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Parte 2: Iluminação monumental e artística de templos e tumbas do Egito faraônico por ACXT/ IDOM

  • 07:00 - 31 Dezembro, 2014
  • por
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Parte 2: Iluminação monumental e artística de templos e tumbas do Egito faraônico por ACXT/ IDOM
Parte 2: Iluminação monumental e artística de templos e tumbas do Egito faraônico por ACXT/ IDOM, Cortesia de acxt
Cortesia de acxt

Recentemente apresentamos a primeira parte do interessante projeto de iluminação de templos mortuários faraônicos próximos as Tumbas Faraônicas de Ramsés V e VI. Realizado pela primeira vez na história da humanidade, Noemi Barbero - Lighting Designer de ACXT/ IDOM, recebeu a missão de desenvolver o masterplan e modificar a percepção visual e espacial, gerando e evocando emoções. 

Hoje, continuamos com a segunda parte da iluminação monumental, mas desta vez nos Templos faraônicos mortuários e de culto. A seguir, será apresentado o desenvolvimento completo das tumbas faraônicas do Vale dos Reis. 

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ÍNDICE
Parte 1: Iluminação das tumbas faraônicas de Vale dos Reis.

  • Visão geral
  • Desenho técnico

Parte 2: Iluminação monumental de Templos faraônicos mortuários e de culto

  • Visão geral
  • Conceitos de iluminação
  • Desenho técnico
  • Simulações 3D

Cortesia de acxt
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Iluminação monumental de Templos faraônicos mortuários e de culto.
Visão geral.
Os projetos de iluminação monumental dos sítios arqueológicos em Luxor formam parte de uma estratégia do Governo do Egito de abrir-se novamente ao turismo internacional. Esta estratégia está baseada na criação de um novo tipo de visitas turísticas: as visitas noturnas, que oferecerão uma nova forma de contemplação do patrimônio faraônico.

Luxor, a antiga Thebas, berço do império do Novo Egito, é um dos pontos chave do patrimônio faraônico, e entretanto, somente os templos de culto do East Bank contavam hoje em dia com algum tipo de iluminação noturna. É difícil expressar a transcendência que envolve estes projetos de iluminação monumental, pois eles expressam o privilégio e a enorme responsabilidade de iluminar alguns dos monumentos mortuários faraônicos pela primeira vez na história da humanidade. Por isso, os projetos de iluminação monumental de cada uma destas obras arquitetônicas únicas no mundo foram pensados com extrema sensibilidade, a fim de valorizar ainda mais a majestosidade inerente a tão inigualáveis obras e oferecer ao visitante uma atmosfera totalmente nova, acolhedora e única, quando o sol se põe na cidade de Luxor. 

Cortesia de acxt
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Com este plano geral de iluminação, o governo egípcio pretende ofertar visitas noturnas aos monumentos, aumentando assim, de forma significativa, o horário de visitas e dando a oportunidade aos visitantes de conhecerem os sítios arqueológicos durante a noite, desfrutando de um cenário completamente diferente do diurno e com uma temperatura ambiente moderada. Deste modo, a estratégia de visitas no horário noturno busca também motivar o turista a ficar vários dias em Luxor, passando as noites ali. Este gesto colaboraria com a economia dos serviços de hotelaria da cidade, indo contra o turismo de um dia que vem acontecendo, em que os turistas pernoitam em cidades próximas, como Hurghada, no Mar Vermelho.

Cortesia de acxt
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Iluminação monumental de Templos faraônicos mortuários e de culto.
Conceitos de iluminação. 
Desde o principio até a finalização do projeto de iluminação arquitetônica monumental, foram abordadas as seguintes etapas:

SENSAÇÕES E EMOÇÕES: Espiritualidade, mistério, serenidade, grandeza.
A procura por emoções e sensações a serem transmitidas é o ponto de partida do desenho. Conseguir, durante a noite, uma imagem absolutamente colossal, magnífica e acolhedora dos templos, em uma atmosfera serena que convide a meditação, reflexão, a permanecer no interior de cada templo participando da espiritualidade que ainda hoje emana de cada pedra utilizada na construção, de cada relevo, de cada história e de cada pigmento ainda vido nas suas colunas e paredes.  

Cortesia de acxt
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CONCEITOS DE ILUMINAÇÃO: A utilização do jogo mágico de luzes e sombras como ferramenta para a criação de sensações. 
Isto implica na decisão de que elementos iluminar e como, resolvendo questões relativas a como enfatizar os volumes e caraterísticas de cada elemento arquitetônico de dimensões colossais. Foram combinados conceitos como luz ascendente dramática, focos de luz refletida, focos de luz dramática e luzes direcionadas. Se quis iluminar cada elemento arquitetônico sem contaminar de luz os seus adjacentes e manter um adequado e dramático equilíbrio de luz e sombra. 

RESPEITO E INTEGRAÇÃO: Reforçar a arquitetura e seu simbolismo, sem criar artifícios, com sobriedade.
Os conceitos e efeitos de iluminação devem ser concretizados com o máximo respeito, com a máxima integração, de modo que nenhum elemento arquitetônico faraônico seja prejudicado. Como consequência está a identificação de localizações viáveis de projetores e o respeito pelos elementos antigos que não devem ser alterados.

Cortesia de acxt
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Iluminação monumental de Templos faraônicos mortuários e de culto.
Desenho técnico
A problemática do respeito, a integração, a robustez e a procura por conceitos de iluminação concretos.

A iluminação monumental possui complexidades que outras iluminações arquitetônicas não têm. No caso particular de sítios arqueológicos, se deve ter em mente, durante todo o desenho, a importância da conservação de todos os elementos antigos. Isto significa desenhar uma instalação que se oculte e se integre, na medida do possível, para que passe desapercebida, não somente durante a noite que é sua finalidade, mas também na luz do sol, durante as visitas diurnas. 

Ao mesmo tempo, deve ser robusta e suportar as adversas condições ambientais e o passar do tempo. 
Analisando cada uma das problemáticas foram desenhadas soluções únicas para os projetos, em quase todos os casos:

Cortesia de acxt
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1- INTEGRAÇÃO:
As soluções técnicas deveriam levar em conta as características dimensionais e funcionais reais de cada elemento arquitetônico (colunas, estátuas, relevos) para alcançar o resultado e unirem-se a outras problemáticas como sua antiguidade, a tipologia do solo (por vezes novo, velho ou somente feito com cascalho), os caminhos dos visitantes (que podem movimentar-se livremente por quase todos os espaços dos templos), e os efeitos iluminação requeridos (dramatismo).

Decidiu-se realizar uma instalação em superfície, que fosse o máximo possível integrada com o monumento. Isto resultou em:

  • Seleção de equipamentos de iluminação de dimensões reduzidas, que em comparação com as dimensões enormes da arquitetura dos monumentos (templos e tumbas) resultaram em os mais pequenos possíveis. 
  • Desenvolvimento de uma ideia inovadora: o desenho de coberturas feitas sob medida para cada tipologia de projetor, para cobri-los e mimetizá-los, ocultando e integrando ao mesmo tempo. Para isso, as coberturas imitariam a pedra do templo em cor e textura. Ao mesmo tempo, seu material deveria ser adequado para suportar as condições ambientais extremas do lugar, e ser leve para facilitar sua manipulação durante a instalação e manutenção, assim como seu transporte de barco desde a Espanha.
    Como cada templo possui uma pedra ou uma cor distinta, artistas espanhóis da empresa fabricante foram até o Egito para recolher amostras, a fim de confeccionar os moldes.
  • A instalação dos cabos foi feita abaixo do solo sempre que possível, ou seja, em todos os casos em que o piso foi restaurado e feito com pedra nova (levantado e recolocado) e nos casos em que o solo era de terra. Mesmo ainda assim, a instalação não poderia ter mais de 25 cm de profundidade por razões arqueológicas. Quando o caminho era de pedra faraônica antiga, foram utilizadas as juntas entre elas para introduzir um único cabo de menor seção possível. 

Detalhe
Detalhe

2- ROBUSTEZ

As características climatológicas extremas do país influenciaram na necessidade de contratar equipes especiais de iluminação, preparadas para suportar temperaturas muito elevadas (por volta de 50°) e uma grande quantidade de poeria no ambiente, além das tempestades de areia. As chuvas, ainda que escassas, quando ocorrem são torrenciais, portanto, deveriam suportar esta situação também. 

As coberturas artísticas deveriam suportar o sol direto sem deteriorar a cor do revestimento; deveriam suportar também a elevada temperatura do entorno, a grande quantidade de poeira e de areia sem degradar o material e a textura; e resistir aos impactos para evitar sua ruptura através de eventuais batidas dos visitantes. Com estas premissas, o material selecionado para sua fabricação foi um poliéster reforçado com fibra de vidro e colorido em massa. Foram feitos moldes específicos para cada tipologia de projetor, levando em conta tanto a geometria, quando a textura da pedra real do templo/tumba onde iria ser instalado. O acabamento final da cor de cada uma das coberturas foi feito à mão.

Os métodos de fixação dos projetores foram desenhados sob medida, dependendo da problemática individual e da tipologia do solo. Estes métodos de sustentação deveriam ter a robustez suficiente pra suportar impactos, preservando a posição do projetor. Quando a fixação no solo não for possível, serão utilizadas bases feitas em pedra esculpida com suficiente peso para evitar seu deslocamento e fixadas, em algumas ocasiões, com cimento de restauração.

Cortesia de acxt
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3- ILUMINAÇÃO ARQUITETÔNICA
A última finalidade da iluminação consiste em concretizar as ideias de iluminação concebidas, os efeitos de luz e sombra desejados. As características dimensionais colossais dos templos faraônicos e de suas tumbas tornam este objetivo algo complexo, levando em conta também que, a complexidade aumenta quando as posições dos equipamentos se limitam no solo e quando as distâncias dos elementos arquitetônicos a serem iluminados são limitadas pelos caminhos por onde os vistantes podem passar. 

Na iluminação das colunas, foram necessários equipamentos que permitissem a orientação para o controle preciso da luz, mas ao mesmo tempo se considerou primordial assegurar que tal orientação permanecesse fixa, sem ser alterada pelos visitantes ao tocarem nos projetores (voluntária ou involuntariamente).

Além disso, deveria ser levada em conta a altura das suas enormes bases para conseguir iluminar seus altíssimos troncos e os capitéis. Estas duas premissas fizeram surgir uma nova ideia para sua iluminação:

Eletricidade
Eletricidade

Foram utilizados projetores circulares com o corpo largo, de altura suficiente para elevar a fonte de luz, com a óptica orientável fabricada sob medida e com fechamento de vidro, protegendo assim, o projetor e seu ângulo por completo, de modo que uma vez feita a orientação final, esta não pode ser alterada (salvo através de uma abertura total do projetor através a extração dos seus parafusos). As coberturas artísticas foram protegidas por completo, imitando a pedra das colunas.

No caso das estatuas colossais, foram desenhados projetores sob medida para possibilitar uma iluminação adequada que cobrisse toda sua superfície, concentrando-se nela sem ultrapassar seus limites geométricos. 

Em paredes com pinturas e relevos foram utilizados projetores de geometria linear de orientação ajustável, dispostos em linhas contínuas, conferindo uma iluminação uniforme e rasante das paredes, evitando "gaps" ou zonas escuras. Desta forma, a iluminação ajuda a exibir os relevos com uma maior profundidade e as pinturas nas inscrições hieroglíficas com claridade, intensificando suas cores reais. 

Acessórios
Acessórios

A luzes ópticas utilizadas foram desenhadas sob medida. Utilizaram-se projetores lineares de tecnologia LED: com emissão nula de UVA e IR para a preservação das cores, com um elevado índice de reprodução cromática para mostrá-los sem alterar sua verdadeira tonalidade e de fluxo regulável para a programação do nível de iluminação mais adequado que permitisse criar o ambiente espiritual desejado e facilitasse a leitura das inscrições. 

  • As soluções técnicas adotadas contemplaram:
  • Utilização de numerosas e diferentes luzes ópticas em função do elemento arquitetônico individual a ser iluminado. Escolha de luzes ópticas intensivas, médias, extensivas e elípticas de distintos graus conforme o caso.
  • Escolha da temperatura da luz branca para a criação do ambiente desejado e da reprodução cromática adequada para mostrar a cor natural da pedra e das pinturas, sem modificá-las.
  • Utilização de tecnologias de baixo consumo energético e utilização de lâmpadas com zero emissão, em comprimento, de raios UVA/IR para não alterarem a cor e a conservação dos espaços:
    • Lâmpadas de hastes metálicas: Ra 80-90, 90–100 lm/W, 12.000–16.000 horas, 3000 K;

    • LED de alta potência: Ra > 80, 100-116 lm/W, 50.000 horas, 3000 K, Sem UVA, Sem IR, reguláveis e programados com distintas cenas de nível de iluminação mediante controladores.

    • LED de baixa potência: Ra > 80, 100 lm/W, 50.000 horas, 2600 K, Sem UVA, sem IR.

    • Tubo Fluorescente T5 HE: Ra > 80, 85-95 lm/W, 19.000 horas, 3000 K. 

Cortesia de acxt
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  • Níveis de iluminação decididos em função do nível geral do entorno e da importância relativa do elemento arquitetônico a ser iluminado com respeito aos demais elementos do conjunto monumental e as recomendações da UNESCO para a iluminação de monumentos e sua preservação (valores máximos):
    - UNESCO: Granito max 300 Lux, limestone max 100 Lux, e exteriores normais de 150 a 200 Lux.
    - Níveis de desenho gerais: 
       · Templos de West Bank: Pelo fato de encontrar-se em uma área rural com um nível de iluminação muito baixo, o nível geral adotado para os templos mortuários do West Bank oscila entorno dos 60-80 lux.
       · Templo de Luxor: Por estar situado em uma área urbana com uma contaminação lumínica considerável, o nível geral adotado oscila entre 80-100 lux.
       · Interior das pirâmides de Gizé: Devido a ausência de luz natural, o nível adotado é muito baixo, por volta de 15 lux.
      · Interior de tumbas do Vale dos Reis: São afetadas pela entrada de luz natural durante o dia, por isso foi necessário um sistema regulável quer permitisse a programação de cenas diferentes durante o dia e durante a noite dava flexibilidade ao sistema para ajustar-se a estas necessidades. No entanto, se respeita um nível máximo de 50 lux. 

A escolha das potências foi uma consequências dos resultados de cálculo por software realizados com a fotometrias dos projetores selecionados.

Cortesia de acxt
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Iluminação monumental de Templos faraônicos mortuários e de culto.
Simulações 3D. 
As simulações 3D consistem em um cálculo de iluminação via software sobre modelos em três dimensões dos monumentos objetos da iluminação arquitetônico. São uma ferramenta essencial na transmissão das ideias pois permitem oferecer uma imagem do resultado final: quanto mais real é o modelo 3D feito, mais real é a iluminação calculada e por fim, mais real é a imagem resultante, que costuma surpreender por sua semelhança com os resultados finais ao terminar os projetos. 

O projeto de iluminação começa com a fase criativa na qual são estabelecidos os conceitos de iluminação e que dá margem para a fase de desenvolvimento técnico do projeto. Nesta fase, são escolhidos os projetores, com base na experiência do desenhador, e são utilizados modelos 3D e softwares de cálculo para a verificação de potencias e fotometrias selecionadas. As decisões finais são tomadas "in situ" através de provas de iluminação noturna naqueles elementos arquitetônicos chave ou de maior complexidade. 

Cortesia de acxt
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É fundamental, portanto, que estes modelos 3D sejam os mais fiéis possível a realidade, em relação a geometria e dimensões de cada elemento arquitetônico, posto que uma vez introduzido no software de iluminação se comprovam os níveis e feitos luminotécnicos através da utilização das fotometrias reais dos equipamentos de iluminação.

No caso dos projetos de iluminação dos templos mortuários e de culto do Egito faraônico, de caráter arqueológico, era necessária a informação inicial em papel ou software, por isso, nas fases iniciais de cada um dos projetos foi feito um árduo trabalho de coleta de dados: comprimentos, alturas e diâmetros de cada um dos templos (colunas, pátios, paredes, estátuas...), necessários para a realização das plantas e dos levantamentos 3D.

Foram utilizados os programas Sketchup Pro, 3D Studio, e o DIAlux. 

Ver a galeria completa

Cita: Yávar, Javiera. "Parte 2: Iluminação monumental e artística de templos e tumbas do Egito faraônico por ACXT/ IDOM" [Parte 2: Iluminación Monumental y Artística de Templos y Tumbas del Egipto Faraónico por ACXT/ IDOM] 31 Dez 2014. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/759252/parte-2-iluminacao-monumental-e-artistica-de-templos-e-tumbas-do-egito-faraonico-por-acxt-idom> ISSN 0719-8906