O site de arquitetura mais visitado do mundo
i

Inscreva-se agora e organize a sua biblioteca de projetos e artigos de arquitetura do seu jeito!

Inscreva-se agora para salvar e organizar seus projetos de arquitetura

i

Encontre os melhores produtos para o seu projeto em nosso Catálogo de Produtos

Encontre os produtos mais inspiradores do nosso Catálogo de Produtos

i

Instale o ArchDaily Chrome Extension e inspire-se a cada nova aba que abrir no seu navegador. Instale aqui »

i

En todo el mundo, arquitectos están encontrando maneras geniales para reutilizar edificios antiguos. Haz clic aquí para ver las mejores remodelaciones.

Quer ver os melhores projetos de remodelação? Clique aqui.

i

Mergulhe em edifícios inspiradores com nossa seleção de 360 ​​vídeos. Clique aqui.

Veja nossos vídeos imersivos e inspiradores de 360. Clique aqui.

Tudo
Projetos
Produtos
Eventos
Concursos
Navegue entre os artigos utilizando o teclado
  1. ArchDaily
  2. Projetos
  3. Clássicos da Arquitetura: Casa Malaparte / Adalberto Libera

Clássicos da Arquitetura: Casa Malaparte / Adalberto Libera

Clássicos da Arquitetura: Casa Malaparte / Adalberto Libera
Clássicos da Arquitetura: Casa Malaparte / Adalberto Libera, © Flickr User: Sean Munson
© Flickr User: Sean Munson

A Casa Malaparte, construída em 1938 pelo arquiteto racionalista Adalberto Libera, em Punta Massullo na Ilha de Capri, Itália, é considerada como um dos melhores exemplos da arquitetura moderna italiana. A casa, um paralelepípedo vermelho com escadas piramidais inversas, implanta-se a 32 metros sobre um penhasco no Golfo de Salerno. Encontra-se completamente isolada da civilização, somente acessível a pé ou de barco.

A casa foi encomendada por Cruzio Malaparte, célebre escritor italiano, cujo caráter excêntrico o levou a apropriar-se completamente do processo criativo de projeto, causando sérios conflitos com Libera. Para Malaparte, a casa deveria refletir seu caráter, um lugar para a escrita solitária e a contemplação; ele descrevia como, "agora vivo em uma ilha, em uma casa austera e melancólica, que foi construída em um penhasco solitário sobre o mar. A imagem do meu anseio".

© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha.  Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick  (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella) © Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha.  Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick  (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella) © Karl Lagerfeld © Flickr User: John Athayde + 15

Esta obra poderia ser interpretada como um híbrido da arquitetura clássica e a moderna. Clássica em sua imponente monumentalidade e moderna em sua escala doméstica funcional que oferece refúgio e controle sobre a vasta paisagem. Nessa diferença de escalas é que se cria certa dualidade na casa, no modo que interage com a natureza e como se apresenta ao visitante.

© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha.  Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick  (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)
© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha. Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)

A Casa Malaparte possui uma qualidade plástica de objeto, é a geometria a que regula a ordem do projeto, não seu contexto. Isso cria uma linguagem alheia ao seu entorno, afastando-se dele, impondo suas próprias regras e dotando-a de um caráter monumental. Ainda assim, cria uma relação harmônica com a natureza, não interrompe seu entorno, mas mescla-se com ele. Isso se vê reforçado na escolha dos materiais, rejeitando o uso do concreto - tão característico de outras construções modernas da época - a Casa Malaparte foi construída com pedra local extraída do próprio terreno. Como resultado, é como se a casa tivesse surgido a partir da mesma paisagem em que se situa, as escadas parecem exceder da falésia, criando uma nova altura sobre ela.

© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha.  Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick  (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)
© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha. Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)

O interior da casa se desenvolve de uma forma muito hermética, separando-se do exterior, a casa se expande em seu interior de forma completamente independente. Distribui-se em três níveis que variam em largura. No pavimento inferior encontra-se a área de serviços, adegas e lavanderia; no primeiro piso está o acesso da casa pela fachada sudoeste, a cozinha e os dormitórios de hóspedes. O último pavimento apresenta-se como o apartamento de Malaparte, um mundo único em si mesmo. A metade deste está ocupado por um amplo espaço de estar, marcado por quatro janelas que trazem a presença da paisagem exterior. A outra metade contém as duas habitações principais que conectam a um estúdio situado na frente da casa.
O programa habitacional é desenvolvido em uma distribuição retilínea, privilegiando as vistas transversais dos espaços interiores, gerando uma sequência horizontal das habitações. Tanto assim que no piso superior os corredores são eliminados, obrigando a passagem de um recinto ao outro.

© Flickr User: John Athayde
© Flickr User: John Athayde

Sobre a casa encontra-se uma ampla escada que conduz ao solarium, um novo piso que parece extender-se ao horizonte. Este espaço mantém-se completamente alheio ao restante da casa e não é acessível desde os espaços internos. Apresenta-se como escadas em linha reta, sem corrimões ou paredes que contaminem a pureza geométrica da obra ou protejam contra a vertigem. É nessa promenade architecturale que se manifesta, em seu máximo esplendor, a monumentalidade da Casa Malaparte. A escada apresenta-se como um "ritual" de chegada ao solarium, onde finalmente a paisagem desdobra-se em sua totalidade ante o visitante.

© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha.  Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick  (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)
© Gloria Saravia Ortiz. PhD Arquiteta UPC Barcelona Espanha. Acadêmica Escola de Arquitetura Pontíficia Universidade Católica do Chile. Levantamento realizado em 2009 baseado na planimetria de Joel Bostick (Lotus International 1989) e Angelo Broggi (Planimetria 1993-96 Casabella)

Depois da morte de Crucio Malaparte em 1957, a casa, como outras grandes obras modernas - como a Villa Savoye de Le Corbusier, o E-1027 de Eileen Gray - acabou completamente abandonada, passando grande parte do século XX em um estado de total deterioração. Em 1961, Jean-Luc Godard gravou seu aclamado filme O Desprezo (Le Mepris) na Casa Malaparte. A arquitetura adquire um papel protagonista e passa a estar muito ligada ao roteiro do filme.

Foi entre o final dos anos 80 e o início dos 90 que se iniciaram trabalhos de reconstrução e restauro da Casa Malaparte. Estes foram liderados por Niccolò Rositani, sobrinho-neto de Crucio, voltando a proporcionar visitação pública para a casa. Em 1980, John Hejduk descreveu-a na revista Domus 605: "A Casa Malaparte de Libera é privada. É uma casa de paradoxos. É um objeto que consome. Está cheia de histórias sem contrapartidas. É uma relíquia deixada em um pináculo após os mares colapsarem. É um sarcófago de gritos suaves. Sussurro dos destinos inevitáveis ".

REFERÊNCIAS:
Saravia, G. Los dos mundos en Casa Malaparte. Revista Dearq. 2010
Garofalo, F y Veresane, L. Adalberto Libera. 1989

  • Arquitetos

  • Localização

    Villa Malaparte, 80073 Capri, Itália
  • Cliente

    Curzio Malaparte
  • Cantero Local

    Adolfo Amitrano
  • Área

    450 m²
  • Ano do Projeto

    1938

Ver a galeria completa

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Sobre este escritório
Adalberto Libera
Escritório
Cita: Yunis, Natalia. "Clássicos da Arquitetura: Casa Malaparte / Adalberto Libera" [Clásicos de Arquitectura: Casa Malaparte / Adalberto Libera] 14 Nov 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/799350/classicos-da-arquitetura-casa-malaparte-adalberto-libera> ISSN 0719-8906