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Perseguindo Rem: O trabalho de um jornalista para definir Koolhaas

  • 12:00 - 22 Junho, 2014
  • por Sander Pleij
Perseguindo Rem: O trabalho de um jornalista para definir Koolhaas
Perseguindo Rem: O trabalho de um jornalista para definir Koolhaas, © Gili Merin
© Gili Merin

O artigo a seguir foi originalmente publicado em Medium.

Em uma manhã perfeita de outono, Rem Koolhaas estaciona seu BMW 1998 preto ao longo de um canal de Amsterdã. Não é um carro esporte de verdade, mas um modelo de corrida que uma criança desenharia. Momentos depois, ele está localizado atrás de uma mesa imponente. Isso é para ser um dia de trabalho normal. Não em seus escritórios de Roterdam, entretanto. Hoje, ele lida com seus compromissos em um hotel em Amsterdã. Faz isso de vez em quando, mais eficiente. Mas esta manhã, um jornalista está em sua frente por mais de meia hora. O que ele está dizendo?

‘Quase todos respondem a mesma coisa quando menciono seu nome: Ele é um homem bastante desagradável, não?
No meio do caminho desta observação Koolhaas se inclina para trás e se afasta da mesa.
Ele balança para trás e para frente.
E ele balança a cabeça.
Gaguejando ele diz algo como: "Sim, isso acontece, sim. Com as pessoas, sim. Ele parece envergonhado, até um pouco constrangido.
Assistentes de fora, clientes, projetos, chamadas sobre projetos de milhões de dólares em diferentes continentes estão esperando, mas aqui, sua cabeça é tão nua...aquelas orelhas pequenas que se destacam para os lados...Pode-se descrever um homem de seis pés de altura como se parecendo um pouco a um pássaro machucado?
Nada muito mais sai dele. A conversa acabou.

Eu pergunto a seu sócio Stephan Petermann sobre isso.
"Rem tem um caráter forte ", diz ele, "Isso eu não vou negar".

E quando ele fica bravo?
"Somente com coisas relacionadas ao trabalho. Quando as pessoas não estão bem preparadas.

Existem pessoas que não se preparam bem quando elas trabalham com Rem Koolhaas?!
"Ele precisa da informação certa no momento certo. Se alguém diz que algo ainda não está pronto, então esta pessoa não está sofrendo pressão o bastante."

Petermann também disse que as vezes ajuda "quando Rem e uma equipe não se entendem muito bem"
Me soa como um eufemismo.

1.

Ele é uma pessoa brilhante e amigável de Limburg, a parte mais ao sul da Holanda, este associado, Stephan Petermann, que é responsável no AMO, a parte de pesquisas do OMA, o escritório de Koolhaas.
Durante outra manhã de outono, nós tomamos café com Koolhaas em uma brasserie em Amsterdã. Petermann e eu pedimos croassant, Koolhaas somente um capuccino. Ele mantém suas mãos dentro do bolso de um casaco de três quartos de comprimento. Ele já nadou. Parece limpo.
Ele pergunta se eu nãpo poderia escrever sobre ele com um pouco de humor.
E ele diz: "Eu odeio ser um arquiteto. Na verdade, eu odeio arquitetos."

"Arquiteto", Kollhaas diz, mas é ainda pior: ele é um starchitect. Ele é membro de uma elite de starchitects que planta seus edifícios icônicos como um orgulhoso pavão exibe suas penas, pelas cidades em todo o mundo.
Rem Koolhaas é conhecido pelo edifício da CCTV  em Pequim, o Kunsthal em Rotterdã, a Embaixada holandesa em Berlim, pode escolher: a Sede da Bolsa de Valores de Shenzen , a Biblioteca de Seattle, etc, etc, e, recentemente, De Rotterdam, o maior edifício de toda a Holanda (ah, ele detesta a qualificação de maior.) E é quase engraçado como normalmente ele é descrito como um mistério, como um "monge trabalhador", sempre ocupado, sempre entre os ricos e importantes, as maiores marcas, elusivo, inalcançável, visionário, sobrenatural, geralmente muito acima da terra num avião, ou dentro daquela BMW retrô, sempre trabalhando, sempre no mais alto nível.

Mas no momento ele se senta oposto à mim.
Eu não sei exatamente o porquê, mas pergunto a ele se tudo que ele fala é sempre preciso e certeiro.
"Não," ele responde, com um sorriso malicioso para Petermann, "quando nós estamos juntos no carro, divagamos sem parar."

A conversa com ele, Rem, é assim: você faz uma pergunta e a resposta pode vir de duas maneiras. A primeira é bastante adequada, direto ao ponto, mas faz você se sentir um pouco inseguro, começa a vir uma sensação de que você poderia ter chegado naquela resposta sozinho, ou você pode tê-la encontrada por si mesmo, se você não tivesse sido preguiçoso e não tivesse, como você está fazendo agora, ocupando o precioso tempo que Koolhaas poderia ter passado pensando em coisas importantes!
Ou, fica emocionante, quando ele não lhe dá uma resposta direta, mas, ao invés disso, começa a fazer associações. Exemplo:

Qual é o impacto da crise?
"Como não existem mais ótimas estórias, você não pode se concentrar nas grandes estórias dos outros. Então desejos de prioridade pessoal surgem, ao invés de realizar as ambições dos outros. Poderíamos ter sido extremamente ricos se nós só tivessemos construído boutiques Louis Vuitton. Vinte e cinco anos de economia de mercado nos fez trabalhar mais em projetos privados do que nos projetos do governo. Os tempos em que os arquitetos realizavam as boas intenções dos governos se passaram há muito tempo. Não há mais ideais dentro dos governos; o aumento da desregulamentação tem fortalecido a economia de mercado a um nível fatal. O Universo está agora vazio ou preenchido com as empresas. O progresso é fragmentado, completamente disperso."

Por vezes, ele vai em direções opostas, em uma frase que se pode afirmar que a crise é um momento inspirador e então observa sombriamente: "Quando você vir como estamos tentando voltar, você vai perceber que não há realmente nenhuma mudança. Eu continuo ouvindo as pessoas dizerem que nós estaremos bem, quando continuarmos de onde paramos".

Palavras utilizadas por ele diversas vezes: pressupostos, intuições, implicações, articular, concentração, situações. Ele consegue fazer você se sentir bobo rapidamente, constantemente interrompendo sua narrativa com mais perguntas que testam os seus conhecimentos: "Você o conhece?", "Você leu isso?", "Você sabe como tudo começou?" Ou: "você fala italiano?".

O contraste naquela manhã na Brasserie é grande: o elegante e asseado Koolhaas, porém tenso, ao lado dele o gordinho Stephan Petermann, ouvindo e deixando seu croissant desmoronar sobre sua blusa despreocupadamente.

Ele vai se destacar mais frequentemente: Koolhaas cercando-se de pessoas amigáveis e modestas. Algumas semanas depois, quando for homenageado pelo governo holandês, muitos de seu amigo estarão presentes na cerimônia no Rijksmuseum: pessoas acima de cinqüenta anos, elegantemente vestidos, cores sólidas, sem jóias chamativas, apenas um broche abstrato aqui, óculos de armação sutil ali. Como carinhosamente sorrirão quando um Koolhaas um pouco estranho e ansioso sobe ao palco. Olharão um para o outro com uma expressão de "oh, Rem '. Cabeças se inclinarão para o lado durante a seu humilde discurso.
Se você fosse um idiota de verdade, seus amigos não estariam olhando para você desse jeito, estariam?

2.

Um estudante americano tem quatro palavras para mim:
"Quinto andar. Agora. Rem."
Ele pega seu Moleskine e segue atrás de dois colegas estudantes.
Petermann e eu rapidamente seguimos e percorremos as escadas e elevadores.
Remse aproxima.

Estamos em umm colosso de concreto em Rotterdam, o Office for Metropolitan Architecture (OMA). Ele é equipado de forma eficiente. Diversos espaços vazios, onde equipes podem ser organizadas rapidamente quando novas tarefas chegam. Pisos áridos, despojados de tudo exceto janelas. Às vezes, algumas ilhas de mesas nos oceanos de espaço. Outros pisos estão cheios até a borda com os produtores, projetistas, maquetes e computadores.  

Entre 250 e 270 pessoas trabalham no OMA, dispersado entre Rotterdam, Nova York, Pequim, Hong Kong e Doha (Qatar). Seu filho Thomas passa por aqui e por ali, fazendo um documentário sobre seu pai. E sua filha Charlie, socióloga e fotógrafa, ele trouxe para o escritório vários de seus amigos e conhecidos de Londres.

Os estudantes de Harvard estavam, durante toda a manhã, neste pavimento vazio, um tipo de tundra de concreto. Elegantemente vestidos, o ser humano moderno. Entre eles se encontram PDF's impressos com textos e imagens. O projeto deles deveria ter como resultado um grande livro dos 15 elementos mais importantes na arquitetura: a parede, a porta, o telhado, o banheiro, etc. Koolhaas vai ser o curador da Bienal de Arquitetura de Venezza em junho de 2014, intitulada Fundamentals, e por todo o globo, as pessoas estão ansiosamente esperando por ela.

Agora ele está chegando. O que fazer? A confusão aumenta. Eles deveriam esperar? Ou continuar? Está decidido que Rem prefere entrar quando eles estão ocupados. Mas então, já, um homem atravessa as planícies de concreto. É o cavaleiro solitário, não: é Rem. Sozinho, sem assistentes a tiracolo. Roupas elegantes, sweater, calças, botas. Ele anda como um ator que se aproxima de um set de filmagem.

Continuando, ele gesticula, e todos sabem que Rem Koolhaas deixou uma reunião importante enquanto chamadas ainda mais importantes vibram em seu bolso. Ele cruza seus braços contra seu corpo fortemente, curva sua cabeça. Eu vejo diversos olhares se virando. Todos estão ocupados não olhando para ele, para Rem. A possibilidade de falha de repente toma conta. A estudante explica sua pesquisa de maneira típica à garotas americanas de sua idade.
Isto é, tipo, algo como, o porque do banheiro."
Os seus colegas estudantes estão muito sérios.
Ela se volta a Rem: "Nós discutimos o uso de escrementos no livro..."
Ele a interrompe: "Você está levando muito tempo para dizer o que isto não é"
Agora ela gagueja. Ela aponta para o PDF.
"Eu não tenho certeza do porque isto está aqui, mas obviamente, é....., é porque......, é arquitetura"

Os silêncios são os piores. Você sente que Rem está insatisfeito, mas ele não manifestou ainda. Ele navega através de pastas com PDF's, mas também escuta.
Então ele começa:
"Eu não tenho a menor noção de como as pessoas cagam [sic] em regiões como China e África"
E: "Você poderia me mostrar uma parte do texto que você mesma escreveu?"
Também sobre o trabalho dos outros: "Isto está tão vago. Alguém em algum lugar deveria assumir a responsabilidade."
Manchas vermelhas aparecem nos pescoços.
Um menino prestativo com a barba aparada mostra algo.
Reação: "Isto é um esboço ou sua melhor tentativa?"
Ambas as respostas parecem erradas.
"Eu acho extremamente horrível. E parece não fazer o menor sentido."
E: "O que eu espero de vocês não é essa maneira de responder educadamente"
De repente: "Vocês poderiam parar de fazer anotações agora? Isso está me deixando nervoso!"
Com medo eu fecho meu caderno de anotações, mas, talvez, ele estava se referindo somente aos estudantes.

Em seguida, ele explica como tudo deve ser muito mais ousado: sem aulas de história simples, não! O tema que você trabalha, ele apresenta em palestras, deve ser uma bomba relógio, tick tock, tick tock. E então tudo o que você pode fazer é esperar que não exploda na sua cara.

Se ele realmente é o bicho-papão, então eu deveria tomar nota que suas críticas foram justas: os textos estavam superficiais e simplistas.
E então ele faz algo doce. Ele dá um passo em direção à garota que levou a maioria dos golpes e salienta: "Você entende que isso não nada pessoal, certo? '
Ela aparenta não ter se chateado com tudo isso.
Outra coisa confusa, eu não disse que Petermann estava carregando sua adorável criança durante essa sessão.

Rem vai embora. Petermann e eu vamos apressados atrás dele e logo estamos num elevador, juntos, três homens e uma criança pequena.
"Olhe", diz Rem, "ele vê a si mesmo no espelho. Está gostando de observar."

Quando nós saímos do elevador, as pessoas imediatamente cercaram Rem, assistentes, secretárias, todo o tipo. É igual a uma daquelas séries americanas sobre lei ou política onde todas as conversas acontecem enquanto se anda por locais de trabalho movimentados. As pupilas de Rem estão dilatadas, e ele parece ter ficado ainda mais alto, ele parece capaz de controlar as centenas de coisas diferentes que as pessoas jogam sobre ele, não importa o quão importante. De repente seu olhar perfurante me encontra, seus olhos emanam uma expectativa: agora, você irá me perguntar algo realmente importante, assim como os melhores jornalistas fazem.

"Eu não sei o que nós deveríamos estar fazendo agora, o que você quer?"
‘Uh…’
Oh não, o que estou falando, eu disse uh? Eu só queria estar próximo a ele. Ele se vira em direção a Petermann.
"Stephan, como você quer que isso continue?"
Petermann diz que nós veremos.
Oportunidade perdida. O momento se foi.
Rem se vira e desaparece entre novas pessoas e salas de reunião com paredes de vidro.

Como você consegue ficar focado por tanto tempo? Eu suspiro quando estou no carro novamente com Petermann, a criança no banco traseiro. Um enfoque assim é por vezes associado a um comportamento compulsivo, até mesmo autismo.

Peterman responde vagamente.
"Bem, a natação, claro", ele diz, "todo dia. E Rem gosta de estar exatamente no mesmo hotel, de preferência com o mesmo motorista o levando do aeroporto e o trazendo de volta."
Mas isso significaria que todos os homens são idiotas compulsivos - um pensamento que poderia soar verdadeiro, no entanto.

Petermann diz que há algo estranho. Toda vez que eles estão em uma festa ou encontro social sobre algo e eles encontram novas pessoas, muitas vezes estas pessoas confiam suas estórias de vida a Rem. Ou pelo menos todo tipo de assunto pessoal, intenso, como a morte recente de seus pais ou algo do tipo. Poderia ser a fama? O que há em Rem que faz as pessoas fazerem isso?
Petermann ainda não descobriu a resposta.

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Cita: Pleij, Sander . "Perseguindo Rem: O trabalho de um jornalista para definir Koolhaas" [Chasing Rem: One Journalist's Journey to Pin Down Koolhaas] 22 Jun 2014. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/622436/perseguindo-rem-o-trabalho-de-um-jornalista-para-definir-koolhaas> ISSN 0719-8906
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