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O que é preciso para um bom projeto? Um guia para participações em concursos

O que é preciso para um bom projeto? Um guia para participações em concursos
O que é preciso para um bom projeto? Um guia para participações em concursos, Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan
Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan

O texto a seguir foi extraído do 'Design Review’, escrito por Peter Stewart para a Comissão de Arquitetura e Ambiente Construído (CABE, em sua sigla em inglês), em 2002. Na época do Festival Mundial de Arquitetura, cujos finalistas foram anunciados recentemente, Stewart dá algumas dicas do que é preciso para um bom projeto que seja competitivo.

O arquiteto romano Vitruvius sugeriu que as principais qualidades dos edifícios bem projetados são "estabilidade, utilidade e beleza" [firmitas, utilitas, venustas]:

  • Utilidade – edifícios devem servir o propósito para o qual foram projetados
  • Estabilidade – devem ser solidamente construídos e duráveis
  • Beleza – devem ter boa aparência; seu projeto deve agradar o olho e a mente.

Estes três critérios permanecem como uma base para o julgamento de arquitetura hoje em dia, do mesmo modo quando foram concebidos. Assim como cada decisão de projeto afeta muitas pessoas, os três critérios estão interligados com o processo de desenho. Muitos aspectos de um projeto que devem ser levados em conta quando avaliados estão intimamente relacionados com os três. Incluindo:

Ordem

Ordem na arquitetura, escreveu Geoffrey Scott no 'A Arquitetura do Humanismo' (1914), . . . nos permite interpretar o que vemos com grande clareza; torna a forma inteligível fazendo ela coerente, satisfaz o desejo da mente, humaniza a arquitetura.

Ordem pode se manifestar através de simetria (ou assimetria) e equilíbrio; através da repetição de elementos organizacionais ou estruturais como o grid, o quadro ou a baía; e através da ressonância entre elementos de diferentes escalas.

Claridade de organização
Se a organização da planta e corte é clara, o restante do projeto vai assumir seu lugar natural.

Expressão e Representação
A aparência de um edifício pode nos revelar algo do propósito que serve; sobre seu lugar na ordem da cidade; sobre como é organizado e montado.

Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan
Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan

Adequação da Ambição Arquitetônica
A arquitetura pode ser muito ruidosa ou silenciosa. Há lugares para fogos de artifício e lugares para a tranquilidade dentro do ambiente construído - em relação tanto com o contexto de um projeto quanto com seu propósito e status.

Integridade e Honestidade
O que se vê é o que se tem? Se sim, as plantas, cortes, fachadas e detalhes irão  se relacionar visualmente uns com os outros, construindo uma imagem coerente do projeto. 

Linguagem Arquitetônica
O desenho de um edifício envolve escolhas sobre questões de expressá-lo primeiramente como uma parede ou uma estrutura, sobre padrões de sólidos e vazios e luz e sombra, e assim por diante. Em um bom projeto, tais escolhas irão parecer atraente e inevitáveis, com uma relação reconhecível ao conceito mais amplo do projeto e sua implantação, tais escolhas frequentemente podem parecer arbitrárias.

Conformidade e Contraste 
Um bom arquiteto vai considerar a relação de um projeto com seu contexto. Isso não implica que um dos objetivos de um projeto deveria necessariamente "se encaixar", em seu pior, isso pode ser um pouco além de uma desculpa para mediocridade. Diferença e variedade podem ser virtudes em novas propostas de mesma maneira que conformidade e mesmice, e claro, diferentes contextos que podem ser mais ou menos uniforme em sua natureza.

Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan
Vencedor do World Building of the Year de 2015: The Interlace (Singapura) / OMA e Ole Scheeren. Imagem © Iwan Baan

Orientação, Prospecto e Aspecto
A orientação de um edifício deveria levar em conta as implicações em seus gastos energéticos assim como as questões urbanas. Em relação a prospecto e aspecto, o projeto deve considerar o que acontece em diferentes horas do dia e noite e em diferentes épocas do ano. A vista da janela e as oportunidades de ver o céu e sentir como está o tempo são tão importantes em edifícios de escritórios e hospitais como são em edifícios residenciais.

Detalhamento e Materiais
A qualidade das plantas, cortes e fachadas deve ser levada ao nível do detalhe - é decepcionante ver um projeto promissor falhar por causa da falta de refinamento de seus detalhes. A escolha dos materiais é igualmente importante e se relaciona ao entendimento do contexto assim como as questões de manutenção, durabilidade, sustentabilidade e a maneira que pode se esperar que o edifício envelheça.

Estrutura, Serviços Ambientais e Uso Energético
Em um edifício de qualquer complexidade, estes aspectos do projeto devem ser levados adiante como parte integral do esquema de desenho desde o princípio. Em um projeto bem desenhado, é provável que as estratégias para lidar com estes aspectos serão evidentes a partir das plantas, cortes e fechadas.

Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de  March Studio
Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de March Studio

Flexibilidade e Adaptabilidade
Os propósitos de um edifício provavelmente irão mudar ao longo de sua vida útil. A tecnologia incorporada nele também. Um bom projeto será flexível (capaz de acomodar exigências de mudanças sem grandes alterações) e adaptável (capaz de ser alterado ou estendido de maneira conveniente onde necessário for). 

Sustentabilidade
Um bom projeto deve utilizar os recursos naturais com responsabilidade.

Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de  March Studio
Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de March Studio

Por último, não devemos ter receio de nos perguntar sobre o edifício: Ele é bonito? Se sim, então o elevamento dos espíritos resultante será uma contribuição tão valiosa para o bem-estar público como é lidar com os requisitos funcionais do programa do edifício com êxito.

Questões importantes:

  • As decisões de projeto estão de acordo com as necessidades funcionais do programa?
  • Os usuários do edifício - de todos os tipos - estarão satisfeitos com este desenho?
  • É provável que o projeto garanta o reforço da eficiência das operações contidas no edifício?
  • Um desconhecido ou visitante pode encontrar a entrada e então seguir seu caminho dentro do edifício? A orientação é clara o suficiente para dispensar sinalização ou mapas?
  • As plantas, cortes, fachadas e detalhes podem ser lidos como um só, visivelmente relacionados uns aos outros e destacando as ideias do projeto?
  • O projeto demonstra que pensar sobre as necessidades estruturais, do processo construtivo e serviços ambientais foi uma parte integral do processo de desenho? Existem evidências que as diferentes disciplinas de projeto estão trabalhando como uma equipe?
  • O edifício vai se adaptar facilmente quando as necessidades de seus usuários mudarem? As plantas são adequadas para outros usuários no futuro? 
  • O projeto leva em conta custos permanentes?
  • Como o projeto vai se parecer em diferentes condições? No sol, na chuva, a noite, ou durante as estações do ano? Vai envelhecer com graça?
  • É possível imaginar o edifício se tornando uma boa referência para seu entorno? 

Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de  March Studio
Vencedor de 2015: Hotel Hotel Lobby e Nishi Grand Stair Interior / March Studio. Imagem Cortesia de March Studio

Alguns alertas:

  • Falta de evidência do compromisso do cliente para um resultado de qualidade,
  • Falta de instruções claras,
  • Objetivos contraditórios,
  • Falta de viabilidade, projetos podem prometer mais que alguém acredite que possam realmente entregar,
  • Evidência nenhuma do entendimento da natureza do terreno,
  • Análise do contexto adequada, mas nenhuma evidência que orientou o desenho,
  • Projetos que parecem maldosos ou obstrusivos em sua abordagem ao domínio público,
  • Falta de claridade sobre o que é público e o que é privado, 
  • Projetos difícieis de se resolver a partir dos desenhos que é proposto de verdade: se existe confusão no papel é provável que corresponda a confusão na realidade, 
  • Falta de esforço em proporcionar ilustrações claras e realistas de qual a aparência real do projeto
  • Falta de esforço em ilustrar o projeto em um contexto e
  • Falta de esforço em demonstrar a abordagem ao projeto paisagístico quando é importante.

Via World Architecture Festival

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Sobre este autor
AD Editorial Team
Autor
Cita: AD Editorial Team. "O que é preciso para um bom projeto? Um guia para participações em concursos" [What Makes a Good Project? A Guide to Successful Competition Entries] 12 Jul 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Santiago Pedrotti, Gabriel) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/790989/what-makes-a-good-project-a-guide-to-successful-competition-entries> ISSN 0719-8906