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Clássicos da Arquitetura: Pavilhão de São Cristóvão / Sérgio Bernardes

Clássicos da Arquitetura: Pavilhão de São Cristóvão / Sérgio Bernardes
Clássicos da Arquitetura: Pavilhão de São Cristóvão / Sérgio Bernardes, Via Bernardes Arquitetura
Via Bernardes Arquitetura

© Celso Brando. Via Bernardes Arquitetura Arquivo O Dia Via O Rio de Antigamente Via O Rio de Antigamente + 17

Quatro parábolas determinam o perímetro do edifício. Estão dispostas em pares perpendiculares de parábolas idênticas e espelhadas: duas mais extensas, mais altas, e semi-permeáveis à luz, ao vento e ao passo, determinam as frentes opostas do edifício; e duas menores, completamente sólidas e opacas, suas laterais. Definem em planta uma curva fechada que, sob um olhar pouco cuidadoso, se assemelharia a uma elipse.

Via O Rio de Antigamente
Via O Rio de Antigamente

A distância entre os pontos médios das parábolas maiores definem o eixo menor do edifício: cento e sessenta e quatro metros, em direção sudeste-noroeste. Enquanto que o eixo maior, definido pela distância entre os pontos médios das parábolas menores, apresenta duzentos e quarenta e oito metros. Dito de outro modo: o perímetro do edifício inscreve-se num retângulo cujos lados apresentam as medidas dos eixos maior e menor: múltiplos de quatro.

Obras de reforma. © Dimensional Engenharia
Obras de reforma. © Dimensional Engenharia

O desenho exato das parábolas ajusta-se a um sistema de coordenadas ortogonais (x, y) de números inteiros pares. Assim, se o cruzamento dos eixos é considerado como ponto inicial do sistema, a parábola maior superior —negativa—tem seu vértice no ponto (0, 82) e seus extremos nos pontos (106, 44) e (-106, 44), o que define uma função tal que y = -(19/5618)x² + 82. Seu par idêntico inferior —positivo— é espelhado em relação ao eixo maior —horizontal—, definindo a função invertida em relação à anterior: y = (19/5618)x² - 82. Por sua vez, a parábola menor à direita —negativa— tem seu vértice no ponto (124, 0) e seus extremos nos pontos (106, 44) e (106, -44), o que define uma equação tal que x = -(18/1936)y² + 124. E seu par idêntico espelhado à esquerda do eixo vertical define a função invertida à anterior. Com esses dados, desenha-se e demarca-se precisamente o perímetro do edifício.

© Celso Brando. Via Bernardes Arquitetura
© Celso Brando. Via Bernardes Arquitetura

A espessura das fachadas principais opostas é definida por vinte e seis pilares de concreto aparente, espelhados em pares idênticos a partir do eixo menor. Estão dispostos perpendicularmente à curva em planta e espaçados igualmente entre si. Suas seções horizontais são idênticas ao nível do solo: um metro de comprimento —a espessura da base do edifício— por quarenta centímetros de espessura, à vista nas fachadas. A partir daí, o comprimento aumenta retilineamente conforme a altura, mantendo a face externa vertical e inclinando apenas a face interna.

Pavilhão após reforma. © Wikimapia fabinhoalmeidarj
Pavilhão após reforma. © Wikimapia fabinhoalmeidarj

De modo similar, as alturas dos pilares aumentam a partir das extremidades, segundo uma nova curva parabólica. Os dois pilares centrais apresentam vinte oito metros de altura e um comprimento final de oito metros. No entanto, sua face superior —seu topo— também é inclinada. Se a base dos pilares apresentasse comprimento nulo, a face superior e a face interna, ambas inclinadas, formariam um ângulo reto, e consequentemente um triângulo retângulo cuja base mediria vinte e oito metros, e cuja altura, oito metros. Mantendo a inclinação e comprimento da face superior, a partir do ponto do ângulo reto, a face final é traçada unindo esse ponto superior ao ponto da base que lhe confere um metro de comprimento. Visto de outro modo: o triângulo retângulo que determina a inclinação da face superior dos pilares segue existindo virtualmente.

Corte e Fachada (ilustrativa). Via Bernardes Arquitetura
Corte e Fachada (ilustrativa). Via Bernardes Arquitetura

Entre os pilares, para dar a rigidez necessária ao conjunto, há uma sequência vertical de seis vigas dispostas a cada quatro metros. Apresentam uma altura de oitenta centímetros, e estão recuadas da face externa dos pilares em um metro. Do lado interno, sustentam lajes alinhadas com suas faces inferiores e com extensão variável, ajustando-se ao comprimento dos pilares em cada nível. Vistas do interior do edifício, as fachadas principais são um conjunto de nichos retangulares que aumentam progressivamente a profundidade. Do lado externo, os vazios entre vigas e pilares são fechados por alvenarias de tijolos maciços a cutelo com aparelho aberto.

Arthur Neto (CC BY)
Arthur Neto (CC BY)

Sobre o conjunto de pilares vê-se uma viga superior de um metro de altura que percorre toda a extensão da curva, marcando o limite superior do edifício e ressaltando a variação de seção dos pilares. Não é maciça, senão que formada, em cada fachada, por quarenta e oito vigas protendidas de quarenta centímetros de largura, paralelas ao eixo menor e distribuídas a cada quatro metros. Delas partem os cabos principais que definem a manta de dupla curvatura que cobre o interior do edifício: uma superfície cuja projeção horizontal apresenta vinte e seis mil metros quadrados aproximadamente.

Obras de reforma. © Dimensional Engenharia
Obras de reforma. © Dimensional Engenharia

As vigas superiores avançam sobre as parábolas menores laterais, agora maciças. A partir das extremidades, a altura da viga decresce até quarenta centímetros, e sua espessura, a mesma do muro, diminui para três metros. O perímetro do edifício alcança sua menor altura no ponto médio dessas parábolas laterais, apenas dois metros, onde finalmente a superfície superior que o percorre torna-se horizontal.

Arquivo O Dia
Arquivo O Dia

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Igor Fracalossi. "Clássicos da Arquitetura: Pavilhão de São Cristóvão / Sérgio Bernardes" 29 Abr 2015. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/765444/classicos-da-arquitetura-pavilhao-de-sao-cristovao-sergio-bernardes> ISSN 0719-8906
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