
A construção é uma ciência; é também uma arte, ou seja, é necessário ao construtor o saber, a experiência e um sentimento natural. Nasce-se construtor; a ciência que se adquire não pode mais que desenvolver as sementes depositadas no cérebro dos homens destinados a dar um emprego útil, uma forma durável à matéria bruta. Assim ocorre com os povos como com os indivíduos: alguns são construtores desde o berço, outros não se tornarão jamais; o progresso da civilização acrescenta pouco a essa faculdade natural. A arquitetura e a construção devem ser ensinadas ou praticadas simultaneamente: a construção é o meio; a arquitetura, o resultado; e no entanto, há obras de arquitetura que não podem ser consideradas como construções, e há certas construções que não se saberia como incluir entre as obras de arquitetura. Alguns animais constroem, uns células, outros ninhos, montículos, galerias, tipos de cabanas, redes de fio: essas são de fato construções, isso não é arquitetura.
Construir, para o arquiteto, é empregar os materiais em razão de suas qualidades e de sua natureza própria, com a ideia preconcebida de satisfazer a uma necessidade pelos meios mais simples e mais sólidos; de dar à coisa construída a aparência da duração, proporções convenientes submetidas a certas regras impostas pelos sentidos, raciocínio e instinto humanos. Os métodos do construtor devem então variar em razão da natureza dos materiais, dos meios dos quais ele dispõe, das necessidades às quais ele deve satisfazer e da civilização em meio à qual ele nasceu.
Os gregos e os romanos foram construtores; no entanto esses dois povos partiram de princípios opostos, não empregaram os mesmos materiais, os puseram em obra por meios diferentes, e satisfizeram necessidades que não eram as mesmas. Também as aparências do monumento grego e do monumento romano diferem essencialmente. O grego emprega só o dintel em suas construções; o romano emprega o arco, e, em consequência a abóboda: isso por si só já indica como esses princípios opostos devem produzir construções muito diferentes quanto aos meios empregados e quanto à sua aparência. Nós não temos tornar conhecidas aqui as origens desses dois princípios e suas consequências; tomamos a arquitetura romana no ponto onde ela chegou nos últimos tempos do Império, pois essa é a fonte única da qual a idade média beberá.
