
Paul Verhoeven pegaria o mundo do cinema desprevenido em 1987, quando atrás de um filme de ação cheio de violência excessiva e um humor grotesco, apresentava uma crítica sócio-política sobre temas tão atuais como os efeitos negativos do capitalismo neoliberal, a corrupção, o narcotráfico e os perigos da tecnologia ao cair nas mãos erradas. As cenas de ação, como uma realização impecável, são vitais e refrescantes para o filme tal qual os cortes informativos onde a sociedade é retratada como um ente que perdeu o rumo e se encontra em total decadência ética e econômica.
A história nos leva para um futuro próximo - ainda vigente - na cidade de Detroit, a qual sofre grande depressão econômica e onde os serviços públicos caíram nas mãos da toda poderosa corporação OCP, a qual controla a cidade sem nenhum reparo. A criminalidade se tornou incontrolável na cidade e com grande poderio de armas de fogo supera de longe a polícia, que sem recursos, se tornam carne de canhão frente ao desejo da OCP de liberar o caminho para sua grande utopia: Cidade Delta.
O objetivo da OCP, igual a qualquer grande corporação atual, é a de melhorar seus lucros, e neste caso, criando um novo centro empresarial e de comércio, onde as pessoas podem depositar seu dinheiro e tornar a empresa ainda mais poderosa. Dentro dos seus planos não existe uma vontade humanista, a imagem de uma nova cidade limpa é somente uma fachada para justificar sua intervenção sobre os velhos bairros de Detroit.



















