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Poesia e Arquitetura: O Pequeno Príncipe, capítulo XXI / Antoine de Saint-Exupéry

Poesia e Arquitetura: O Pequeno Príncipe, capítulo XXI / Antoine de Saint-Exupéry
Poesia e Arquitetura: O Pequeno Príncipe, capítulo XXI / Antoine de Saint-Exupéry, © flickr Lee Cannon
© flickr Lee Cannon

Foi então que apareceu a raposa.

—Bom dia, disse a raposa.

—Bom dia, respondeu cordialmente o pequeno príncipe, que se virou mas não viu nada.

—Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira.

—Quem és tu? perguntou o pequeno príncipe. Tu és muito bonita.

—Eu sou uma raposa, disse a raposa.

—Vem brincar comigo, lhe propôs o pequeno príncipe. Eu estou tão triste…

—Eu não posso jogar contigo, disse a raposa. Eu não sou domesticada.

—Ah! perdão, disse o pequeno príncipe.

Porém, após uma reflexão, acrescentou:

—O que significa «domesticar»?

—Tu não és daqui, disse a raposa, o que procuras?

—Eu procuro os homens, disse o pequeno príncipe. O que significa «domesticar»?

—Os homens, disse a raposa, têm fusis y caçam. Isso é muito irritante! Eles também criam galinhas. Esse é seu único interesse. Tu procuras galinhas?

—Não, disse o pequeno príncipe. Eu busco amigos. O que significa «domesticar»?

—É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa «criar laços…»

—Criar laços?

Certamente, disse a raposa. Tu não és para mim nada mais que um jovenzinho muito parecido a outros cem mil jovenzinhos. E eu não necessito de ti. E tu não necessitas de mim tampouco. Eu não sou para ti mais que uma raposa parecida a outras cem mil raposas. Mas, se tu me domesticas, nós necessitaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei para ti única no mundo…

—Começo a compreender, disse o pequeno príncipe. Há uma flor… creio que ela me domesticou…

—É possível, disse a raposa. Vê-se na Terra toda sorte de coisas…

—Oh! não é na Terra, disse o pequeno príncipe.

A raposa mostrou-se muito intrigada:

—Em outro planeta?

—Sim.

—Há caçadores nesse planeta?

—Não.

—Isso é interesante! E galinhas?

—Não.

—Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Porém a raposa voltou à sua ideia:

—Minha vida é monótona. Eu caço galinhas, os homens me caçam. Todas as galinhas se assemelham, e todos os homens se assemelham. Entedio-me então um pouco. Mas, se tu me domesticas, minha vida se inundará de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente de todos os outros. Os outros passos me fazem esconder sob a terra. Os teus me chamarão para fora da guarida, como uma música. E depois, olha! Tu vês, lá embaixo, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me recordam nada. E isso, é triste! Mas tu tens os cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tu me hajas domesticado! O trigo, que é dourado, me fará lembrar de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e olhou longamente ao pequeno príncipe:

—Se te agrada… domestica-me! disse ela.

—Eu bem quisera, respondeu o pequeno príncipe, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

Nós não conhecemos mais que as coisas que domesticamos, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer nada. Eles compram as coisas todas prontas nas lojas. Mas como não existe lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, domestica-me!

—O que há que fazer? perguntou o pequeno príncipe.

—Há que ser muito paciente, respondeu a raposa. Tu sentarás de início um pouco longe de mim, como agora, sobre a relva. Eu te olharei de canto de olho e tu não dirás nada. A linguagem é fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, tu poderás sentar um pouco mais perto.

Ao dia seguinte retornou o pequeno príncipe.

É melhor retornar à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro horas da tarde, desde às três horas eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora avançar, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, eu me agitarei e me inquietarei; eu descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens sem importar quando, eu não saberei jamais a que hora adornar meu coração… Fazem falta os ritos.

—O que é um rito? perguntou o pequeno príncipe.

—É também outra coisa muito esquecida, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora, das outras horas. Há um rito, por exemplo, entre meus caçadores. Eles dançam às quintas-feiras com as moças do vilarejo. Então quinta-feira é um dia maravilhoso. Vou passear até o vinhedo. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias se pareceriam todos, e eu não teria férias.

Assim o pequeno príncipe domesticou a raposa. E quando a hora da partida se aproximou:

—Ah! disse a raposa… Eu vou chorar.

—É tua culpa, disse o pequeno príncipe, eu não desejava te fazer mal, mas tu quiseste que eu te domesticasse…

—É verdade, disse a raposa.

—Mas tu vai chorar! disse o pequeno príncipe.

—É verdade, disse a raposa.

—Assim tu não ganhas nada!

—Eu ganho, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Logo ela acrescentou:

—Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te darei de presente um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas.

—Vós não sois em nada parecidas à minha rosa, vós não sois nada ainda, lhes disse. Ninguém vos domesticou e vós não domesticastes a ninguém. Vós sois como era minha raposa. Não era mais que uma raposa parecida a cem mil outras. Mas eu a fiz minha amiga, e ela é agora única no mundo.

E as rosas ficaram muito irritadas.

—Vós sois belas, mas sois vazias, ele lhes disse ainda. Não se pode morrer por vós. Certamente, a minha rosa, um transeunte ordinário creria que ela parece convosco. Porém só ela é mais importante que todas vós, pois ela é quem eu reguei. Pois ela é quem eu pus sob o globo. Pois ela é quem eu abriguei com o para-vento. Pois ela é aquela cujas larvas eu matei (salvo duas ou três pelas borboletas). Pois ela é a quem escutei lamentar-se, ou vangloriar-se, ou mesmo às vezes calar-se. Pois é a minha rosa.

E ele retornou para a raposa:

—Adeus, disse ele…

—Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: não se vê bem senão com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

— O essencial é invisível aos olhos, repetiu o pequeno príncipe, a fim de recordar.

—É o tempo que perdiste por tua rosa que faz tua rosa tão importante.

—É o tempo que perdi por minha rosa… disse o pequeno príncipe, a fim de recordar.

—Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas responsável para sempre por aquilo que domesticas. Tu és responsável por tua rosa…

—Eu sou responsável por minha rosa… repetiu o pequeno príncipe, a fim de recordar.

 

© Da tradução: Igor Fracalossi

Referência: SAINT-EXUPÉRY, Antoine. Le Petit Prince, capítulo XXI, 1943

Cita: Igor Fracalossi. "Poesia e Arquitetura: O Pequeno Príncipe, capítulo XXI / Antoine de Saint-Exupéry" 14 Jan 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/91626/poesia-e-arquitetura-o-pequeno-principe-capitulo-xxi-antoine-de-saint-exupery> ISSN 0719-8906