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A arborização do bairro de Ipanema e a criação de identidades paisagísticas

A arborização do bairro de Ipanema e a criação de identidades paisagísticas
A arborização do bairro de Ipanema e a criação de identidades paisagísticas, Oitis (Licania tomentosa) na Rua Nascimento Silva. Image © Gabriel Pedrotti
Oitis (Licania tomentosa) na Rua Nascimento Silva. Image © Gabriel Pedrotti

Uma recente pesquisa realizada por Sá & Almeida Paisagismo, no bairro de Ipanema, na zonal sul do Rio de Janeiro, revela interessantes características sobre o projeto original de sua arborização urbana.

Motivado pelo interesse na forma pela qual o bairro foi arborizada e a importância das árvores para sua qualidade ambiental e urbanística, o estudo mostrou características comuns do projeto de paisagismo em todo o bairro. De acordo com a pesquisa, cada rua longitudinal, paralela à orla da praia, foi arborizada com uma espécie de árvore, gerando uma cobertura vegetal específica, conformando de identidades visuais e espaciais diferenciadas para cada via.

Há alguns anos, uma doença atingiu as Cássias da Rua Barão da Torre, o que levou ao corte de inúmeras árvores. Sua ausência revelou uma outra paisagem, um outro lugar, que perdeu grande parte de sua qualidade e identidade. Edifícios de diferentes épocas, alturas e recuos, resultantes de legislações urbanísticas diversas, formam um perfil heterogêneo e fragmentado na espacialidade das ruas. É a sua arborização que cria um sentido de unidade espacial, perdida momentaneamente, com a retirada das árvores acima citadas. 

Vista aérea de Ipanema. Image via Google Earth
Vista aérea de Ipanema. Image via Google Earth

Uma interessante característica paisagística do bairro, além da arborização intensiva, é a forma como foi concebido o plantio das árvores. Cada rua se caracteriza por uma ambientação completamente diferente da outra, colaborando para o sentido de identidade, referência e orientação para as pessoas. As espécies são bastante distintas tanto no formato de suas copas, como nos tipos de troncos, nas folhas e floração.

As ruas perpendiculares à praia, diferentemente daquelas paralelas, foram todas arborizadas com a mesma espécie: a popular amendoeira-da-praia (Terminalia catappa), também conhecida como sete-copas ou ainda chapéu-de-sol. Essas ruas canalizam o vento do mar carregados de salinidade, esta espécie é bastante resistente à esta condição. Nas duas grandes praças do bairro - Praça General Osório e Nossa Senhora da Paz  - todo o perímetro foi marcado por unidades da mesma espécie, numa delas foi utilizado a Ficus religiosa e na outra as Amendoeiras, conformando assim características próprias.

Espécies Utilizadas na Arborização de Ipanema
Espécies Utilizadas na Arborização de Ipanema

Das sete espécies utilizadas, apenas duas são nativas do Brasil: os tradicionais Oitis (Licania tomentosa), espécie da Mata Atlântica, endêmica do Brasil [1] e largamente utilizada na arborização de vias de cidades do sudeste brasileiro. Esta árvore frutífera é considerada uma das mais resistentes ao plantio em meios urbanos, e por isso configuram a rua mais íntegra em relação à arborização - Rua Nascimento Silva [2], com dossel de suas copas bem demarcado. A outra espécie nativa é a monguba [3], (Pachira aquatica), espécie de origem da América do Sul amazônica, com frutos e floração de aroma marcante e utilizada aqui na Rua Visconde de Pirajá.

Floração da Monguba. Image via Sá & Almeida Paisagismo
Floração da Monguba. Image via Sá & Almeida Paisagismo

As outras espécies identificadas são Cássia-de-sião (Senna siamea), de origem asiática; Flamboyant (Delonix regia) tem origem na África tropical e Madagascar; e ainda as figueiras Ficus religiosa, originária do sul e sudeste asiático e a Ficus benjamina, também de origem asiática. Na época da concepção do projeto ainda não existia a atual abordagem em relação a se utilizar preferencialmente árvores nativas em projetos desta natureza; o apelo maior era para o embelezamento e o sombreamento.

Mapa da Arborização de Ipanema
Mapa da Arborização de Ipanema

Na imagem acima, é possível identificar a distribuição das espécies sobre o mapa original do loteamento do bairro, onde fica evidente a caracterização do projeto. Cabe ressaltar que duas das ruas longitudinais foram abertas posteriormente ao parcelamento original, e por isso não estão representadas no mapa da ilustração, a Rua Redentor e Rua Barão de Jaguaripe. Estas não obedecem à concepção original do projeto de arborização, e hoje em dia apresentam as mesmas amendoeiras apesar de serem ruas longitudinais.

Ipanema - Vista aérea no início do século XX - Acervo Biblioteca Nacional. Image via Sá & Almeida Paisagismo
Ipanema - Vista aérea no início do século XX - Acervo Biblioteca Nacional. Image via Sá & Almeida Paisagismo

É sabido que o projeto de urbanização é do final do séc XIX, mas não foi possível identificar a data do projeto de arborização. Possui com um forte sentido de identidade, que infelizmente foi sendo desfigurado ao longo dos anos pelo plantio de outras espécies que modificaram o projeto original e reduziram seu impacto visual.

Notas

[1] http://reflora.jbrj.gov.br/jabot/FichaPublicaTaxonUC/FichaPublicaTaxonUC.do?id=FB16815
[2] Foi feita uma ampla pesquisa em diversas instituições, mas não foi possível obter ilustrações botânicas de uma das árvores mais características do Rio de Janeiro, e original da Mata Atlântica: o Oiti, Licania tomentosa. Por isso a imagem indicada é do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro: goo.gl/DCLGxB
[3] goo.gl/PPzNaE

via Sá & Almeida Paisagismo

Floração do Flamboyant. Image via Sá & Almeida Paisagismo
Floração do Flamboyant. Image via Sá & Almeida Paisagismo

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Sobre este autor
Gabriel Pedrotti
Autor
Cita: Gabriel Pedrotti. "A arborização do bairro de Ipanema e a criação de identidades paisagísticas" 31 Out 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/881922/a-arborizacao-do-bairro-de-ipanema-e-a-criacao-de-identidades-paisagisticas> ISSN 0719-8906