
Arquitetura em diálogo reúne dez entrevistas realizadas por Alejandro Zaera-Polo para a revista de arquitetura El Croquis nos anos 1990 com grandes nomes do meio. Longe de ser um entrevistador passivo e burocrático, Zaera-Polo desfia sua bagagem projetual e teórica transforma cada conversa num fórum particular de discussão, questionando métodos que pareciam já cristalizados, propondo interpretações, levando o entrevistado a pensar sobre si e refletir criticamente acerca do próprio trabalho.
Assim, Rem Koolhaas fala de megaestruturas, detalhamento e globalização, além das liberdades que buscava na época e de como passou de escritor a arquiteto praticante; Rafael Moneo teoriza sua posição estritamente arquitetônica, quase anti-influências externas, e a importância da educação do arquiteto; Herzog & de Meuron dissertam sobre a presença da arte, da tradição e da natureza em seus projetos; Jean Nouvel surpreende ao falar de contextualismo e da ideia de ilusão como dimensão estética; Álvaro Siza discute o local e o global em seu trabalho, e os perigos do fracionamento das fases de projeto; Enric Miralles se debate com as vantagens e desvantagens da mudança de tamanho de seu escritório, e explora o processo de construção como atividade sempre inacabada; Frank Gehry delineia o contexto cultural e artístico em que se inseriu em Los Angeles, e discorre sobre alambrados, manipulações geométricas, clientes, encomendas e concursos; Steven Holl discute a importância de seus primeiros projetos e questões como experiência, analogia, singularidade e processo projetual; Peter Eisenman questiona as visões restritivas de seu trabalho como arbitrário, e propõe noções de regras críticas e produtivas, processo maquínico e interioridade da arquitetura; Sejima e Nishizawa deixam transparecer, com poucas palavras, a organicidade de seu processo, seu pensamento quase supraformal, o contexto japonês e as heranças arquitetônicas no país.
