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Cinema e Arquitetura: "Dark City"

Cinema e Arquitetura: "Dark City"

Uma das propostas mais pós-modernas que tive a oportunidade de desfrutar e talvez um dos trabalhos mais honestos em relação ao seu roteiro é Dark City, filme cheio de experimentação, inovadora para seu tempo mas que não contou com a sorte diante do público e da crítica em seu tempo. Hoje em dia foi feito justiça à sua imagem, e foi convertido em um filme cult, em grande parte, pelo ponto de inflexão que foi "The Matrix" quanto à sua concepção de cinema pós-moderno.

Cidade sem luz, congelada numa noite interminável onde nunca nasce o sol, mas ao mesmo tempo cidade escura pelo fato de que ninguém está ciente do desenvolvimento da cidade. As pessoas não se impressionam pela imagem de mudança da cidade, devido ao fato de estarem submetidas a um controle mental, mas ainda pode ver esse comportamento em nossa sociedade pós-moderna atual, em que ninguém parece se surpreender e fazer parte da rápida transformação da cidade.

É proposta uma cidade sem centro, sem edifícios emblemáticos com os quais é possível identificar um centro histórico ou urbano, totalmente carente de espaços funcionais ou espaços públicos. Não existe diferenciação entre centro e periferia, nem entre as zonas ricas e pobres da cidade. Sua uniformidade consiste de uma série de edifícios intermináveis, rodeados de ruas escuras e estreitas, idênticas umas às outras.

É uma alusão da nossa situação atual em relação à cidade. Aqui não existe planejamento urbano, as alterações são feitas ao acaso e dependem das novas identidades dos indivíduos após o controle de sua mente. Ninguém é capaz de saber seus verdadeiros limites físico, a medida em que o mesmo estado de mudança os faz perder todo impulso de conhecê-los. Assim como hoje em dia nas grandes cidades as pessoas não são capazes de reconhecer os limites de seu habitat, porque este está em constante mudança.

Cinema e Arquitetura: "Dark City"

Trata-se de uma cidade prisão, onde as pessoas são como ratos de laboratório vivendo dentro de ruas confusas, carentes de espaços abertos que sirva como ponto de referência.

É intencionalmente uma cidade sem identidade própria, a qual os autores trataram de construir uma estética atemporal, tanto com o figurino de seus atores, como no estilo de sua arquitetura. Sua intenção era de representar uma cidade que não era como nenhuma cidade real, mas que poderia ser qualquer uma. Dentro desta neutralidade ainda podemos ver um contexto ocidental dos anos quarenta e com referência ao filme policial e filmes noir.

Nos coloca o conceito de cidade cenográfica e questiona o nosso papel como uma pessoa antes da cidade do final do século XX. Faz alusão à nossa situação de indivíduos experimentais ante uma sociedade instável e fugaz. Nos faz lembrar que vivemos em uma cidade onde novos edifícios são erguidos e os antigos são demolidos diariamente, onde nossos laços com nosso entorno são fulgazes e nossas relações acabam por ser descartáveis. 

Concluindo, Dark City é um grande questionamento de "o que somos parte" à "o que nós queremos ser". Nós nos perguntamos diariamente sobre as mudanças que ocorrem em nossas cidades e a forma como vivemos nelas, oprimidos pelo ritmo incessante da cidade para se re-imaginar e se transformar, e assim como o protagonista, buscamos nos apropriar do próprio espaço para que faça parte da nossa identidade. Dark City fala sobre um dos nossos medos mais atuais, contrários dos desejos e utopias modernistas... o medo de velocidade.

CENAS CHAVE

1. Uma Cidade sem Identidade

Dentro da cidade, não existem edifícios emblemáticos ou pontos de referência, apenas uma aglomeração dos edifícios que obedecem a função dos indivíduos a serem controlados.

2. Ambientação Escura e Deprimente

Dark City está cheia de cenários sombrios, onde a luz é escassa, vielas estreitas, a decadente delegacia de polícia, tudo cheio de solidão e desespero.

3. Sem espaços públicos ou lugares emblemáticos

O protagonista percorre a cidade, sem lugar onde descansar ou se esconder, apenas existem ruas escuras cheias de tubulações e esgotos e de edifícios em claro estado de abandono.

4. Cine Noir e Ficção Científica

A ambientação da cidade é baseada nos gêneros policiais e cinema noir da década dos anos 40, de ruas repletas de sombras onde o perigo está a cada esquina.

5. "Knighthawks" de Edward Hooper

Enquanto o filme tenta ser atemporal, algumas referências óbvias são identificadas da estética de Hollywood do cine noir dos anos 40.

6. A Femme Fatale / Grupo do Clube Noturno

Podemos encontrar mais lugares que fazem referência à esta estética noir como os quartos sujos do hotel, a boite noturna e até a delegacia de polícia.

7. A Cidade como Prisão de seus Habitantes

Devido ao controle dos "ocultos", o homem habita a cidade como um rato de laboratório que percorre suas ruas em círculos sem encontrar uma saída.

8. A Prisão dentro do nosso próprio DNA

Assim como os "ocultos", nosso próprio crescimento nos levou a criar nossa prisão dentro da cidade pós-moderna, cujos limites nós controlamos ou conhecemos.

9. Uma Cidade Murada

Como toda concepção utópica, a cidade na escuridão é auto-suficiente, uma ilha no espaço, um labirinto que, mais tarde, vai se tornar a imagem de um Atlantis espacial.

10. A cidade em baixo da Cidade

"Os Ocultos” controlam a cidade embaixo da cidade, vivendo dentro de cavernas artificiais e tecnológicas, catedrais góticas onde o que impera é a sombra.

11. A utopia de hoje é a prisão de amanhã

Murdoch consegue assumir o controle da cidade e com base em suas lembranças, reinventa o modelo da cidade, que apesar de sua liberdade, deve enfrentar as consequências de seu isolamento.

12. Nosso lugar dentro da Cidade

Seria a nossa visão da cidade ideal, o único resultado de nossas experiências passadas? Triunfante, Murdoch caminha por seus sonhos materializados enquanto brilha o novo sol.

PERFIL DO DIRETOR

Nascido em 23 de setembro de 1963, é um diretor de cinema, escritor e produtor de origem australiana. Foi diretor de numerosos clipes musicais e comerciais. Seu primeiro trabalho como diretor de cinema foi a adaptação de histórias em quadrinhos "The Crow", na qual tragicamente o ator principal Brandon Lee morreu durante as filmagens devido a um acidente com uma arma de fogo. Devastado, Proyas regressou ao seu país de origem com a intenção de abandonar a carreira, mas voltou por insistência da família do ator falecido.

Durante os anos 80, Alex Proyas foi um dos primeiros que contribuíram na criação do "estilo MTV", um estilo visual que se baseava na experimentação de novas técnicas de vídeo e cuja maior representação se refletiu nos "videos musicais" do canal de televisão. Este estilo visual se desdobraria na criação da chamada cultura POP dos anos noventa.

Proyas se caracteriza por uma direção de cortes rápidos entre as cenas, que recordam de certo modo um clipe de música, cortes que rompem a tensão da história e aceleram as cenas como se o filme fosse rodado em um ritmo mais rápido. Fotograficamente tem uma tendência na direção em alto contraste e durante os anos noventa o seu trabalho é claramente influenciado por uma estética noir que se tornou referente na cultura gótica.

FICHA TÉCNICA

Data de Estreia: 27 de Fevereiro de 1998
Duração: 100 min.
Gênero: Suspense / Ficção Científica 
Diretor: Alex Proyas
Roteiro: Alex Proyas
Trilha Sonora: Dariuz Wolski

SINOPSE

John Murdoch desperta uma noite num quarto de hotel sofrendo de amnésia. Recebe uma chamada telefônica com a voz de um homem que não conhece, o advertindo que foi cobaia de experimentos estranhos e que os responsáveis voltaram para buscá-lo.

Murdoch foge confuso pela cidade, perseguido pela polícia que o procura como o responsável por horríveis assassinatos. Em sua fuga, descobre um misterioso grupo chamado "os ocultos" que podem manipular a mente das pessoas e alteram a ordem da cidade. Murdoch deverá pará-los antes que tomem o controle de sua mente.

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Sobre este autor
Rafael Altamirano
Autor
Cita: Altamirano, Rafael. "Cinema e Arquitetura: "Dark City"" [Cine y Arquitectura: "Dark City"] 04 Abr 2014. ArchDaily Brasil. (Trad. Santiago Pedrotti, Gabriel) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/186969/cinema-e-arquitetura-dark-city> ISSN 0719-8906