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12 lições de como montar um portfólio de arquitetura

12 lições de como montar um portfólio de arquitetura
12 lições de como montar um portfólio de arquitetura

Conseguir um emprego ou estágio em um escritório de arquitetura não depende apenas de suas habilidades como arquiteto (ou estudante), mas também o modo como você expõe suas habilidades tem um papel essencial. Em um momento de grande competitividade profissional e currículos cada vez mais internacionalizados, montar um portfólio pode parecer uma tarefa árdua e muitas vezes intrincada: quais projetos colocar? Que informações pessoais inserir? Devo mostrar meus trabalhos acadêmicos em portfólios profissionais? 

O arquiteto Gabriel Kogan compartilhou conosco uma lista de doze lições de como montar um bom portfólio de arquitetura, com dicas que vão desde a atenção ao design gráfico até o tipo de informação pessoal e o conteúdo que devem constar no seu currículo. Leia, a seguir, as orientações e caso conheça alguma outra dica, compartilhe com os demais leitores na seção de comentários abaixo.

1- Diga não para os currículos avulsos

Nunca (mas nunca mesmo) envie apenas o currículo sem portfólio de trabalhos. Essa é a regra número 1, inquestionável. Currículos em ‘formato texto’ raramente são analisados e não se destacarão frente aos demais. É muito menos importante onde você se formou do que sua real habilidade na área.

2- A apresentação do portfólio é tão importante quanto o conteúdo dele

A programação visual é um critério geralmente eliminatório. Isso mostra o domínio de um dos conhecimentos imprescindíveis para o arquiteto: design gráfico. Mesmo portfólios com projetos incríveis, tendem a ser desconsiderados ou se tornarem invisíveis frente a outros mais atraentes. Páginas muito poluídas encobrem o conteúdo. As imagens precisam respirar. Não tente fazer o portfólio parecer denso com muita informação: quanto mais sintético e bonito e atraente e potente, melhor. Geralmente quem analisa esse tipo de arquivo tem total discernimento entre o quê é enrolação e informação relevante. A tipografia empregada, as margens, a estrutura e proporção da página dizem muito de sua capacidade como arquiteto também.

3- Inclua muitas informações pessoais

O trabalho do arquiteto é multidisciplinar. Para praticamente todo arquiteto atuante é importante ter conhecimentos gerais, que transcendam o desenho técnico ou o projeto de edifício. A personalidade é fundamental para o trabalho. Se suas poesias são boas, se seus desenhos são legais, se você escreve bem, se você gosta de arte, se você fotografa bem; não há porque esconder tudo isso no seu portfólio de arquitetura. Os escritórios buscam, quase sempre, arquitetos que pensem e se coloquem. Além disso, essas informações podem tornar o portfólio mais divertido. Isso deve também aparecer visualmente. Um retrato 3X4 de RG ou da turma de amigos na praia não são nada apropriados. Mas uma foto – mesmo abstrata – que mostre sua personalidade e como você se representa ou representa seus interesses pode soar simpático: imagens que traduzam, antes de tudo, sua personalidade e seus interesses.

4- Um portfólio longo não é melhor que um curto

Pelo contrário. Alguns escritórios recebem dezenas de currículos por dia e por isso é importante ser curto e sintético; direto ao ponto. Portfólios com muitas páginas raramente são totalmente explorados. E coloque seus melhores projetos primeiro. Feche com algo atraente também, mas a primeira impressão é a que fica. Se você tem muitos projetos que julga bons, não coloque todos; só os melhores dos melhores. Os projetos medíocres – que você não se orgulha ou tem dúvidas sobre – deixe de fora, eles podem ter tido importância para você, mas não se apegue. É melhor ter 2 projetos excelentes do que 10 médios. É melhor ter 2 projetos excelentes do que 2 excelentes e mais 8 medíocres. Não existe uma regra para o número de páginas, mas um documento com 40 páginas já parece longo demais. Imagine: o arquivo será analisado inicialmente por não mais que 1 minuto, para depois passar por outros processos.

5-  Selecione os trabalhos em função do perfil do escritório

Para cada lugar é necessário fazer portfólios levemente diferentes. Certos projetos, por exemplo, podem agradar alguns escritórios, mas podem causar eliminação de outro. Analise a empresa, entenda um pouco da filosofia dela e faça algo específico a partir disso. Isso não significa que não se deve incluir projetos “diferentões”, pelo contrário. Escritórios costumam ser bastante abertos para novas arquiteturas, tanto que bem fundamentadas. Portanto, atenção: não crie uma emulação da linguagem do lugar onde você quer trabalhar no seu portfólio. Poucas coisas incomodam mais do que ver a cópia de um projeto ou “estilo” do escritório para o qual você está aplicando no portfólio que você envia. Ser original e pensar de forma autônoma são características fundamentais.

6- Anexe um PDF com no máximo 15 Mb

Plataformas online de portfólios não são legais. De novo: plataformas online de portfólios não são legais. Sempre muito lentas e com interfaces de difícil navegação. É importante para o escritório ficar com o arquivo no servidor porque no futuro pode se interessar por algo que não houve oportunidade no passado. O PDF facilita a exploração do portfólio. Sites com domínio próprios e programação visual autoral podem ser muito bem vindos, mas não substituem o velho PDF. Google Drive e plataformas de envio de arquivos pesados devem ser evitados.

7-   Faça da página do currículo algo atraente

Apesar da importância reduzida se comparada com os trabalhos e imagens, a página do currículo deve conter dados de forma clara. Em qual cidade você mora? Quais línguas fala? Quais softwares você usa? Essas informações podem ser colocadas de forma instigantes, com infográficos, por exemplo. Número de RG, CPF, estado civil, endereço pessoal e afins são dados irrelevantes e, portanto, não precisam ser incluídos num primeiro contato. Mas não se esqueça de colocar informações sobre língua estrangeira, isso é um critério muitas vezes eliminatório para escritórios com obras fora (ou com perspectivas de tal).

8- Projetos teóricos

Nada mostra melhor a potencialidade de um arquiteto quanto projetos teóricos e acadêmicos. A faculdade é o momento de criar o começo de um portfólio e esses trabalhos valem muito. Aliás, valem tanto quanto projetos reais. Pesquisas sobre história da arquitetura ou afins, se bem desenvolvidas, demonstram conhecimentos fundamentais para o dia-a-dia. Demonstram uma intelectualização dos processos e, mais, uma capacidade analítica sofisticada. Cada dia mais, arquitetura é pesquisa e, portanto, o domínio de teoria é fundamental. Isso deve aparecer em evidência – de modo, obviamente sucinto – na apresentação de seus trabalhos.

9-   A inclusão de desenhos técnicos pode ajudar, mas pode atrapalhar

Enviar um portfólio não é emitir um projeto executivo. Não é necessário explicar tudo minuciosamente, com a planta de todos os pavimentos e dezenas de cortes. Mas é importante passar a ideia geral do projeto (o conceito) e mostrar suas habilidades. Se você for chamado para uma entrevista depois, leve algo mais detalhado. Incluir muitos desenhos e, sobretudo, muitos desenhos técnicos atrapalha sim; ocupa um espaço precioso. Pode ser charmoso, porém, incluir um detalhe arquitetônico 1:1 ou 1:2 que mostre sua atenção para a construção e precisão de desenho, mas sem exageros. 

10-   Atribuições em cada projeto

É claro e honesto colocar a sua contribuição em cada projeto. A contribuição real! Mesmo se você tenha sido o estagiário, coloque o que você fez de verdade: “detalhamento de caixilhos”, “conceito do ante-projeto”, “compatibilização”, “fiscalização de obra”, etc. Isso mostrará sua experiência de fato. O projeto de arquitetura é sempre um trabalho coletivo e, portanto, mesmo numa obra de sua autoria, você provavelmente não fez tudo sozinho. Abra o jogo.

11-   Cartas de apresentação

As cartas no corpo do e-mail são importantes. Devem ser breves e atraentes. Nada de grandes discursos. Em todo caso, esse é também um espaço para ser um pouco menos impessoal. São melhores cartas honestas e poéticas, do que cartas muito formais. Aliás, nada soa pior do que cartas formais. A não ser se você estiver tentando entrar em um escritório com centenas ou milhares de funcionários (nesse caso, todas essas recomendações desse artigo parecem não funcionar bem, de forma geral). As famosas cartas de recomendação de outros escritórios estão em baixa. Quase sempre são escritas pelo próprio punho do arquiteto que quer a recomendação e apenas assinadas pelo arquiteto que faz a recomendação. Essas cartas só devem ser incluídas se o escritório requisitar ao longo do processo. Além disso, tome cuidado para não reencaminhar um e-mail para todos os escritórios que você pretende buscar uma vaga. Aqueles e-mails com “fwd” no título ou com uma lista aberta de endereços são geralmente descartados antes do processo.

12- O mais importante: diga sempre a verdade

Não invente ou exagere em qualquer coisa no seu portfólio ou currículo. A mentira tem pernas curtas. Você pode até conseguir a vaga, mas não se manterá nela se mentir. A verdade vem à tona rapidamente. Seja você mesmo.

Sobre este autor
Gabriel Kogan
Autor
Cita: Gabriel Kogan. "12 lições de como montar um portfólio de arquitetura " 18 Nov 2015. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/776556/12-licoes-de-como-montar-um-portfolio-de-arquitetura-um-anti-manual> ISSN 0719-8906