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Cinema e Arquitetura: "Sleeper" (1973)

Cinema e Arquitetura: "Sleeper" (1973)
Cinema e Arquitetura: "Sleeper" (1973)

Após a estreia de "2001: Uma Odisseia no Espaço" em 1968, o cinema de ficção científica mudou de fantasias clássicas a representações mais maduras, palpáveis e cuja temática se centraria em futuros distópicos e pessimistas, nas quais o rumo da humanidade se tornaria duvidoso. A década de 70 se caracterizou pela consolidação desta tendência, encontrando nela um meio atrativo para denunciar os males da própria sociedade moderna. Através do exagero, o cinema tornaria-se uma advertência, um chamado de atenção diante de uma sociedade apática em busca de uma alternativa no modo de vida.

Ao mesmo tempo, dentro do campo da arquitetura e do urbanismo, vivia-se um momento decisivo a respeito do movimento moderno. Atormentada por dogmas, uma nova geração de arquitetos procurava opor-se a suas regras que impunham uma retangularidade agoniante e uma limitante nos métodos de desenho que a tornavam repetitivo, chato e carente de personalidade. Esta busca formal desembocava na arquitetura pós-moderna, cujo caráter vanguardista seria representado dentro do cinema para retratar mundos futuros.

Através destas duas tentativas, distopia como crítica social e a arquitetura pós-moderna como ambientação de vanguarda e pelo, até então pouco conhecido, diretor Woody Allen, o filme criaria sua própria visão sobre o futuro. Inspirado livremente em um relato de H.G. Wells, a história centraria sua ação no choque cultural de um homem contemporâneo após despertar em uma realidade futura que o supera. 

O retrato que o diretor desenvolve sobre uma sociedade futura é contundente. Em vez de criar cenários surrealistas, o filme recorre a arquitetura do presente, a obras destacadas por seu caráter formal que rompem totalmente com a imagem predominante do moderno. São formas orgânicas onde predominam as curvas suaves e as estruturas leves, quase flutuantes. Trata-se de obras cuja aparência é de uma arte escultórica dentro das quais habita o homem futuro. 

Analisando em retrospectiva, podemos entender a ambientação como retro-futurista, uma realidade atemporal que nunca aconteceu. Ainda hoje, a arquitetura mostrada dentro do filme é atípica, com uma personalidade própria que fala de uma época onde o esforço estava em criar peças únicas, a busca de uma nova identidade para a arquitetura do presente. 

Woody Allen contagia com seu estilo crítico porém zombador seus cenários e seus personagens. Vestido com roupas excêntricas mas que remetem a moda disco da época, seus seres futurísticos vivem em ambientes igualmente exagerados de superfícies brancas e impecáveis, porém cheias de aparatos ridículos e artes bizarras. Tal combinação confere à arquitetura um sentido paródico, como se fosse uma caricatura em que ao mesmo tempo que ri de si mesma, satiriza os vícios da sociedade do seu tempo.

O urbanismo possui um papel importante dentro do filme, já que nele é refletida a própria história. Após uma grande guerra e desastres naturais, a civilização moderna é apagada do mapa. As novas edificações levantam-se sobre as velhas, mas, diferentemente da cidade compacta do presente erguem-se dispersas no território. Dispersas não somente como prazer espacial e paisagístico, mas sim como meio de controle e isolamento de uma sociedade que já é por si só focada na satisfação pessoal.

Cúmplice do governo, o urbanismo converte-se em uma ferramenta de controle sobre a população. A sociedade se desarticula diante da falta de conceitos como a vida comunitária ou as raízes sociais. A  cidade torna-se assim um conceito arcaico e obsoleto. 

A Adaptação

O filme baseia-se livremente no relato de H.G. Wells “The Sleeper Awakes” de 1910, no qual um homem inglês conhecido como Graham entra em uma espécie de coma após ter abusado de medicamentos para dormir. Despertando-se no ano de 2100, o argumento se centra no grave choque cultural do protagonista. 

Estando em cativeiro, dada sua condição singular, acaba descobrindo que o mundo do futuro encontra-se dominado pela figura do "Conselho Branco", uma organização multimilionária que criou uma nova ordem mundial e política. Descobre, inclusive que tal organização está utilizando sua imagem como um símbolo do governo e que por direito, ele é o proprietário do mundo.

Resgatado por rebeldes, Graham conhece a situação de desigualdade do futuro e se vê adentrando em uma revolução social que desembocaria em uma guerra civil. Londres tornou-se um local escuro e sujo para viver, com milhares de trabalhadores vivendo em condições desumanas. 

Convertendo-se em um líder moral da rebelião, o governo do "Conselho Branco" é derrotado. Entretanto, o governo dos rebeldes não difere dos seus antecessores. Graham, então, inicia uma nova revolta social.

CENAS CHAVE

1. Utopia de uma Época

Recorrendo a arquitetura vanguardista da década de 70, o filme reflete um futuro asséptico onde predominam o uso de formas curvilíneas, a cor branca e o uso de plásticos. 

2. Plasticidade da Forma

Diante de uma realidade ortogonal e monótona, o futuro é retratado como orgânico e ousado. Os objetos, feitos exclusivamente para o filme, recorrem ao plástico e alumínio por suas características moldáveis. 

3. Autismo e Incapacidade Social

Incapazes de viverem por conta própria, os cidadãos recorrem a mordomos robotizados para todos os aspectos da vida. A sociedade é tão paródica como a aparência deles próprios. 

4. Paródia e Autocrítica 

O filme é uma visão paródica sobre um futuro asséptico porém, autoritário, valendo-se do exagero dos seus elementos a fim de parecer uma caricatura de filmes clássicos do gênero. 

5. Mile Hi Chruch, Lakewood Colorado

Sem um autor reconhecido, a cúpula de forma espacial e de aspecto futurista é utilizada como sede de uma empresa transnacional, triunfo de uma cultura voltada ao consumismo. 

6. Church of the Risen Christ, Denver Colorado

Desenhada pelo arquiteto James Sudler em 1969, com um estilo geométrico, sem revestimento e brutalista, é empregada como acesso ao laboratório onde o protagonista é reanimado. 

7. Boettcher Memorial Tropical Conservatory

Inaugurado em 1966 à mãos de Victor Hornbein e Ed White Jr. possui um aspecto flutuante graças a sua estrutura entrelaçada de aço. É utilizada como sede dos laboratórios. 

8. Varner House, Greenwood Colorado

De aspecto diferente, inspirada no desdobramento de uma concha marítima, foi desenhada em 1969, pelo arquiteto James Ream. No filme é o lar da excêntrica Luna Schlosser.

9. Sculptures House / Arq. Charles Deaton 

Construída em 1963 como residência do seu próprio autor, servia ao lema de viver dentro de uma obra de arte, opondo-se aos dogmas ortogonais e repetitivos do movimento moderno. 

10. Brenton House / Arq. Charles Haertling

Conhecida também como a casa champignon, sua forma orgânica, quase escultural, está baseada em crustáceos e bolhas. Feita em 1969, com ferrocimento, material pouco conhecido até então.

11. National Center for Atmospheric Research

Desenhado pelo afamado arquiteto I.M. Pei em 1967, é a única obra enraizada ao movimento moderno dentro do filme. Seu caráter geométrico e racional é a sede do governo autoritário. 

FICHA TÉCNICA

Data de Estreia: 17 de Dezembro 1973
Duração: 89 min.
Gênero: Comédia / Ficção Científica
Diretor: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen / Marshall Brickman
Fotografia: David M. Walsh 

SINOPSE

Miles Monroe é um homem da cidade de Nova Iorque que após uma cirurgia de amídalas é congelado por engano. Depois de 200 anos em coma, ele é despertado por membros de um grupo rebelde em um futuro governado por um estado policial representado pela figura de um ditador. 

Miles nega-se a fazer parte do movimento insurgente e escapando dos seus captores se passará por um mordomo robótico para proteger sua identidade. Será testemunha então, da transformação da realidade do seu tempo: uma sociedade hedonista voltada ao consumo que é incapaz de enfrentar as adversidades. 

Sobre este autor
Rafael Altamirano
Autor
Cita: Altamirano, Rafael. "Cinema e Arquitetura: "Sleeper" (1973)" [Cine y Arquitectura: "Sleeper" (1973)] 25 Set 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/773998/cinema-e-arquitetura-sleeper-1973> ISSN 0719-8906