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«Nós estamos realmente, meu querido amigo,
engajados numa bem difícil investigação;
para o tema de aparecer e parecer, mas não ser,
e de dizer coisas, mas não coisas verdadeiras –
tudo isso é agora e sempre foi causa de muita perplexidade.
Veja, Theaetetus,
é extremamente difícil entender
como um homem deve falar ou pensar
que a falsidade realmente existe
e ao dizer isso não estar envolvido em contradição.»
—Platão, O Sofista 237 A
O entendimento corrente da representação arquitetônica é ambíguo e confuso. Não há clara noção sobre o que a arquitetura deve representar ou se na verdade ela deve representar nada mais que ela mesma. No entanto, há também uma forte crença que a arquitetura não pode estar confinada inteiramente à sua existência imanente ou alguma forma de presença absoluta. É inevitável que os edifícios têm sua aparência e sua fisionomia. Nossa reação natural espontânea é articular a experiência tematicamente e, então, fisionomicamente, mesmo em situações nas quais pareceríamos estar preocupados com o caráter conceitual do visível. Isso tem sido especialmente evidente no interesse recente em arquitetura “autônoma” e “auto-referencial”. Aqui, o significado pretendido foi guepardizado pelas antecipações a priori e nosso pré-entendimento de situações particulares. Tal pré-entendimento assegura que nós podemos experimentar o conteúdo de uma galeria de arte, por exemplo, com um razoável grau de consistência mesmo num edifício que tenha sido projetado ou pareça como uma fábrica. Isso é um interessante lembrete que a experiência arquitetônica não é gerada no contexto de edifícios em quanto objetos, mas é sempre situacional.
As dificuldades que enfrentamos em relação à representação e significado, e que são muito frequentemente referidas de maneira sumária como uma crise de representação, não deve ser caracterizada como uma falta de representação ou significado, mas como um deslocamento e confusão. Deslocamento aponta a um dilema entre a monotonia e esterilidade no domínio do edifício, e um superabundância e complexidade no domínio da situação[1]. Deslocamento faz surgir uma questão de apropriação, que sempre foi integral ao pensamento arquitetônico, na maior parte sob a liderança do “decor”. Confusão é parcialmente condicionada pelo deslocamento, porém ela é primordialmente um resultado do pensamento moderno com sua ênfase no tangibilidade e certeza do conhecimento. As consequências culturais do pensamento moderno podem ser vistas na transformação da representação simbólica em representação instrumental.
