O site de arquitetura mais visitado do mundo
Tudo
Projetos
Produtos
Eventos
Concursos
  1. ArchDaily
  2. Projetos
  3. Residencial
  4. Brasil
  5. 1938
  6. Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho

Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho

Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho
Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, Cortesia de Arquivo.arq
Cortesia de Arquivo.arq

Este artigo foi originalmente publicado em 01 de fevereiro de 2018. Para ler sobre outros projetos icônicos de arquitetura, visite nossa seção Clássicos da Arquitetura.

Com o exponencial crescimento populacional paulistano na década de 1930 e o incentivo do mercado privado da construção civil, uma série de arquitetos foram convidados a projetarem edifícios com usos variados no centro da cidade. Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho foram os responsáveis pela concepção do Edifício Esther, ícone na primeira fase de verticalização da Praça da República. [1]

Em 1933, quando a cidade ultrapassou a marca de um milhão de habitantes, um considerável número de edifícios verticais passaram a ser construídos. [2] Em decorrência da expansão demográfica urbana e verticalização em massa entre os anos 30 e 40, o elevado preço dos aluguéis e valorização da terra na região do centro expandido marcaram transformações no quadro residencial e urbano. [3]

Vista aérea. Image via skyscrapercity.com_via Arquivo.arq
Vista aérea. Image via skyscrapercity.com_via Arquivo.arq

Os edifícios verticais que até então abrigavam em maior parte, tipologias comercial e de escritórios, restringindo a tipologia residencial verticalizada às classes mais baixas – projetos de interesse social e cortiços implicou resistência por parte da classe média em adaptar-se à ideia de ocupação.

O edifício implanta-se em um lote com 2.100 metros quadrados no perímetro conflagrado pela Avenida Ipiranga (frente), Ruas Sete de Abril e Basílio da Gama (laterais) e Rua Gabus Mendes (fundo)Erguido em frente à Praça da República.

Cortesia de Arquivo.arq
Cortesia de Arquivo.arq

Instituído em 1934, por meio de concurso organizado pelos proprietários e donos da Usina Açucareira Esther, com sede na cidade de Campinas, o projeto previa um edifício de uso misto, com salas comerciais, lojas e apartamentos. Na proposta de Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, que acabara de instalar escritório na cidade do Rio de Janeiro, responsáveis pelo desenvolvimento de variados projetos e tipologias seguindo parte dos preceitos corbusianos, os arquitetos optaram pela divisão do programa integral em dois blocos distintos: Edifício Esther e Edifício Arthur Nogueira, em virtude da divisão do lote pela criação da Rua Gabus Mendes, permitindo qualidades urbanas e espaciais.

Cortesia de Arquivo.arq
Cortesia de Arquivo.arq

Urbanisticamente, com a criação dos blocos distintos e aproveitamentos da legislação, isso permitiu maior e melhor fluxo dos pedestres, não obstruindo a circulação entre as ruas que ladeiam o prédio. Enquanto isso, do ponto de vista arquitetônico, possibilitou maior aproveitamento da iluminação natural e ventilação às células habitacionais.

Na proposta, o edifício com 10 andares (1º ao 3º pavimento – comercial e 4º ao 10º pavimento – residencial) e cerca de 8 mil metros quadrados edificados e distribuídos entre e 103 unidades aos escritórios e apartamentos, dispõe de plantas variadas, de dimensões mínimas à apartamentos dúplex – edifício pioneiro na conformação deste, junto à áreas abertas e descobertas como observa-se nos andares superiores, conduzindo uma série de inovações espaciais em resolução à problemática das tipologias, anteriormente questionadas pelo público.

No total de doze pavimentos – subsolo que abriga a garagem, térreo e outros dez pavimentos dedicados a salas comerciais e apartamentos, o acesso vertical é realizado por meio de cinco elevadores distribuídos linearmente pelo corredor que corta horizontalmente o bloco, além de volumes cilíndricos laterais com fechamentos em vidro que abrigam as escadas, permitindo a entrada de luz natural difusa. Na altura do quarto pavimento, as reentrâncias das varandas, num jogo de cheios e vazios, quebra o formalismo assumido. Na cobertura, além do ático, o coroamento ainda dispõe de apartamentos.

Plantas. Image Cortesia de Arquivo.arq
Plantas. Image Cortesia de Arquivo.arq

Estruturalmente, é pioneiro como edifício de uso comercial a utilizar a armação do concreto no território nacional [4], permitindo liberdade na planta e melhor disposição dos ambientes.

Seguindo influências plástico-estruturais apontadas por Le Corbusier, o edifício foi o primeiro a utilizar os princípios racionalistas (planta livre, pilares de seção circular, térreo sobre pilotis junto às galerias, escadas dispostas em volume cilíndrico envidraçado, terraço-jardim e janelas em fita), antecedendo o Ministério da Educação e Saúde (MEC) finalizado em 1936, ainda que o Esther tenha sido oficialmente concluído apenas em 1938. [5]

via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq
via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq

Na conformação plástica da fachada, a simetria que marca o rigor geométrico junto aos panos de vidro em abundância pelas janelas, sacadas e caixas de escada, emoldura a privilegiada vista à Praça.

via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq
via leon Liberman_Acrópole, nº1, p.54-66, Maio 1938 (CC BY-NC-ND 4.0)_via Arquivo.arq

Tombado em 1990 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), quinze anos após a saída da sede da Usina Açucareira do edifício, acarretando na interrupção ao processo de manutenção e parcial descaracterização ao projeto original. Na década de 1970, com o fim da Sociedade Predial Esther, e transferência dos custos em manutenção aos condôminos, passou por decadente processo. Somente com o tombamento que o declarou como “(...)um marco importante na paisagem e na história da arquitetura paulista (...)” [6], retomou ao uso original.

Notas
[1] (FIALHO, 2007, p.82).
[2] (LIRA, 2017, p.32).
[3] (LIRA, 2017, p.32).
[4] (FIALHO, 2007, p.82).
[5] (FIALHO, 2007, p.82).
[6] (SP Patrimônio)

Referências Biblográficas
Edifício Esther. Disponível em: <http://www.arquivo.arq.br/edificio-esther>. Acesso em: 02 Dez 2017.
Edifício Esther. Disponível em: <http://refugiosurbanos.com.br/casas-predios/edificio-esther/>. Acesso em: 02 Dez 2017.
Edifício Esther – Tombamento. Disponível em: <http://sppatrimonio.com.br/71-2/#!/loc=-23.543195978009013,-46.63879752159119,16>. Acesso em: 02 Dez 2017.
História do Edifício Esther – O primeiro prédio mixed do país. Disponível em: <http://www.marketingimob.com/2012/04/historia-imobiliaria-edificio-esther-o.html>. Acesso em: 02 Dez 2017.
FIALHO, Roberto Novelli. Edifícios de escritórios na cidade de São Paulo. Tese (Doutorado). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Universidade de São Paulo. 2007. P.82-83, 223.
LIRA, José. O visível e o invisível na Arquitetura Brasileira. São Paulo: DBA, 2017. P. 32-33
XAVIER, Alberto; LEMOS, Carlos; CORONA, Eduardo. Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: Editora Pini, 1983. P.04

  • Localização

    R. Basílio da Gama, 29 - República, São Paulo - SP, 01046-020, Brasil
  • Construção:

    ARN Soc. Construtora
  • Área Do Terreno:

    2100.0 m²
  • Área

    8000.0 m2
  • Ano do projeto

    1938

Ver a galeria completa

Localização do Projeto

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Sobre este escritório
Cita: Matheus Pereira. "Clássicos da Arquitetura: Edifício Esther / Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho" 28 Dez 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/888147/classicos-da-arquitetura-edificio-esther-alvaro-vital-brasil-e-adhemar-marinho> ISSN 0719-8906

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.