10º pavimento – residencial) e cerca de 8 mil metros quadrados edificados e distribuídos entre e 103 unidades aos escritórios e apartamentos, dispõe de plantas variadas, de dimensões mínimas à apartamentos dúplex – edifício pioneiro na conformação deste, junto à áreas abertas e descobertas como observa-se nos andares superiores, conduzindo uma série de inovações espaciais em resolução à problemática das tipologias, anteriormente questionadas pelo público.

No total de doze pavimentos – subsolo que abriga a garagem, térreo e outros dez pavimentos dedicados a salas comerciais e apartamentos, o acesso vertical é realizado por meio de cinco elevadores distribuídos linearmente pelo corredor que corta horizontalmente o bloco, além de volumes cilíndricos laterais com fechamentos em vidro que abrigam as escadas, permitindo a entrada de luz natural difusa. Na altura do quarto pavimento, as reentrâncias das varandas, num jogo de cheios e vazios, quebra o formalismo assumido. Na cobertura, além do ático, o coroamento ainda dispõe de apartamentos.

Plantas. Image via Foto divulgação_via Arquivo.arq
Plantas. Image via Foto divulgação_via Arquivo.arq

Estruturalmente, é pioneiro como edifício de uso comercial a utilizar a armação do concreto no território nacional [4], permitindo liberdade na planta e melhor disposição dos ambientes.

Seguindo influências plástico-estruturais apontadas por Le Corbusier, o edifício foi o primeiro a utilizar os princípios racionalistas (planta livre, pilares de seção circular, térreo sobre pilotis junto às galerias, escadas dispostas em volume cilíndrico envidraçado, terraço-jardim e janelas em fita), antecedendo o Ministério da Educação e Saúde (MEC) finalizado em 1936, ainda que o Esther tenha sido oficialmente concluído apenas em 1938. [5]

via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq
via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq

Na conformação plástica da fachada, a simetria que marca o rigor geométrico junto aos panos de vidro em abundância pelas janelas, sacadas e caixas de escada, emoldura a privilegiada vista à Praça.

via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq
via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq

Tombado em 1990 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), quinze anos após a saída da sede da Usina Açucareira do edifício, acarretando na interrupção ao processo de manutenção e parcial descaracterização ao projeto original. Na década de 1970, com o fim da Sociedade Predial Esther, e transferência dos custos em manutenção aos condôminos, passou por decadente processo. Somente com o tombamento que o declarou como “(...)um marco importante na paisagem e na história da arquitetura paulista (...)” [6], retomou ao uso original.

Notas
[1] (FIALHO, 2007, p.82).
[2] (LIRA, 2017, p.32).
[3] (LIRA, 2017, p.32).
[4] (FIALHO, 2007, p.82).
[5] (FIALHO, 2007, p.82).
[6] (SP Patrimônio)

Referências Biblográficas
Edifício Esther. Disponível em: <http://www.arquivo.arq.br/edificio-esther>. Acesso em: 02 Dez 2017.
Edifício Esther. Disponível em: <http://refugiosurbanos.com.br/casas-predios/edificio-esther/>. Acesso em: 02 Dez 2017.
Edifício Esther – Tombamento. Disponível em: <http://sppatrimonio.com.br/71-2/#!/loc=-23.543195978009013,-46.63879752159119,16>. Acesso em: 02 Dez 2017.
História do Edifício Esther – O primeiro prédio mixed do país. Disponível em: <http://www.marketingimob.com/2012/04/historia-imobiliaria-edificio-esther-o.html>.  Acesso em: 02 Dez 2017.
FIALHO, Roberto Novelli. Edifícios de escritórios na cidade de São Paulo. Tese (Doutorado). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Universidade de São Paulo. 2007. P.82-83, 223.
LIRA, José. O visível e o invisível na Arquitetura Brasileira. São Paulo: DBA, 2017. P. 32-33
XAVIER, Alberto; LEMOS, Carlos; CORONA, Eduardo. Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: Editora Pini, 1983. P.04

  • Localização

    R. Basílio da Gama, 29 - República, São Paulo - SP, 01046-020, Brasil
  • Construção:

    ARN Soc. Construtora
  • Área Do Terreno:

    2100.0 m²
  • Área

    8000.0 m2
  • Ano do projeto

    1938

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Matheus Pereira. "Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho" 01 Fev 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/888147/classicos-da-arquitetura-edificio-esther-alvaro-vital-brasil-e-adhemar-marinho> ISSN 0719-8906